Quando o TCR South America foi anunciado, fiquei preocupado com a viabilidade do projeto.

Era um momento em que a Austrália tinha acabado de lançar sua versão da categoria e aumentado o nível dos campeonatos nacionais da modalidade. Afinal, tinham atraído investimentos da Renault (praticamente afastada do TCR no resto do mundo), formaram um grid com muita variedade de marcas e trouxeram competidores famosos na própria Austrália, alguns com passagem pela Supercars. Seria complicado para outro país repetir o sucesso.

Ao mesmo tempo, o TCR no mundo já dava os primeiros sinais de estar encolhendo. O WTCR enfrentava a saída de montadoras como a Volkswagen, a Peugeot e a Alfa Romeo, a versão alemã da categoria tem grids cada vez menores e, a do Reino Unido foi até mesmo cancelada.

Isso sem falar na aproximação entre a Stock Car e a Super TC2000, da Argentina, com Rubens Barrichello correndo no país vizinho e Matías Rossi vindo participar do campeonato brasileiro, o que aumenta ainda mais a concorrência em torno de um campeonato sul-americano no esporte a motor.

Mas, mesmo com todas as dificuldades de lançar uma categoria em meio ao momento que estamos vivendo, o TCR da América do Sul vinha com boas notícias e parecia poder até mesmo superar a Austrália para ser a nova referência do TCR no mundo.

Entre as principais novidades, os organizadores divulgaram que 35 participantes tinham declarado interesse em competir na temporada inaugural da categoria, agora em 2021, com times do Brasil, Peru, Argentina, Chile e até mesmo dos EUA.

Algumas dessas equipes eram de nomes bastante badalados, como a Piquet Sports e a FJ, de Augusto Farfus, atual piloto de testes da Hyundai na modalidade e titular da marca no Pure ETCR, para carros elétricos.

Houve também a contratação do veterano Pepe Oriola, piloto espanhol com passagem pelo WTCC, WTCR e TCR Europeu pela equipe brasileira W2.

E a cereja do bolo foi o anúncio da entrada da Toyota no mundo TCR, com um projeto praticamente todo desenvolvido na Argentina. Isto é, uma das maiores montadoras do mundo resolveu entrar na modalidade atraída pelo campeonato sul-americano (embora a tendência é que a marca também acabe estreando no WTCR no futuro).

Os problemas do TCR South America 2021

Infelizmente, a primeira etapa do novo TCR South America 2021, marcada para este fim de semana em Interlagos, não terá 35 carros no grid, nada de times do Peru e do Chile, nem mesmo a Piquet Sports estará presente, e muito menos correrá a Toyota, que ainda está construindo seu equipamento e jamais planejou estar na inauguração do campeonato.

Na lista de inscritos, divulgada na quarta-feira, dia 23, são 12 carros confirmados, sendo que os pilotos da equipe de Farfus não foram divulgados.

Apesar de pouco conhecido deste lado do mundo, Oriola é o principal nome do campeonato. Outro com experiência internacional é o argentino José Manuel Sapag, que tomou parte de etapas do WTCR e do TCR Europeu no ano passado. Entre os brasileiros, Rodrigo Baptista, que defendeu a Bentley em campeonatos de GT3 nos últimos anos e atualmente está no Pure ETCR é o principal destaque.

Muito dos problemas do campeonato nesta primeira etapa são resultados das fronteiras fechadas e do momento complicado enfrentado principalmente por países da América do Sul. Infelizmente, o timing não ajudou o TCR.

Mas com um calendário com corridas até dezembro fica a expectativa para que no segundo semestre, caso a situação do continente (e do mundo) melhore, o grid da categoria cresça e se aproxime do plano inicial de 35 inscritos por times de cinco países diferentes.

Você pode clicar aqui para ver os pilotos que chegaram a ser anunciados para a temporada 2021 do TCR Sul-americano.

foto do topo: vinicius marmo/ferraripromo/divulgação

A estreia da Toyota é bastante aguardada no TCR South America 2021 – foto: toyota gazoo racing/divulgação