Quando novas equipes vão entrar na F1? Essa é uma pergunta que surge de tempos em tempos, principalmente em anos em que o mercado de pilotos é pouco agitado, e chegamos à conclusão que não há espaço suficiente para manter quem já está na F1 e ainda trazer os destaques das categorias de base.

Desde 2015, a F1 conta com dez equipes no grid. Nesse período, houve apenas uma mudança na escalação: a Manor fechou as portas no fim daquele ano, com a Haas chegando para complementar o grupo das dez escuderias em 2016.

A partir de então, vez ou outra aparecem boatos sobre novas equipes (alô, Volkswagen), mas nada saiu do papel até agora.

O que pode complicar ainda mais a expansão do grid da F1 é que, no ano passado, surgiu uma nova regra para a chegada de novas escuderias. Segundo ela, a partir de agora, um time que quiser entrar na principal categoria do automobilismo mundial precisará pagar US$ 200 milhões, em uma espécie de taxa de inscrição.

Como montar uma equipe da F1 já não é uma tarefa das mais baratas, a necessidade de fazer esse pagamento milionário praticamente inviabiliza qualquer novo projeto.

Mas por que a F1 decidiu criar essa regra?

O Pacto de Concórdia das equipes da F1

Ela surgiu com a assinatura do Pacto de Concórdia, que são os contratos comerciais entre as equipes e a Liberty, dona da F1. O Pacto foi renovado no meio do ano passado trazendo as maiores mudanças dos últimos anos. Entre as novidades estão uma distribuição mais igual do dinheiro da premiação entre as dez escuderias e um teto de gastos.

Ou seja, em resumo, o objetivo era transformar a F1 mais sustentável para as equipes. Os custos para competir vão ser (relativamente) menores com o teto de gastos, ao mesmo tempo em que as escuderias vão ganhar mais dinheiro da premiação.

O problema é que se entrar uma 11ª equipe, o dinheiro do prêmio passa a ser menor. Hoje ele é dividido entre dez times e, com uma nova esquadra, será dividido entre 11.

Por essa razão, surgiu a regra dos US$ 200 milhões. Ela determina que esse dinheiro será distribuído entre as dez escuderias atuais como uma forma de compensar a perda da premiação.

Além disso, também aumenta o valor de mercado das esquadras atuais, afinal elas passam a valer no mínimo US$ 200 milhões, e dificulta a chegada de aventureiros à F1.

O que os times atuais alegam é que, se a F1 se tornar sustentável, a novata poderá recuperar os US$ 200 milhões no futuro com o lucro que tiver.

Mas a realidade é que esse é um valor bem alto, e é muito difícil que alguma iniciativa esteja disposta a gastar tanto dinheiro. Mais fácil tentar comprar Haas, AlphaTauri ou Sauber (Alfa Romeo).

Por outro lado, a Liberty já deu a entender que pode repensar essa regra (e acabar com a taxa) caso alguma equipe promissora tente entrar na F1 nos próximos anos.

Realisticamente, com ou sem taxa de US$ 200 milhões, é difícil que a alguém tente entrar na F1 até 2024, mesmo com os boatos recentes envolvendo a Campos (antes da morte de Adrian Campos) e de uma escuderia asiática chamada Panthera.

É que em 2025 passarão a valer as novas regras para os motores, e um dos objetivos da Liberty é desenhar o regulamento dos propulsores para tentar atrair novas montadoras, com unidades de potência mais simples e mais eficientes que as atuais, além do uso de biocombustíveis ou combustíveis sintéticos.

Antes disso, só se algum bilionário resolver criar um time do zero para seu filho correr. Muito se falou da Hitech nesse sentido. A esquadra é de propriedade do pai de Nikita Mazepin, que poderia montar um time o filho. Mas por ora o russo se encontrou na Haas. E, de qualquer forma, seria mais fácil comprar a Haas em vez de gastar os US$ 200 milhões para promover a Hitech.

Assim, com US$ 200 milhões ou não, dificilmente um dia a F1 voltará aos patamares de 1990, quando 19 equipes participaram daquela temporada, e havia até pré-classificação, com alguns times sendo obrigados a voltar para casa antes mesmo do treino que define o grid de largada. E você consegue imaginar 19 times nos dias de hoje?

foto do topo: daimler/divulgação

Na F1 1990, mesmo equipes estabelecidas, como a Ligier, não tinham garantia de participar de todas as provas – foto: wileynorwichphoto/flickr/CC BY 2.0