Sem nenhuma vitória nas oito primeiras corridas da temporada 2021, a Penske vai tendo seu pior início de ano da Indy desde 1999. Será que a crise chegou à tradicional esquadra americana?

Talvez não seja para tanto. Em 1999, a equipe viveu um dos seus piores momentos na história da Indy.

Naquele ano, nenhum de seus pilotos disputou a temporada completa. Quatro competidores (incluindo Al Unser Jr., Tarso Marques e Alex Barron) dividiram o cockpit, e o equipamento era tão ruim que nenhum deles chegou ao pódio. Isso sem falar na morte do uruguaio Gonzalo Rodríguez, em um acidente em Laguna Seca.

O melhor desempenho – se é que podemos chamar assim – foi de Unser Jr, que terminou o ano somente com a 21ª posição na tabela.

Para sair da crise, Roger Penske fez mudanças profundas no time para o ano 2000. Tim Cindric, que estava na Rahal, foi contratado para chefiar as operações. A Penske parou de construir o próprio carro e adotou o conjunto chassi Reynard, motor Honda e pneu Firestone, que era dominante na época. E Gil de Ferran foi contratado para ser o piloto a liderar a esquadra.

O outro equipamento teria o promissor canadense Greg Moore, mas, como a história conta, ele foi vítima de um acidente fatal na última corrida de 1999. Para seu lugar, a esquadra escolheu Helio Castroneves.

A recuperação foi imediata. Gil foi bicampeão da Indy em 2000 e 2001 e ganhou as 500 Milhas de Indianápolis em 2003. Já Castroneves levou a melhor na Indy 500 de 2001, 2002 e 2009, além de ter conquistado pela o esquadra o título da Imsa em 2020.

Já em 2021 o desempenho não é tão ruim assim. A Penske inscreve quatro pilotos na Indy (Josef Newgarden, Simon Pagenaud, Will Power e Scott McLaughlin), e todos eles já subiram ao pódio neste ano.

Os problemas da Penske em 2021

Na verdade, o jejum de 2021 nem é em decorrência da falta de desempenho. A vitória tem teimado em escapar na atual temporada. Newgarden foi ultrapassado por Pato O’Ward nas voltas finais tanto no Texas quanto na segunda bateria de Detroit. Já Power estava com o triunfo nas mãos na primeira prova de Belle Isle, mas um problema mecânico o impediu de ligar o carro após uma bandeira vermelha e participar das voltas finais.

Se em 1999 o problema da Penske era estrutural, dessa vez parece ser questão de fazer dar tudo certo.

Além disso, esses sustos já são uma situação de certa forma esperada. Os próprios pilotos da esquadra são conhecidos pelos altos e baixos constantes. Pagenaud, por exemplo, ganhou ano passado em Iowa, mas nas pistas seguintes não terminou nenhuma vez no top-5. Para piorar, ficou fora do top-15 em cinco das oito provas de que participou.

Power virou um chamariz de azar, como visto na rodada nas 500 Milhas deste ano e na falha mecânica agora em Detroit (como resultado, ele tem somente um top-5 em 2021), e Newgarden acaba sendo o mais constante, embora pesem contra ele nunca ter andando bem em Indianápolis e o erro na abertura do campeonato 2021, em Barber. Já McLaughlin está estreando na Indy, após anos participando de campeonatos de turismo, então ainda precisa se adaptar.

Se os problemas da Penske em 2021 não são tão graves quanto os de 1999, da mesma forma a equipe não tem muito espaço para manobrar. Não faria sentido tomar medidas tão drásticas como as do milênio passado, como demitir Cindric após um único ano ruim em meio a tanto sucesso nem deixar a Chevrolet, sua fornecedora de motores (praticamente exclusiva) na Indy.

Quanto aos pilotos, Power, Newgarden e McLaughlin têm contrato para 2022. E Roger Penske já declarou que espera manter Pagenaud, mas a renovação ainda não foi acertada.

Talvez o problema da Penske tenha sido ter parado no tempo. Power, Newgarden e Pagenaud correm juntos desde 2017. Nesse tempo, tiveram muito sucesso, ganharam dois títulos e duas 500 Milhas, mas também viram outras equipes se estruturarem. A Ganassi, por exemplo, entendeu que a Indy estava mudando, expandiu para quatro carros e já viu três de seus competidores (Scott Dixon, Marcus Ericsson e Alex Palou) vencerem em 2021. Já o time de Sam Schmidt se uniu à McLaren e vem se tornando uma das grandes da categoria. Isso sem falar em Helio Castroneves, ex-Penske que ganhou a Indy 500 em sua estreia pela Meyer Shank.

De repente a Penske poderia se inspirar na virada de 1999 e trazer novamente Gil de Ferran. Afinal, o brasileiro está livre no mercado desde que saiu da McLaren no começo deste ano.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Indy em Detroit, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Scott McLaughlin é um dos pilotos novatos da Indy 2021 – foto: penske/divulgação