Pela primeira vez nos últimos três anos, a semana das 500 Milhas de Indianápolis, a prova mais tradicional do calendário da Indy, começou em 2021 sem que surgisse o assunto Tríplice Coroa.

A Tríplice Coroa do automobilismo é quando um piloto ganha a Indy 500, o GP de Mônaco de F1 e as 24 Horas de Le Mans. Até hoje, apenas o britânico Graham Hill conseguiu conquistá-la, nos anos 1960. E por muitas décadas ela foi tratada como um mito, uma lenda do esporte a motor.

Voltamos a falar em Tríplice Coroa em 2017, quando Fernando Alonso, descontente com o fraco desempenho da McLaren na F1, anunciou que iria tentar obtê-la.

O espanhol já tinha vencido em Mônaco, em 2006 e 2007, e também chegado na frente em Le Mans, em 2018 e em 2019.

Mas sua passagem pela Indy não teve o mesmo sucesso. Sua única chance real de ganhar as 500 Milhas de Indianápolis foi logo na estreia, em 2017, num ano em que competiu pela Andretti e liderou 27 voltas, mas abandonou quando seu motor estourou.

Nos últimos dois anos, vieram dois vexames. O bicampeão da F1 nem sequer conseguiu se classificar para a corrida de 2019, enquanto no ano passado fechou em 21º, em um dia em que jamais foi competitivo.

Agora, em 2021, ele voltou à F1 pela Alpine e, ao menos por enquanto, desistiu da Tríplice Coroa.

Mas a própria busca pela Tríplice Coroa – e o fracasso até agora – foram consequências de escolhas feitas pelo próprio piloto.

Alonso nunca teve uma relação boa com a Honda por causa das críticas públicas que ele fazia do equipamento na época em que defendia a McLaren na F1. No GP do Japão de 2015, por exemplo, disse no rádio que seu motor tinha a potência de um de GP2 (como a F2 era chamada na época).

Essa declaração nunca caiu bem na Honda. E a relação entre ambos piorou ainda mais quando o espanhol assinou com a arquirrival Toyota para buscar a vitória em Le Mans. Como resultado, a Honda decidiu vetá-lo em suas equipes na Indy.

Alonso, assim, só poderia correr nas 500 Milhas com as escuderias com equipamento Chevrolet. E a maior parte delas costuma ocupar do meio para o fim do pelotão da categoria, como a Carlin de 2019 e a McLaren do ano passado. Por isso que as atitudes do espanhol é que prejudicaram sua busca da Tríplice Coroa.

A falta de preparação de Alonso para ganhar a Indy 500

Além disso, faltou certo respeito com a Indy. Alonso achou que poderia vencer a corrida participando só das 500 Milhas, sem competir em nenhuma outra prova como preparação.

Mas a última vez que um piloto ganhou a Indy 500 sem tomar parte de todo o campeonato foi em 2011, com o saudoso Dan Wheldon. Só que o britânico já acumulava sete temporadas completas na categoria americana, com direito a outra vitória em Indianápolis em 2005 e título no mesmo ano.

Antes dele, Helio Castroneves e Juan Pablo Montoya venceram as 500 Milhas no início dos anos 2000, mas essa era uma época em que havia duas categorias de monopostos nos EUA. A IRL, da qual Indianápolis fazia parte do calendário, e a Cart, onde corriam os sul-americanos. Então, de alguma forma, eles já tinham experiência com ovais e com o automobilismo americano.

Outro ponto é que geralmente demora para um piloto vencer as 500 Milhas de Indianápolis. Atual campeão da prova, Takuma Sato precisou de oito tentativas para triunfar pela primeira vez. Simon Pagenaud, primeiro colocado em 2019, também levou oito edições para chegar na frente, sendo que nas sete anteriores jamais havia terminado no top-5. Will Power tomou parte da tradicional prova 11 vezes antes da conquista de 2018, enquanto Tony Kanaan encerrou sua zica em Indianápolis em sua 12ª participação.

As exceções são Alexander Rossi, que ganhou na estreia em 2016, e Juan Pablo Montoya, com dois triunfos em suas três primeiras participações, embora com um intervalo de 15 anos entre suas conquistas.

Ou seja, se já era bastante complicado para Alonso ganhar as 500 Milhas de equipamento Chevrolet e sem correr na temporada completa da Indy, ficaria ainda mais difícil sem participar constantemente da prova.

Levando em conta essa falta de preparação e o rápido retorno à F1 pela Alpine, uma equipe do meio do pelotão, até dá para ficar em dúvida se a Tríplice Coroa era um objetivo real ou se serviu para minimizar sua saída da F1 após os anos ruins pela McLaren.

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Fernando Alonso voltou à F1 pela Alpine e, ao menos por enquanto, deixou a busca pela Tríplice Coroa de lado – fotos do post: alpine/divulgação