Kiko Porto, piloto pernambucano de 17 anos de idade e que compete na USF2000, se tornou o único brasileiro participando em 2021 do Road to Indy, como as categorias de acesso dos EUA são chamadas.

Nas duas primeiras datas do calendário, em Barber e em São Petersburgo, ele teve a companhia de Enzo Fittipaldi, que havia assinado com a Andretti para tomar parte da Indy Pro 2000. Mas, após etapas conturbadas e cheias de acidentes, o neto de Emerson Fittipaldi deixou o campeonato e retornou à Europa para andar na F3, pela Charouz.

Em sua quarta temporada nos EUA, Porto vem tendo um bom desempenho. Em sete corridas disputadas até agora em 2021, ele soma uma pole, uma vitória e outros dois pódios. Ocupa a segunda posição no campeonato, com 141 pontos, 13 atrás do experiente americano Yuven Sundaramoorthy, que já está em seu terceiro ano na USF2000.

Já Christian Brooks, considerado o principal favorito ao título da USF2000 em 2021, foi desclassificado de uma das baterias da etapa de Indianápolis e caiu para a terceira colocação, três pontos atrás do brasileiro.

A expectativa é que o duelo entre esses três competidores dure o ano inteiro. O único ponto de atenção é que a USF2000 já terminou de passar pelas pistas que são consideradas pontos fortes do brasileiro, como St. Petersburgo e o próprio misto de Indianápolis.

E os brasileiros na Indy 2021?

Enquanto Porto se firmou como o único brasileiro no Road to Indy em 2021, o país também segue sem representantes em todas as etapas da categoria principal.

Tony Kanaan está confirmado no carro 48 da Ganassi para as quatro corridas em ovais (já andou na rodada dupla no Texas e tomará parte das 500 Milhas de Indianápolis e da etapa de Gateway), mesmas provas onde Pietro Fittipaldi estará no equipamento 51 da Dale Coyne.

E Helio Castroneves tomará parte das 500 Milhas, assim como em Nashville, na segunda visita ao misto de Indianápolis, em Portland e em Laguna Seca, essas últimas todas na parte final da temporada.

Já os outros brasileiros que rondaram a Indy nos últimos anos, ao menos por enquanto, parecem mais distantes da categoria. Matheus Leist disputou a temporada completa em 2018 e 2019 e, no ano passado, esteve na Imsa, em algumas provas pela equipe JDC-Miller. Ele ainda não anunciou planos para este ano.

Felipe Nasr tinha um acordo com a Carlin para estar nas provas em que não houvesse choque de datas com a Imsa em 2020, mas o plano acabou cancelado por causa das inúmeras mudanças nos calendários que aconteceram em razão da paralisação mundial. Desde então, não se falou mais em sua ida para a Indy.

E Sergio Sette Câmara foi especulado na Dale Coyne e também em dividindo o carro da Carlin com Nasr, mas o brasileiro acabou assinando, primeiro, para ser reserva da Red Bull na F1 e, depois, com a Dragon Penske na Formula E. Ao menos por enquanto, uma ida para os EUA parece longe dos planos .

Isso sem falar em Dudu Barrichello, que começou a carreira nos EUA, ficou conhecido como o melhor amigo de Kiko Porto nas pistas, mas agora está nas categorias de base da Europa.

Assim, com apenas Porto entre os brasileiros fazendo carreira nos EUA, vai ficando cada vez mais distante a chance de haver uma renovação dos representantes do país por lá. E pensar que há 20 anos, dez brasileiros disputaram a Indy, com a maior parte deles com chances de vitória.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos de Kiko Porto na etapa do misto de Indianápolis da USF2000, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Kiko Porto (carro azul) e Christian Brooks (vermelho) prometem lutar pelo título da USF2000 em 2021 – fotos do post: gavin baker/rf1/divulgação