Há uma coincidência muito grande entre o desempenho de Felipe Drugovich nas três primeiras etapas da F2 2021 com sua temporada passada: é que sua posição média de largada em ambas é a mesma: 7,6 (sem contar as provas com grid invertido).

Não por acaso ele ocupa a nona colocação no campeonato deste ano, mesma posição em que terminou a temporada anterior.

Então por que o desempenho do brasileiro nas classificações em 2021 não parece tão bom quanto o de 2020?

Uma das razões é que, se ele viveu altos e baixos nas tomadas de tempo na última temporada, seus altos foram mais altos que os atuais (enquanto os baixos foram também mais baixos), o que acaba parecendo mais favorável para ele.

Por exemplo, logo em sua etapa de estreia na F2 2020, no Red Bull Ring, classificou-se em segundo, posição que repetiu mais tarde no Bahrein. Em Silverstone, veio sua única – por enquanto – pole da carreira. Drugovich também largou do top-5 na Espanha, na Bélgica, em Mugello e no anel externo de Sakhir. Do outro lado, foi 18º em Hungaroring e 16º em Sochi.

Já neste ano o brasileiro teve como melhor resultado o terceiro lugar na abertura do campeonato, no Bahrein. Em Mônaco, foi o nono e, em Baku, o 11º, posição que o fez largar fora do top-10 em todas as provas do fim de semana, mesmo quando o grid invertido foi aplicado.

Mas como Drugovich agora é um veterano da F2 era esperada evolução dele em relação ao desempenho do ano passado, ainda mais que ele trocou a equipe MP (que não está entre as grandes da categoria) pela UNI-Virtuosi, acostumada a brigar por títulos e que tem (ou tinha) como ponto forte justamente as classificações. E essa melhora ainda não está sendo tão visível.

Os problemas na F2 2021

O que realmente tem prejudicado o piloto da UNI-Virtuosi tem sido os problemas nos quais tem se envolvido. Das nove provas disputadas em 2021, Drugovich não pontuou em cinco delas.

Na abertura do campeonato, no Bahrein, ele se envolveu em um enrosco no começo e foi obrigado a parar nos boxes para trocar a asa do carro. Como resultado, recebeu a bandeirada em 16º, que acabou sendo sua posição de largada na segunda bateria da rodada tripla, onde ele também ficou longe da zona dos pontos.

Já, no Azerbaijão, Drugovich foi punido pelo toque em Oscar Piastri na primeira corrida. Com a penalização, ele saiu da zona de pontos e perdeu a chance de largar na primeira fila na segunda prova (onde também ficou sem pontuar).

Alguém até pode dizer que esses enroscos estão associados ao brasileiro largar mais atrás, mas não dá para ligar uma coisa com a outra. Com tantas inversões de grid determinadas pelas novas regras, todo mundo acaba partindo do meio do pelotão em algum momento. E nenhum piloto vem tendo um 2021 perfeito até aqui.

O lado bom para ele é que seu ritmo de corrida tem sido muito forte. Levando em conta só as provas principais, em Mônaco, saiu da nona posição do grid direto para o pódio, enquanto em Baku saltou de 11º para quarto.

Como duas das próximas três etapas, em Silverstone e em Sochi, serão disputadas em circuitos mais convencionais que Mônaco ou Baku, a tendência é que o brasileiro tenha condições de mostrar do que é capaz nas classificações e voltar a somar bastante pontos, se aproximando da luta pelo título.

Lembrando que a diferença de Drugovich e Guanyu Zhou, seu companheiro de equipe e líder na tabela, é de 37 pontos, e a cada etapa 65 são distribuídos.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa da F2 em Baku, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: dutch photo agency/kgcom/divulgação

Juri Vips vem sendo o piloto mais constante da F2 em 2021 – foto: dutch photo agency/red bull content pool/divulgação