A Mazda soltou a bomba nesta semana e anunciou que vai deixar a Imsa no fim de 2021. A montadora estava no campeonato desde 2014, quando houve a fusão entre a Grand-Am e American Le Mans Series, mas só nos últimos anos é que vinha conquistando bons resultados, como a vitória nas 12 Horas de Sebring, no fim de 2020.

A decisão da Mazda acontece em um momento complicado para os protótipos no campeonato americano. A Nissan já havia deixado a categoria há alguns anos, e agora a Mazda também está caindo fora.

Fora isso, o número de equipe inscrevendo protótipos vem caindo. Até 2020, a própria Mazda alinhava dois carros na Imsa, mas agora corre somente com um. Nesse tempo, a Penske também abandonou o campeonato, e a JDC-Miller cortou o carro que participava somente das provas de longa duração. A única boa notícia tinha sido o retorno da Ganassi, com o Cadillac de Kevin Magnussen e Renger van der Zande.

No entanto, ao contrário do que parece, a Imsa vive em 2021 um bom momento e deve continuar com um grid saudável, mesmo com outra montadora indo embora. Veja abaixo o que esperar das divisões da Imsa para os próximos anos.

As divisões da Imsa

Protótipos

A saída da Mazda não deve significar um golpe tão grande na principal divisão da Imsa. A tendência é que no ano que vem quatro ou cinco carros continuem entre os DPi: a Acura tem duas equipes oficiais (Wayne Taylor e Meyer Shank), e a Cadillac apoia tanto a Action Express, de Felipe Nasr e Pipo Derani, quanto a Ganassi. Fora a JDC-Miller, que conta com o patrocínio da Mustang Sampling.

Mas vamos dizer que haja uma hecatombe, e outra montadora também suspenda suas atividades. Nesse caso, a Imsa poderia fundir a DPi com a divisão LMP2 e equilibrar a disputa pela equalização dos carros (o Balance of Performance). Não é uma ideia absurda. Até 2018, DPi e LMP2 de fato corriam uns contra os outros na principal divisão. Só depois é que foram separados.

De qualquer forma, 2022 será um ano de transição. O foco da Imsa está em 2023, quando os carros DPi deverão ser substituídos pelos LMDh, que também serão aceitos no WEC e nas 24 Horas de Le Mans. Acura, Audi e Porsche já disseram que vão construir veículos para esse regulamento, e ao menos outras dez montadoras também estão avaliando a nova geração de protótipos.

LMP3

Uma das razões para o número inflado de participantes na Imsa em 2021 é a nova divisão LMP3. São protótipos menos potentes e mais baratos que os LMP2, que estão fazendo bastante sucesso entre os gentleman drivers.

A Imsa, aliás, tem uma categoria destinada apenas a esse tipo de equipamento: a Prototytpe Challenge, que costuma fazer a preliminar do campeonato principal ao longo do ano. Assim, se precisar de números, a organização pode incentivar que pilotos e equipes da Prototype Challenge subam para a Imsa em 2022.

Há só uma pequena polêmica sobre essa divisão. É que na Europa ela é Pro-Am. Isto é, todas as equipes precisam inscrever um gentleman driver em suas duplas. Nos EUA, essa regra caiu. As escuderias podem apontar um piloto com menos de 25 anos de idade e com pouca experiência nas provas de longa duração como amadores. Só que, na maioria dos casos, quem se enquadra nessa definição são competidores de fato profissionais.

GT

Outra categoria que vai mudar bastante para 2022 é a destinada aos carros GT. A Imsa já anunciou que 2021 é o último ano da GTLM. A partir da próxima temporada, a divisão passará a se chamar GTD Pro, terá modelos GT3 e serão permitidas duplas formadas por dois profissionais, além de investimento direto das montadoras.

Com essa mudança, a expectativa é que a BMW volte ao campeonato (neste ano a marca correrá somente nas provas de longa duração) e que a Porsche também decida retornar e apoiar em algumas equipes. Isso sem falar em marcas como Lamborghini, Audi e Mercedes, que têm equipes de fábrica na Europa, mas não nos EUA, uma vez que o regulamento impedia.

Já a divisão que hoje é a GTD continuará igual, com a exigência de um piloto silver (amador e/ou pouco experiente) por carro.

E pode até haver uma vantagem para ela. É que as montadoras deverão levar seus investimentos para a GTD Pro, então ficará mais fácil para novos times entrarem na GTD, uma vez que precisarão colocar menos dinheiro para serem competitivos.

O único ponto de interrogação é o que diz respeito à Corvette. A marca atualmente inscreve dois carros na GTLM, mas não tem um modelo GT3 em seu portfólio. Fica a dúvida se ela vai querer/conseguir construir um para o ano que vem.

foto do topo: mazda/divulgaçao

A Corvette é o grande ponto interrogação da Imsa para 2022. Será que a marca continuará no campeonato? – foto: richard prince/chevy racing/divulgação