A passagem de Sergio Sette Câmara pela Super Fórmula, do Japão, foi breve, mas foi marcante. Por causa de todas as restrições e fronteiras fechadas, o brasileiro tomou parte de uma única etapa em 2020, em Sugo, e surpreendeu a todos ao largar na pole-position. Na corrida, porém, abandonou em uma batida logo na saída dos boxes.

No restante de 2020, Sette Câmara preferiu focar na Formula E, onde se tornou o novo titular da Dragon, e não voltou mais à categoria nipônica. Para seu lugar, a equipe B-Max escalou o japonês Nobuharu Matsushita, que tinha acabado de sair da F2.

O começo de Matsushita no time foi bastante promissor. Ele substituiu Sette Câmara nas últimas quatro corridas de 2020, obtendo um sexto lugar, na estreia, e também um pódio. A tendência seria ele renovar contrato para 2021 e continuar brigando por bons resultados, certo?

Deveria, mas nem sempre a lógica predomina no esporte a motor. O que é a B-Max não sabia é que a chegada de Matsushita foi o pontapé inicial para uma profunda crise que a escuderia atravessa. Confira abaixo, em dez episódios, como surgiu a gravíssima crise que atingiu a escuderia japonesa.

A crise da B-Max na Super Formula em 10 episódios

1) A B-Max tinha uma parceria na área de engenharia com a escuderia alemã Motopark, que tem dominado a Euroformula Open nos últimos anos. Essa união vinha dando certo. Em 2019, o time obteve dois pódios e, na temporada passada, a pole com Sette Câmara. Mas, da mesma forma como o brasileiro tinha problemas com as fronteiras fechadas, os integrantes do time alemão também enfrentavam dificuldades para ir ao Japão. Em algumas etapas, apenas o engenheiro espanhol Pol Andreu Ferrer estava presente. Dessa forma, a parceria foi rompida no fim do ano passado.

2) Sem a Motopark, a B-Max iniciou negociações para formar o mesmo tipo de parceria com a Carlin, que compete em um monte de campeonatos, da Indy até a F2.

3) Esse acordo com a Carlin seria intermediado pela Buzz, holding japonesa de negócios que é patrocinadora de ambas as esquadras.

4) A cereja do bolo dessa parceria seria a manutenção de Matsushita como um dos titulares. Pelo bom desempenho no fim do ano passado, seria até possível dizer que o piloto japonês correria por fora na luta pelo título da Super Formula em 2021.

5) Aí que as coisas começaram a dar errado. Matsushita fechou contrato para ser piloto de fábrica da Nissan no SuperGT. Dois anos antes, ele tinha recusado uma proposta similar da Honda. Como a Honda fornece os motores para a B-Max na Super Formula, ela vetou a contratação de Matsushita como titular.

6) A Buzz ficou putaça com o veto da Honda e retirou o patrocínio da B-Max.

7) O acordo com a Carlin nem saiu do papel.

8) Sem seu principal piloto nem um patrocinador garantido, a B-Max apelou para o que qualquer equipe do esporte a motor faria nessas horas: contratou um pagante.

9) Só que o piloto pagante é o americano Yves Baltas, de 19 anos de idade, que jamais disputou uma temporada de qualquer categoria no esporte e motor. Ele largou em 22 corridas na carreira, somando F4 Inglesa, Euroformula Open e F-Renault Eurocup, e jamais terminou uma prova dentro do top-5.

10) Mas por causa das fronteiras fechadas Baltas não conseguiu viajar ao Japão, nem sequer participou da pré-temporada e não vai competir na abertura da temporada 2021 da Super Formula, neste fim de semana, em Fuji. Para falar a verdade, não tenho certeza se a ausência do novo titular da B-Max é positiva ou negativa para o time.

Agora que você viu a crise pela qual passa a equipe onde Sergio Sette Câmara correu em 2020, pode clicar aqui para conferir como o grid da Super Formula 2021 foi montado.

foto do topo: quick/divulgação

Yves Baltas na época em que corria na Euroformula Open em 2018 – foto: euroformula open/divulgação