Tem males que vêm para o bem. Dá até para definir assim a saída de Helio Castroneves da Penske, no fim do ano passado, após 20 anos de parceria, e que culminou com o tetracampeonato das 500 Milhas de Indianápolis em 2021, em sua primeira corrida pela Meyer Shank, sua nova casa na Indy.

Castroneves, aliás, tem um recorde impecável desde que deixou a Penske. Disputou duas corridas por outras equipes e ganhou ambas. A primeira foi as 24 Horas de Daytona, em janeiro, pela Wayne Taylor Racing, e a outra a Indy 500 agora.

Aliás, como Roger Penske se tornou o novo dono da Indy e de Indianápolis, dá até para dizer que teve uma “lei do ex” nestas 500 Milhas. Para quem não entendeu, lei do ex é uma expressão que vem do futebol e acontece quando um jogador marca um gol em um time pelo qual já jogou anteriormente. E no caso de brasileiro, ele venceu a Indy 500 justamente na casa da Penske.

Castroneves é um desses pilotos de quem todo mundo gosta. Tanto que logo depois de receber a bandeirada nas 500 Milhas de Indianápolis recebeu os cumprimentos de boa parte do grid, mecânicos e personalidades do esporte a motor. Por isso, ele nunca vai falar mal de Roger Penske, seu antigo empregador e, na analogia acima, seu “ex”.

Mas a Penske decepcionou o brasileiro em duas oportunidades nos últimos anos.

A primeira foi em sua polêmica saída da Indy, no fim da temporada 2017.

Naquele ano, a Penske tinha acabado de fechar uma parceria com a Acura para entrar na principal divisão da Imsa, a partir de 2018, e tinha decidido diminuir de quatro para três os carros que inscrevia na Indy. O escolhido para deixar o campeonato foi Castroneves, que acabou transferido para as provas de longa duração.

De um lado, a Penske podia justificar que seria difícil tirar Josef Newgarden e Simon Pagenaud, campeão e vice daquele ano, para manter o brasileiro. Isso sem falar de Will Power, que já começava sua fase decadente, mas tinha conquistado o título da Indy três anos antes e sido o vice na temporada anterior.

Do outro, Castroneves teve em 2017 sua melhor temporada desde 2008 em termos de voltas lideradas (442) e posição média de chegada (6,2). Também foi o piloto que mais pontuou em ovais naquele ano.

O brasileiro nunca escondeu que preferia ter ficado na Indy – e seria uma ótima contratação para qualquer outra equipe do grid, visto que estava em boa fase -, mas aceitou ir com a Penske para a Imsa.

No endurance, o brasileiro ficou três temporadas. Competindo ao lado de Ricky Taylor, foram os primeiros a ganhar pela Acura e conquistaram o título de 2020 após uma sequência de quatro vitórias e um segundo lugar. O primeiro dos quatro triunfos, aliás, veio em Road America, onde o brasileiro foi o grande destaque daquela corrida com uma ultrapassagem arrojada pela liderança em cima de um Mazda, pela qual recebeu bastante elogios.

Mas a parceria entre a Acura e a Penske foi desfeita no fim de 2020, e a tradicional escuderia informou ao brasileiro que ele estava livre para buscar outro lugar para correr.

A volta por cima de Helio Castroneves na Indy

Nada é para sempre, então uma hora a história de Castroneves e a Penske iria acabar. Mas, se o piloto foi leal à escuderia em sua ida para Imsa, não recebeu o mesmo tratamento com o fim do acordo com a Acura.

Aí ele aproveitou todas as portas que abriu ao longo da carreira para garantir uma vaga na tripulação da Wayne Taylor, para as 24 Horas de Daytona, e na Meyer Shank para seu tão desejado retorno à Indy. E recompensou a ambas com importantes vitórias.

Do lado da Meyer Shank, a estratégia foi perfeita. A escuderia vinha conseguindo bons resultados nas últimas etapas da Indy com Jack Harvey, como o quarto lugar em São Petersburgo, e percebeu que Castroneves seria o piloto ideal para seu segundo carro, afinal o Brasileiro levava mais de 20 anos de experiência em ovais e na própria Indy.

E experiência – e bom equipamento – é a chave para um bom resultado em Indianápolis. Tanto que nas 500 Milhas de Indianápolis deste ano quatro dos dez primeiros (Castroneves, Tony Kanaan, Ed Carpenter e Juan Pablo Montoya) são veteranos que não disputam a temporada completa. Melhor para quem decidiu apostar neles.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da 500 Milhas de Indianápolis de 2021, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial neste fim de semana.

foto do topo: honda/divulgação

Helio Castroneves teve um bom ano pela Penske em 2017, mas acabou tirado da categoria pela equipe – foto: chevrolet/divulgação