Um piloto de apenas 16 anos de idade e considerado uma das maiores promessas do automobilismo dos últimos anos surpreendentemente anunciou sua aposentadoria das pistas.

Essa é a história de Thomas Ten Brinke, revelação do automobilismo holandês e que ocupava a 13ª posição na temporada 2021 da F-Renault by Alpine, tendo pontuado em cinco das oito corridas de que tomou parte (também ficou de fora de outras duas por causa de problema de saúde).

A – breve – e meteórica carreira de Ten Brinke foi marcada pela precocidade. Ele estourou no esporte a motor mundial em 2019 ao conquistar o título do Mundial de Kart, na divisão OKJunior, ao derrotar Rafael Câmara.

A carreira meteórica de Thomas Ten Brinke

Mas enquanto o brasileiro optou por subir para a divisão OK do kartismo, Ten Brinke passou a fazer a transição aos monopostos. Como a temporada passada começou somente em meados do segundo semestre por causa de tudo o que estamos vivendo, isso significou que o jovem holandês já tinha completado 15 anos, idade mínima para correr na F4, quando os carros foram liberados para voltar à pista.

Seu primeiro desafio foi na F4 Espanhola de 2020. Apesar de ter ficado de fora da duas primeiras etapas da temporada, ele terminou o ano com a terceira colocação da tabela, tendo obtido uma vitória e mais oito pódios e tendo finalizado todas as provas, menos duas, dentro do top-5.

Mas em vez de permanecer na categoria por mais um ano ou se inscrever em uma F4 mais competitiva, como a Italiana ou a Alemã, Ten Brinke decidiu subir para a F-Regional by Alpine, campeonato que tem um dos grids mais fortes das categorias de acesso da F1 em 2021.

Na nova categoria, seu desempenho não era ruim, apesar de estar atrás dos companheiros de equipe (Grégoire Saucy e Gabriele Mini) na tabela. Mas o próprio piloto disse que estava sentindo uma pressão além da conta e não via mais alegria em correr, por isso decidiu abandonar a carreira.

Talvez seja reflexo da cultura do tudo ou nada do automobilismo, de um piloto ser tão bom quanto seu último resultado. Isto é, nos últimos anos todos, Ten Brinke estava no auge, com todos o tratando como novo fenômeno do esporte a motor. Mas bastou uma temporada não tão boa para que ele sentisse que as pessoas lhe virassem as costas.

Fica a oportunidade para os envolvidos nas categorias de base, de donos de equipe a fãs e jornalistas, refletirem como estão lidando com competidores que muitas vezes mal entraram na adolescência.

Também não é incomum pilotos badalados decidirem se aposentar para tentar coisas novas na vida. O exemplo que costuma ser mais citado nessas horas é de Jaime Alguersuari, que correu na F1 e na Formula E, mas abandonou as pistas para ser DJ. Neste ano, aliás, voltou a participar de campeonatos de kart na Espanha e já obteve um pódio.

Houve também o caso de Josh Hill, filho do ex-F1 Damon Hill, que seguiu os passos de Alguersuari e abandonou a carreira quando tinha acabado de deslanchar na F3 para ficar somente no mundo da música.

Essas mudanças chamam a atenção, mas no fim o mais importante é que a pessoa se sinta feliz com o que decidiu fazer da vida. E que seja esse o caso de Ten Brinke a partir de agora.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da F-Regional by Alpine, em Zandvoort, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Thomas Ten Brinke saiu do kart para a F-Regional by Alpine em menos de dois anos – fotos do post: f-regional by alpine/divulgação