Felipe Drugovich fez sua melhor corrida na F2 na terceira bateria da etapa de Mônaco de 2021. E quem falou isso foi o próprio piloto brasileiro.

Não sei se eu concordo com Drugovich. No ano passado, ele teve alguns desempenhos bastante impressionantes, como a vitória na prova curta no Red Bull Ring, logo em seu primeiro fim de semana na categoria, o triunfo dominante no Bahrein e o ótimo rendimento na corrida principal em Barcelona, quando a vitória escapou por um deslize estratégico da equipe MP, para qual competia na época.

Mas, nessas etapas, o brasileiro tinha sobressaído ao conseguir economizar os pneus melhor que os adversários ou então porque já estava na frente (na Áustria) e apenas manteve a vantagem.

Em Mônaco, foi diferente. Drugovich foi obrigado a acelerar quase o tempo todo, fazer voltas em ritmo de classificação em sequência para sair da nona posição no grid de largada (em uma de suas piores classificações na F2) e terminar no pódio.

O momento decisivo aconteceu na volta 10, quando a equipe UNI-Virtuosi decidiu chamar o piloto brasileiro para o pit-stop obrigatório. Naquele momento, Drugovich, que havia largado com o pneu supermacio, estava preso atrás dos carros de Roy Nissany e Christian Lundgaard, sem conseguir avançar.

A UNI-Virtuosi percebeu que havia um buraco de mais de 20 segundos entre Marino Sato – o último a não ter parado – e Liam Lawson – o primeiro entre os que já tinham ido aos boxes. Dessa maneira, a ideia era fazer o pit-stop de Drugovich e solta-lo entre esses dois pilotos, de maneira que ele pudesse andar de cara para o vento, com pista limpa, fazendo uma sequência de voltas rápidas e conseguisse ganhar posições conforme seus adversários fossem aos boxes.

A tática deu certo. O brasileiro saiu do pit-lane mais de 10s atrás de Sato e sem ser ameaçado por Lawson. A partir daí, pôde acelerar forte, marcando a melhor volta da prova a cada passagem pela linha de chegada.

Houve ainda dois momentos-chaves para Drugovich. O primeiro foi Sato ter ido para os boxes, assim que o brasileiro começava a alcançá-lo. Dessa maneira, abriu-se mais 10s de pista livre para que o representante da UNI-Virtuosi continuasse a acelerar.

O outro foi ter ultrapassado Ralph Boschung rapidamente, após o pit-stop do suíço. Antes da parada, o piloto da Campos estava na sexta colocação e voltou à pista logo à frente do brasileiro. Mas como em Mônaco os pneus demoram para aquecer, Drugovich conseguiu deixar o adversário para trás e seguir com seu ritmo alucinante.

No fim, o brasileiro ainda conseguiu pular Juri Vips na estratégia, se aproveitou da parada lenta de Robert Shwartzman e do acidente de Dan Ticktum para terminar em terceiro.

Felipe Drugovich no campeonato da F2 2021

Tão importante quanto o pódio conquistado foi Drugovich e a Uni-Virtuosi terem feito uma prova perfeita em Mônaco, onde conseguiram transformar uma corrida complicada, partindo na nona colocação em um circuito onde é quase impossível ultrapassar, em um pódio.

Foi o segundo top-3 obtido pelo brasileiro no fim de semana. Antes, ele já tinha sido o segundo na prova disputada na sexta-feira.

Esses resultados indicam que Drugovich têm as condições de se recuperar na tabela, após a etapa do Bahrein abaixo das expectativas, e quem sabe lutar pelo título. Com os dois pódios de Mônaco, ele subiu para a sétima colocação, com 29 pontos, 23 atrás de Oscar Piastri, o vice, e 39 a menos que Guanyu Zhou, seu companheiro de equipe e líder do campeonato.

Ainda restam mais seis etapas para o fim da temporada, sendo que a próxima é em Baku, um circuito de rua, mas onde ocorrem bastante ultrapassagens – e também acidentes.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da F2 em Mônaco, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

A homenagem no capacete a Ayrton Senna deu sorte a Felipe Drugovich na F2 2021 em Mônaco – fotos do post: dutch photo agency/kgcom/divulgação