Pelo segundo ano consecutivo, a F4 Dinamarquesa é assunto no esporte a motor. O motivo? Em 2021, a categoria voltou a atrair jovens pilotos bastante badalados, como é o caso de Juju Noda, considerada um prodígio das pistas desde a pré-adolescência, e o brasileiro Emerson Fittipaldi Jr.

Mas qual é o segredo desse campeonato para desbancar F4 mais tradicionais, como a Alemã e a Italiana, na hora de assinar com esses pilotos?

O trunfo da F4 da Dinamarca é não ser uma F4 chancelada pela FIA. Por não ser da FIA, não paga pontos na superlicença, mas também pode modificar suas regras de forma que a beneficiem.

Uma das diferenças do campeonato dinamarquês é que, junto com os carros da F4, correm um equipamento chamado de “F5”, que são monopostos da antiga F-Ford modificados e que funcionam como uma divisão de acesso.

A outra alteração é que a F4 Dinamarquesa aceita pilotos a partir dos 14 anos de idade, enquanto nos campeonatos da FIA a idade mínima é de 15 anos. Essa é uma maneira de a categoria conseguir atrair jovens pilotos da Dinamarca, que estão saindo do kartismo, para primeiro correr no país antes de tentar a sorte na Europa e nos EUA.

Mas não são apenas os dinamarqueses que têm se aproveitado dessa regra. Já faz algum tempo que Emerson Fittipaldi Jr. tem participado de treinos em carros de fórmula e a chance de estrear em uma F4 aos 14 anos de idade foi o que o levou para a Dinamarca.

Além de correr na F4 Dinamarquesa, o filho de Emerson Fittipaldi tem disputado competições do kartismo internacional em 2021 conseguindo alguns bons resultados, como o nono lugar em uma das etapas do WSK Super Master Series.

Juju Noda na F4 Dinamarquesa 2021

A possibilidade de competir de F4 aos 14 anos de idade foi o que levou a prodígio Juju Noda do Japão à Dinamarca em 2020. Assim como acontece com Fittipaldi, a ideia era que ela aproveitasse esse ano extra para ganhar quilometragem e chegasse mais bem preparada aos próximos passos da carreira.

Mas o plano dela não saiu exatamente como o esperado. Para 2021, Noda tinha assinado contrato com a F4 dos Estados Unidos, mas deixou a categoria após ter disputado somente o treino livre da primeira etapa (quando foi a primeira colocada). Até hoje, não houve uma explicação oficial sobre sua saída do campeonato americano.

Como a primeira rodada do torneio dos EUA aconteceu no fim de março, estava muito tarde para que ela se mudasse para outra F4 competitiva, como a Italiana ou a Inglesa. Afinal, já teria perdido toda a pré-temporada e teria que andar por alguma equipe do meio do pelotão, uma vez que as melhores vagas já estavam ocupadas.

Nesse cenário, o melhor foi voltar à Dinamarca para um segundo ano, visto que Noda conhece as pistas, a equipe e o campeonato. Além disso, a pilota japonesa vai aproveitar 2021 para ganhar quilometragem em testes nos circuitos europeus.

A idade mínima mais baixa para competir tem sido, sim, um dos pontos fortes da F4 Dinamarquesa na hora de atrair jovens pilotos, mas o campeonato também tem tido sucesso na hora de revelar novos talentos.

Frederik Vesti correu por lá em 2017, hoje integra a academia de jovens pilotos da Mercedes e é considerado um dos favoritos ao título da F3. Christian Rasmussen também fez parte do grid de 2017, é o atual campeão da USF2000 e luta pela taça da Indy Pro 2000, nos EUA. E aquele ano também teve uma aparição de Christian Lundgaard, hoje na F2.

E os antigos rivais de Juju Noda na F4 Dinamarquesa em 2020 também estão se destacando na Europa. Conrad Laursen, que terminou o ano como o campeão, assinou com a Prema para a F4 Italiana, enquanto Sebastian Ogaard já conquistou um pódio na F4 Espanhola. Sinal que a tática de correr na Dinamarca para se preparar para voos maiores têm dado certo.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos de Juju Noda e Emerson Fittipaldi Jr. na rodada de abertura da F4 Dinamarquesa 2021, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: noda racing

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Emerson Fittipaldi Jr é um dos integrantes da Sauber Academy e corre na F4 Dinamarquesa – foto: sauber/divulgação