Com a presença de Enzo Fittipaldi, a Indy Pro 2000, categoria intermediária do programa Road to Indy, terá em 2021 uma disputa particular entre os pilotos que primeiro fizeram carreira na Europa antes de migrar para os EUA e aqueles que desde o começo competiram nas pistas americanas.

O irmão mais novo de Pietro Fittipaldi é o principal exemplo dos integrantes do primeiro grupo. Nas últimas cinco temporadas, ele correu na Europa. Após início no Reino Unido, foram dois anos de F4 Italiana (com direito a título), vice na F-Regional Europeia, além de mais um ano na F3 em 2020.

Neste ano, Fittipaldi vai correr pela esquadra italiana RP, que está presente em diversos campeonatos de base, em parceria com a Andretti.

O outro piloto da RP será o britânico Enaam Ahmed, que assim como Fittipaldi integra o grupo dos “europeus”.

Ahmed tem na carreira o título do Mundial de Kart, na divisão OKJunior em 2014 (quando derrotou Mick Schumacher), e da F3 Inglesa em 2017. Mas, por uma mistura de falta de resultado e de patrocínios, ele nunca conseguiu se firmar. Em 2019, por exemplo, tentou fazer carreira no Japão. No ano passado, voltou à F3, mas participou somente de três etapas. Agora, busca uma nova chance nos EUA.

E a própria escuderia RP, onde é europeia literalmente. Por muitos anos, foi a esquadra dominante da Euroformula Open, tendo levado os brasileiros Felipe Drugovich e Victor Baptista ao título. Mas perdeu espaço quando a categoria passou a aceitar os motores fabricados por Volkswagen e por Mercedes, que eram muito mais competitivos que os Toyota usados por ela.

Em 2021, a RP volta aos EUA depois de um ano sabático. As dificuldades de viagens obrigaram o time a abrir mão da Indy Pro 2000 em 2020.

Mas antes disso ela era uma das grandes da categoria. Tanto que levou Kyle Kirkwood ao título de 2019, com direito a nove vitórias nas últimas 11 corridas.

Kirkwood, aliás, integra o segundo grupo de pilotos, daqueles que decidiram fazer carreira nos EUA desde o começo. É o mesmo caso de Aaron Telitz (campeão de 2016), Rinus VeeKay (2018) e Sting Ray Robb (2020). Já Victor Franzoni, que levantou a taça em 2017, de fato começou na Europa, mas já se dedicava ao automobilismo americano desde 2014.

Os “americanos” da Indy Pro 2000 em 2021

Sendo assim, o último “europeu” a ser campeão da Indy Pro 2000 foi Santiago Urrutia, em 2015. Naquele ano, o uruguaio tinha acabado de fazer a transição da GP3 para os EUA e conquistou a taça.

Do lado dos pilotos que fizeram carreira nos EUA, o trio da Juncos, formado pelo mexicano Manuel Sulaimán, pelo americano Reece Gold e por Kyffin Simpson, de Barbados, é sempre considerado entre os favoritos, assim como o dinamarquês Christian Rasmussen, atual campeão da USF2000.

E quem pode surpreender é a dupla da Exclusive Autosport, com Braden Eves, campeão da USF2000 em 2019 e que perdeu boa parte da temporada passada da Indy Pro 2000 após sofrer um forte acidente no misto de Indianápolis. Já o outro piloto do time é o russo Artem Petrov, que está no meio do caminho entre europeus e americanos. Ele correu de F4 e de F3 no início de carreira, mas desde 2019 se dedica ao automobilismo dos EUA.

Você pode clicar aqui para ver como foi o desempenho de Enzo Fittipaldi nos testes de pré-temporada da Indy Pro 2000 realizados no fim de semana.

Lembrando que o campeonato começa nos dias 17 e 18 de abril, em Barber.

Enaam Ahmed correu primeiro na Europa (na foto, em seus anos de F3 Euro) antes de ir para os EUA – foto: F3 Euro