A organização da Formula E anunciou que está trabalhando em um ambicioso plano para a criação de categorias de base com carros elétricos, que vão englobar desde um campeonato equivalente à F2 até o kartismo. É o que diz uma notícia publicada nesta semana pelo site Motorsport.

Hoje já existem algumas iniciativas de categorias para jovens pilotos disputadas com carros elétricos, mas não há nenhuma estrutura formada com todas elas nem ligação com a Formula E.

Rob Smedley, engenheiro que trabalhou com Felipe Massa na Ferrari e na Williams na F1, está lançando um modelo de campeonato usando karts elétricos, enquanto em 2022 deve ser disputada a primeira temporada de uma categoria chamada ERA (Electric Racing Academy), cujo equipamento equivale à F4.

A ERA pretende realizar um “bootcamp”, isto é, um minitorneio preparatório nos EUA, no início do ano que vem, antes de uma temporada convencional no restante do ano na Europa. Já houve vários testes com o protótipo criado pela iniciativa, chamado de Mistu-Bachi, mas ainda falta divulgar informações mais concretas de que o campeonato realmente sairá do papel.

Caso decida abraçar essas iniciativas ou então criar seus próprios torneios de base, a Formula E poderá se dar muito bem.

Hoje existe um problema evidente que é o elevado custo para um piloto chegar à F1. Nos últimos anos, praticamente só entraram na principal categoria do automobilismo mundial filhos de bilionários, como Lance Stroll e Nikita Mazepin, ou jovens que fazem parte de academias dos próprios times da F1.

Em uma entrevista recente, Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes, disse que uma temporada completa na F3 pode chegar a US$ 1 milhão, enquanto da F4 o preço pode ser de US$ 500 mil.

Essa é a chance de a Formula E poder montar suas categorias de base do zero, com um custo mais acessível. Assim, esses torneios poderiam dizer que é a habilidade de cada competidor que fará a diferença (não o dinheiro) para tentar atrair quem hoje busca a F2, F3 e F4 convencionais.

Os problemas para uma “F2 elétrica”

Do outro lado, a Formula E corre o risco de organizar campeonatos de base pouco efetivos. Não é porque um piloto fez toda a carreira em carros elétricos que ele será promovido para a Formula E.

Se as equipes da categoria, como DS Teechetah, Jaguar etc. entenderem que os jovens mais promissores estão na F2, ou até mesmo deixando a F1, elas irão persegui-los. Aí os campeonatos de base elétricos perdem o sentido de existir.

Situação parecida marcou a antiga F2 (disputada de 2009 a 2012), cujo principal chamariz eram os custos mais baixos, mas que praticamente não revelou nenhum piloto. Apesar de a FIA promover o campeonato como categoria de acesso da F1, as equipes do mundial perceberam que os melhores talentos estavam mesmo era na GP2. Aí a solução foi acabar com a antiga F2 e rebatizar a GP2 com esse nome.

Ainda é muito cedo para dizer se as categorias de acesso da Formula E vão realmente existir e ter sucesso na hora de revelar bons pilotos, mas é muito positivo que os campeonatos atuais, como a F2 e F3, passem a ter concorrência, até como uma forma de pressioná-los a resolver seus problemas, como o orçamento gigantesco necessário e a falta de vagas.

foto do topo: formula e/divulgação

O carro da ERA, categoria que pretende começar a ser disputada em 2022 – foto: era/divulgação