Com 31 carros no grid e a presença de Max Salo, filho do ex-F1 Mika Salo, a F4 Japonesa começou a temporada 2021 em Fuji.

Levando em conta que as F4 do Reino Unido, da França, da Alemanha, do México e da Argentina têm dificuldade para passar dos 15 inscritos e a da Austrália fechou as portas por falta de competidores, o campeonato do Japão tem sido considerado um case de sucesso.

Mas mais importante que ter grids lotados é conseguir revelar bons pilotos, embora isso acabe sendo uma consequência de um torneio competitivo e com muitos participantes.

E em 2021 a F4 Japonesa viu um de seus pupilos, Yuki Tsunoda, se tornar titular de uma equipe da F1. Ele foi o escolhido para correr ao lado de Pierre Gasly na AlphaTauri.

Quem já passou pela F4 Japonesa

Campeão da F4 em 2018, Tsunoda não é o único piloto com sucesso a ter saído da categoria de base de seu país. Desde que foi criada, em 2015, a F4 Japonesa já levou Tadasuke Makino à F2 e Ayumu Iwasa (atualmente no Red Bull Junior Team) à F3.

Isso sem falar de quem chegou à Super Formula, considerada o principal campeonato de monopostos do Japão. Do grid de 2021, além de Makino, vieram da F4 Japonesa nomes como Toshiki Oyu, Ukyo Sasahara, Hiroki Otsu, Kazuto Kotaka, Ritomo Miyata, Sho Tsuboi e Sena Sakaguchi.

Se olharmos para outras torneios do Japão, como o Super GT e o TCR, aí encontraremos ainda mais graduados da F4.

O bom aproveitamento da F4 do Japão em revelar pilotos mostra como e importante os países investir em categorias de base. De um lado, abre a oportunidade de surgir algum fenômeno com chances de um dia chegar à F1 (como foi o caso de Tsunoda), enquanto, do outro, cultiva novos talentos para seus campeonatos locais.

Situação bem diferente do Brasil, onde não há nenhum campeonato de âmbito nacional destinado a jovens competidores.

E nisso todo mundo sai perdendo. O país fica mais longe de ter alguém na F1 – e acaba dependendo de poucos nomes que podem fazer toda a carreira na Europa – e também começa a ficar mais complicado renovar o grid de seus torneios nacionais. É só ver que há anos os pilotos da Stock Light praticamente não conseguem subir para a Stock Car.

Daí o absurdo que era, até 2016, a extinta F3 Brasil ser organizada pela mesma empresa que comanda a Stock Car, mas recebendo pouquíssima atenção e investimento. Foi uma oportunidade desperdiçada de fazer as grandes equipes e empresas presentes na Stock abraçarem a F3, até porque o futuro delas no esporte a motor também depende de jovens pilotos serem revelados.

Alguém até pode argumentar que a F4 Japonesa é uma exceção, uma vez que a presença de montadoras como Honda e Toyota permite que mais pilotos tenham o orçamento para correr nelas, o que não acontece em outras F4 no mundo.

Mas não é só por causa do investimentos das marcas que o grid da F4 tem ultrapassado os 30 carros. No ano passado, por exemplo, a Honda tirou seu time júnior do campeonato porque preferiu focar na F4 Francesa, onde competiam Iwasa e Ren Sato. E mesmo assim a F4 do país asiático jamais teve menos que 30 participantes.

E se você quiser saber quem serão as futuras estrelas do automobilismo do Japão, é só clicar aqui para conferir como está o grid da temporada 2021 da F4 Japonesa.

foto do topo: toyota gazoo racing/divulgação

Ao chegar à F1, Yuki Tsunoda se tornou a principal revelação da F4 Japonesa – foto: red bull content pool/getty images