A Stock Car começa a temporada 2021 em Goiânia cheia de novidades. A principal é o retorno de Felipe Massa e Tony Kanaan ao automobilismo brasileiro, após terem feito carreira cheia de vitórias na F1 e na Indy, respectivamente. Outras novas são a transmissão das corridas para o mundo inteiro, feita pelo site Motorsport, e as duas baterias acontecendo em sequência, com somente uma volta de desaceleração e de reorganização do pelotão entre elas.

E qual o objetivo da categoria com essas mudanças? Aumentar sua base de fãs e seguidores, tanto no país quanto fora, neste primeiro ano longe da Globo. Não que a emissora dedicasse muito espaço à Stock na TV aberta, mas resta ver se a mudança para a Band, que exibirá a temporada completa, dará o resultado esperado.

Mas se há um aspecto que Stock Car ainda precisa melhorar é sua relação com a Stock Light.

Mais uma vez, o campeão da categoria de acesso não conseguiu subir para o campeonato principal, o que tem sido uma tendência desde a época em que era chamada de Brasileiro de Turismo.

Pietro Rimbano, campeão de 2020 e que já vinha chamando a atenção desde a época do kartismo, acertou com a Hot Car para fazer mais um ano da Light em 2021.

Na galeria dos campeões da Stock Light, esse tem sido um caminho comum.

O que aconteceu com os campeões da Stock Light?

Raphael Reis, vencedor de 2018, fez nove provas da Stock Car no ano seguinte, mas até hoje integra o grid da Light. Gabriel Robe, que levantou a taça em 2017, é outro que continua na categoria de acesso. Apontado como um dos melhores pilotos brasileiros longe do principal campeonato do país, ele disputou uma única etapa da Stock Car até agora e até já se aventurou na Copa Truck.

Márcio Campos, que já era um veterano das pistas tendo conquistado o tricampeonato do Mercedes Challenge quando chegou à Light, precisou ser campeão duas vezes, em 2015 e 2016, até receber uma chance na categoria principal. Por lá, disputou a temporada completa em 2017, mas voltou para a divisão de acesso em 2019 e 2020.

E nem mesmo Guilherme Salas teve vida fácil até chegar à principal categoria do automobilismo nacional. Ele foi o vencedor da Light em 2014 e nos quatro anos seguintes rondou a Stock Car, tendo participado de corridas em todos os campeonatos até 2018, mas feito somente uma temporada completa nesse período.

Para tentar engrenar, voltou à Stock Light em 2019, quando garantiu o bicampeonato e a promoção para a Stock Car, onde está até hoje. Enquanto buscava se firmar, sua carreira deu inúmeras voltas, e Salas passou por Endurance Brasil, Porsche Cup, GT Open, TCR Europeu, Copa Truck, GT Cup Open, Sprint Race, Metropolitano de Cascavel e Brasileiro de Marcas.

Foi só na primeira temporada da Stock Light, quando ainda era chamada de Brasileiro de Turismo, que o campeão subiu de categoria sem maiores sustos: foi Felipe Fraga, que anos mais tarde seria campeão também da Stock Car e hoje se dedica ao automobilismo internacional.

O que explica então tão poucos pilotos da Light conseguirem avançar para a Stock Car?

Um dos motivos é que, felizmente, a Stock Car é um campeonato em que há muitos patrocinadores envolvidos. E eles querem retorno pelo investimento que estão fazendo. Dessa maneira, estão dispostos a pagar para ter estrelas do automobilismo, como Kanaan, Massa, Rubens Barrichello, Nelsinho Piquet e muitos outros, em seus carros, o que complica para os pilotos da Light na hora de negociar contratos.

Por que a BR ou a Texaco iriam investir em Rimbano se Kanaan e Massa estavam disponíveis? Por mais que possa demorar para eles darem o retorno na pista, eles já se tornaram o principal assunto da Stock Car neste começo de temporada, o que dá certo retorno aos seus patrocinadores.

O outro motivo é o dinheiro. Muitos pilotos estreiam na Stock Car depois que passaram pelas categorias de base da Europa ou dos EUA. Ora, se eles puderam pagar em dólar/euro/libra para andar de monopostos fora do país, então acabam tendo o orçamento para garantir uma vaga no campeonato principal do país.

Quem começa a carreira nos campeonatos de turismo do Brasil geralmente é porque não teve recursos para ir para fora, o que acaba refletido na hora de (não) subir para a Stock Car.

Mas fica um boa notícia para quem está na Light ou pretende competir por lá nos próximos anos. Cada vez menos brasileiros estão fazendo carreira no exterior, então conforme o grid da Stock Car for se renovando a tendência é que os nomes da Light ganhem mais espaço.

De qualquer forma, até esse momento chegar, seria bastante positivo se a nova gestão da Stock Car também ficasse de olho em seu campeonato de acesso.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Stock Car e da Stock Light em Goiânia, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: vinicius eleuterio/vicar/divulgação

Guilherme Salas precisou rodar o mundo antes de conseguir se firmar na Stock Car, onde segue no grid em 2021 – foto: duda bairros/vicar/divulgação