Não foi só a participação na F3 Asiática, no começo de 2020, que garantiu a superlicença a Pietro Fittipaldi. Mas não dá para negar que esse foi o empurrãozinho que o brasileiro precisava para ter estreado na F1, nas duas últimas etapas da temporada passada, pela Haas.

Antes da F3 Asiática, Fittipaldi já tinha sido campeão da World Series, em 2017, título que lhe garantiu boa parte dos pontos e o aproximou da F1.

Foi por estar com a superlicença quase garantida que ele arrumou a vaga de piloto em desenvolvimento na escuderia americana e, com o documento em mãos, acabou promovido à reserva. O resto da história a gente conhece bem: Romain Grosejan sofreu aquele fortíssimo acidente no GP do Bahrein, e Fittipaldi foi seu substituto nas provas finais.

Mas antes de obter a superlicença, o brasileiro tinha sido bastante criticado por decidir “descer” para a F3 Asiática. Afinal, ele já tinha passagem por categorias profissionais do automobilismo mundial, como Indy, DTM e Super Formula, e estava competindo com quem havia acabado de sair da F4.

Passado um ano – e tudo o que aconteceu em 2020 -, o que se viu foi uma enxurrada de “novos Pietro Fittipaldi” na F3 Asiática.

Na temporada 2021, outros três pilotos estão fazendo caminho similar ao do brasileiro: são integrantes das academias das equipes da F1 que estão “descendo” para somar os pontos que faltam na superlicença. São eles: Guanyu Zhou (da Alpine), Jehan Daruvala (do Red Bull Junior Team) e Roy Nissany (da Williams).

E, até mesmo pela experiência já acumulada ao longo da carreira (afinal, também estão na F2), os três formaram o pódio logo na corrida de abertura da nova temporada.

Aí, a mesma crítica que foi feita a Fittipaldi cabe a eles. Será que a F3 Asiática deveria permitir que pilotos mais experientes pudessem correr por lá de olho na superlicença? Afinal, o principal objetivo de um campeonato de acesso deveria ser revelar e desenvolver novos pilotos. Não colaborar para quem já está perto se aproximar ainda mais da F1.

Em que pese os três terem poucas chances de realmente receberem uma chance na F1. A Alpine terá outros dois pilotos na F2 neste ano (Christian Lundgaard e Oscar Piastri), Juri Vips é o mais cotado a uma vaga na AlphaTauri e Nissany está longe da superlicença, mesmo se andar bem na Ásia.

Do outro da moeda, alguém pode argumentar que quem se destacar correndo contra Zhou, Daruvala e Nissany pode chamar a atenção das equipes da F1. É o caso dos franceses Pierre-Louis Chovet e Isack Hadjar, que até já subiram ao pódio nas primeiras corridas de 2021.

Cem Bolukbasi na F3 Asiática

Um dos destaques deste começo da temporada da F3 Asiática tem sido o turco Cem Bolukbasi, que marcou pontos em todas as quatro corridas realizadas até agora e tem beliscado o pódio.

Ele é mais conhecido por ser um desses pilotos que primeiro começaram no videogame antes de fazer a transição para os carros de verdade. Bolukbasi, inclusive, disputou o campeonato oficial do game da F1.

Ele já tinha feito uma participação na F-Renault Eurocup na carreira, mas sem maior destaque. E no ano passado tinha tomado parte do campeonato europeu de GT4, sendo um dos principais pilotos do grid. Ainda assim, o bom desempenho dele tem sido surpreendente até aqui.

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foto do topo: prema/divulgação

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Os pontos conseguidos na superlicença ao correr na F3 Asiática foram fundamentais para que Pietro Fittipaldi chegasse à F1 – foto: haas/rf1/divulgação