A temporada 2021 da MotoGP começa neste fim de semana, com o GP de Portugal. Não, você não leu errado. É verdade que já tivemos duas etapas realizadas no Qatar, mas a corrida no Algarve deve marcar a volta de Marc Márquez ao grid da categoria nove meses após sua última tentativa de pilotar uma moto e 1 ano e 5 meses depois de completar sua última prova.

O espanhol hexacampeão do mundo encontrará uma MotoGP bastante diferente da que ele deixou há quase um ano.

Para começar, seu principal rival nos últimos três campeonatos, Andrea Dovizioso, não faz mais parte do grid, uma vez que ele não renovou o contrato com a Ducati.

A atual campeã é a Suzuki, que encerrou um jejum de 20 anos sem taça. E até a KTM já ganhou corrida nessa passagem da marca pela MotoGP.

Mas, se de um lado Márquez encontrará uma MotoGP bastante diferente da que deixou, qual Márquez a MotoGP receberá neste fim de semana? O hexacampeão do mundo ou um piloto ainda em recuperação das sérias lesões que o afligem desde o GP da Espanha do ano passado?

As dúvidas sobre o desempenho do piloto espanhol são em duas frentes: sua saúde após as lesões e o equipamento da Honda.

Problemas da Honda na MotoGP

Nos últimos anos, a Honda ganhou a fama de ser uma moto que somente Márquez é capaz de pilotar, tanto que os resultados dos outros pilotos da montadora estiveram bem abaixo do que se espera deles.

Dani Pedrosa foi o 11º em seu último ano na MotoGP, e Jorge Lorenzo fechou em um abismal 19º posto antes de se aposentar. Já a dupla do ano passado andou praticamente a temporada toda na parte debaixo da tabela: Álex Márquez completou 2020 em 14º, enquanto Stefan Bradl encerrou em 19º.

Mas a verdade é que nem Marc Márquez estava tão satisfeito assim com o desempenho da moto. Sua pré-temporada em 2020 tinha sido prejudicada por causa de uma cirurgia para reconstrução do ombro, realizada pouco antes dos testes. E no pequeno tempo em que esteve pilotando nos treinos antes do campeonato ele reclamou do comportamento do equipamento. Tanto que tinha decidido voltar para a moto de 2019 para avaliar as diferenças entre as duas.

No começo do campeonato do ano passado, em Jerez, Márquez parecia que tinha recuperado a boa forma dos seis títulos mundiais e estava mais satisfeito com o rendimento da Honda. Só que aí veio o acidente.

Agora, ele volta à MotoGP em um equipamento do qual não participou do desenvolvimento e que nenhum outro piloto até agora deu conta de ser competitivo. Isso sem falar na evolução da Ducati, que tem sido um foguete em retas, e da Yamaha, bastante eficiente em economizar os pneus.

Problemas físicos de Marc Márquez na MotoGP

Márquez teve uma recuperação bastante complicada da lesão que teve. Para quem não lembra, o espanhol sofreu um acidente no GP da Espanha de 2020, quando foi atingido pela própria moto, fraturando o braço direito.

Para tentar acelerar recuperação, ele foi operado e recebeu uma placa de titânio no local da fratura. Como qualquer piloto, ele tentou voltar às pistas o mais rápido possível, e já estava pilotando na semana seguinte, novamente em Jerez, mas acabou desistindo porque a dor era insuportável.

Só que esforço extra não só rompeu a placa de titânio como também quebrou ainda mais osso do braço. Curiosamente, a justificativa oficial dada pela Honda na época é que ele tinha danificado a placa ao tentar abrir uma janela na casa onde mora.

Com qualquer chance de retornar à MotoGP em 2020 tendo acabado, Márquez sossegou e preferiu focar na saúde. Mas, por causa das fraturas seguidas, a recuperação levou mais tempo que o esperado, e o piloto precisou passar por uma terceira cirurgia.

Para piorar a situação, Márquez foi diagnosticado com uma infecção no fim do ano e precisou passar mais de uma semana internado.

Depois de toda essa saga, nos últimos meses, ele já tinha voltado a testar com motos de produção da Honda e participou também de um treino com o equipamento da MotoGP nesta última semana, mas isso não quer dizer que ele esteja 100%. Tanto que ele não foi liberado para correr nas duas corridas do começo de 2021 no Qatar.

Agora resta ver ser o Marc Márquez que estará de volta à MotoGP conseguirá andar na frente mesmo com as limitações físicas e de equipamento ou se continuaremos ter um domínio de Ducati, Yamaha e Suzuki neste ano.

foto do topo: dorna sports/red bull content pool

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Marc Márquez sofreu com muita dor ao tentar voltar para a MotoGP em meados de 2020 – foto: gold & goose/red bull content pool