Eu tenho uma relação afetiva muito grande com a F3 Inglesa. Foi esse campeonato que um dia chamou a minha atenção para as categorias de acesso da F1, e até hoje escrevo sobre eles aqui no World of Motorsport.

Não lembro exatamente quando começou a mística da F3 Inglesa para mim. Talvez tenha sido ali no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, quando um monte de brasileiros estava conquistando bons resultados no torneio, que tinha ganhado a fama de fábrica de campeões.

Não é para menos, nesse tempo Nelsinho Piquet, Antonio Pizzonia e Mario Haberfeld foram campeões por lá, enquanto Bruno Senna, Lucas di Grassi, Ricardo Maurício e Luciano Burti também conquistaram bons resultados.

E, é claro, estamos falando do campeonato que revelou Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Rubens Barrichello, Gil de Ferran e um tal de Ayrton Senna.

A F3 Inglesa de hoje não é mesma que eu acompanhei no início dos anos 2000. Aquele campeonato, organizado pela SRO, fechou as portas no fim de 2014, depois de uma longa crise provocada custos elevados, falta de pilotos interessados e concorrência com a F3 Europeia, da FIA.

A versão atual foi criada em 2016 pelo ex-piloto de F1 Jonathan Palmer (pai do Jolyon Palmer) como uma “super-F4”, voltada principalmente para pilotos britânicos, sem se preocupar de bater de frente com a FIA.

Como existem muitos campeonatos para quem está saindo da F4 (F3, F-Regional by Alpine, Euroformula Open e F3 Inglesa), o torneio de Palmer é sempre apontado como um dos principais candidatos a fechar as portas, mas a verdade é que ele tem aguentado bem. Para a primeira rodada da F3 Inglesa 2021, 19 pilotos tomaram parte das corridas, um grid bastante saudável para um torneio disputado praticamente em um único país (há uma viagem até Spa-Francorchamps, além das rodadas no Reino Unido).

E calhou que a primeira rodada da 2021, na tradicional pista de Brands Hatch, teve um quê de sua antecessora. Afinal, uma das provas foi vencida por um piloto chamado Ayrton e outra por um competidor com o sobrenome Mansell.

Ayrton Simmons e Christian Mansell não são parentes de Ayrton Senna e de Nigel Mansell. Curiosamente, eles não são nem do mesmo país que os ídolos da F1. Simmons é britânico, enquanto Senna obviamente era brasileiro, e Christian nasceu na Austrália, enquanto Nigel é do Reino Unido.

Simmons é o grande favorito ao título da F3 Inglesa 2021. Ele compete na categoria desde 2019, ano em que seu grid foi um dos mais fortes da gestão Jonathan Palmer. Naquele ano, o britânico correu contra Clement Novalak e Kaylen Frederick, que hoje estão na F3, além de outras revelações do Reino Unido e de Manuel Maldonado (primo de Pastor Maldonado) e Hampus Ericsson (irmão mais novo de Marcus Ericsson).

Os favoritos ao título da F3 Inglesa 2021

Em 2020, Simmons chegou a ensaiar uma ida para a Euroformula Open, mas ficou no campeonato continental por meia temporada. Depois retornou à F3 Inglesa, conquistando mais pódios e vitórias.

Já Mansell faz parte do grupo de australianos, inspirados em Mark Webber e Daniel Ricciardo, que está tentando construir carreira na Europa. Apesar da vitória em Brands Hatch, seus resultados até agora não são tão bons assim. Ele foi o sétimo na F4 Inglesa no ano passado, e a tendência é que ele fique na F3 ao menos mais um ano para poder lutar pelo título.

O grande adversário de Simmons na briga pelo título deve ser o também britânico Zak O’Sullivan, companheiro de equipe de Mansell na Carlin.

O’Sullivan, cujo empresário é o ex-piloto de F1 Mark Blundell, chega à F3 Inglesa depois de ser derrotado na F4 Inglesa no ano passado de uma maneira bastante curiosa. Ele ganhou a última corrida do ano, resultado que lhe daria a taça. Só que a prova foi encerrada mais cedo por causa da chuva forte, e apenas metade dos pontos foi distribuída. Dessa maneira, ele terminou o campeonato quatro pontos atrás do campeão, Luke Browning. Se os 25 pontos fossem normalmente dados ao vencedor, ele é que teria sido condecorado.

Como Browning optou por ficar na F4 em 2021, O’Sullivan não terá a chance de uma revanche na F3 Inglesa 2021.

E há ainda um brasileiro no grid deste ano: Roberto Faria, da Fortec. Faria já tinha participado de metade da temporada passada, mostrando evolução a cada etapa e conquistando um pódio. Agora a expectativa é que ele possa brigar de forma mais constante pelo top-3.

O brasileiro é conhecido por ser muito rápido nas tomadas de tempo, conseguindo ótimas posições de largada, mas também por se envolver em diversos problemas. O abandono na primeira bateria de Brands Hatch foi a sétima vez só neste ano que ele teve seu resultado comprometido por toques, acidentes e/ou problemas mecânicos (lembrando que antes da F3 Inglesa o brasileiro correu na F3 Asiática). Por esse motivo, algumas vezes seu forte desempenho nas classificações não se transforma num bom resultado na corrida.

Por fim, o último piloto para ficarmos de olho em 2021 é Oliver Bearman, anunciado de última hora como companheiro de Faria na Fortec. O britânico também está escalado para correr na F4 Italiana (onde já conquistou uma pole e dois pódios neste ano) e na F4 Alemã, então resta ver qual campeonato ele vai priorizar quando houver choques de data.

Você pode clicar aqui para conferir todos os pilotos confirmados para a temporada 2021 da F3 Inglesa, lembrando que a próxima etapa acontece nos dias 26 e 27 de junho em Silverstone.

E pode clicar aqui para ver os resultados completos da F3 Inglesa 2021 em Brands Hatch, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

foto do topo: jakob ebrey/daniellecomunicacao/divulgação

foto do carro de F3 de Ayrton Senna
O dono desse antigo carro de F3 também foi um piloto chamado Ayrton… – foto: morio, own work