Não está fácil a temporada 2021 da F-Regional by Alpine para os pilotos sul-americanos. Após as três primeiras etapas deste ano, Gabriel Bortoleto pontuou apenas uma vez, enquanto Dudu Barrichello, em sua estreia na Europa, ainda está zerado. Mas ninguém está tendo um campeonato tão complicado quanto o argentino Franco Colapinto.

Terceiro colocado em 2020 na F-Renault Eurocup (uma das categorias que deram origem à F-Regional by Alpine), Colapinto era considerado um dos fortes candidatos ao título de 2021, ainda mais por ter renovado seu contrato com a equipe holandesa MP.

Só que até agora o melhor desempenho dele foram os dois abandonos por acidentes em Barcelona. Nas demais etapas, em Imola e em Mônaco, desistiu de participar (“withdraw”) antes mesmo de os carros irem à pista para as corridas.

Resultado: Colapinto é o último colocado entre os 34 pilotos da F-Regional by Alpine 2021.

É surreal. Não tem outra palavra para descrever como está sendo o 2021 deste promissor piloto argentino. E Colapinto está tendo um ano conturbado por motivos que nada tem a ver com seu desempenho na pista.

Em Imola, ele ficou de fora das corridas porque no mesmo fim de semana acontecia a primeira rodada da ELMS, em Barcelona, campeonato do qual ele também participa.

O argentino até tinha montado um plano ambicioso de viajar de um autódromo a outro para poder correr em ambos os torneios. Mas de última hora ele anunciou que iria focar apenas na ELMS.

Em Barcelona, veio seu “melhor” desempenho até agora. Abandonou a primeira prova ao se envolver em um acidente com Dino Beganovic, enquanto na segunda bateria ele se enroscou com Hadrien David. Em ambas, estava dentro do top-10.

Já em Mônaco o piloto voltou a protagonizar em uma situação bizarra. Depois de marcar o sétimo melhor tempo no treino que definiu o grid de largada, o argentino foi desclassificado pelos comissários porque dois espaçadores foram instalados no carro de forma invertida. Apesar de não haver ganho de performance com o erro, o competidor teve todos os seus tempos deletados e foi obrigado a largar da última colocação.

Colapinto, então, desistiu de correr no Principado, alegando que não fazia sentido arriscar se envolver em um acidente, uma vez que não teria condições de brigar por pontos, pois Mônaco pouco permite ultrapassagens.

Os problemas de Franco Colapinto em 2021

Apesar do 2021 bizarro de Colapinto até agora, o principal problema do piloto argentino é o mesmo de muitos corredores ao redor do planeta: a falta de dinheiro.

Sem recursos para poder ser dedicar de forma integral à F-Regional by Alpine, ele acabou olhando outros campeonatos. Foi assim que ele foi parar na ELMS, onde integra a tripulação da sempre favorita G-Drive, ao lado do veterano Roman Rusinov e de Nyck de Vries, destaque da Formula E.

E o choque de datas entre ELMS e F-Regional by Alpine o levou a perder as duas primeiras corridas do ano, em Imola.

Da mesma maneira, para não correr o risco de precisar pagar por um equipamento batido em Mônaco, preferiu nem largar no Principado.

De certa forma, a carreira de Colapinto até aqui lembra um pouco a de Robin Frijns, outro piloto bastante talentoso, mas que no começo da década de 2010 também não tinha os recursos financeiros suficientes para chegar à F1.

Frijns também percorreu caminhos mais alternativos (embora tenha chegado à GP2, como a F2 era chamada na época), mas só foi se firmar anos mais tarde, no fim da década, quando se tornou um dos principais nomes da Audi no DTM e também na Formula E, onde é o atual líder da categoria.

Mas fica a expectativa para ver se Colapinto precisará de menos tempo para se encontrar. Afinal, a próxima etapa da F-Renault by Alpine 2021 está marcada já para este último fim de semana de maio, em Paul Ricard.

E você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da F-Regional by Alpine em Mônaco, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: f-regional by alpine/divulgação

Franco Colapinto também corre na ELMS em 2021 – foto: elms/divulgação