A temporada 2021 da Imsa começa neste fim de semana com a disputa das tradicionais 24 Horas de Daytona.

Se de um lado a maior parte dos pilotos brasileiros presentes tem boas chances de brigar pela vitória em suas divisões, de outro o número de representantes do país tem diminuído por lá ano após ano.

Dessa vez, serão seis os brasileiros em Daytona, número inferior aos sete que estiveram nas 24 Horas de 2020. Para falar a verdade, quase houve um empate. É que Felipe Fraga estava escalado para correr na divisão LMP3, mas teve problemas com o visto para entrar nos EUA e precisou ser substituído em cima da hora. A expectativa é que ele volte já para a próxima etapa da Imsa.

Confira abaixo quem são os seis brasileiros nas 24 Horas de Daytona de 2021:

Os brasileiros nas 24 Horas de Daytona

Felipe Nasr (Action Express Cadillac nº 31): o ex-F1 começa sua quarta temporada na Imsa, sendo a terceira com Pipo Derani como companheiro no protótipo número 31 da equipe Action Express. Continuidade será o ponto forte da dupla neste ano, uma vez que praticamente todas as outras equipes da divisão DPi passaram por mudanças significativas.

Por enquanto, tem dado certo. Nasr e Derani venceram a corrida de classificação e garantiram a pole-position para as 24 Horas de Daytona.

Nasr ainda busca sua primeira vitória nas 24 Horas, depois de o triunfo ter escapado em 2019. Naquele ano, o brasileiro terminou com a segunda colocação, após ter liderado boa parte das horas finais, mas sido ultrapassado por Fernando Alonso pouco antes de a corrida ser encerrada mais cedo por causa do mau tempo.

Agora, além de Derani, ele terá a companhia de Mike Conway, piloto de fábrica da Toyota do WEC, e de Chase Elliott, atual campeão da Nascar, na briga pelo primeiro lugar.

Além do segundo posto em Daytona, Nasr, em sua carreira, já ganhou as 12 Horas de Sebring e a Petit Le Mans em 2019. E, em 2018, foi campeão da Imsa.


Pipo Derani (Action Express Cadillac nº 31): se Nasr ainda busca seu primeiro triunfo nas 24 Horas de Daytona, Derani já subiu ao degrau mais alto do pódio. Foi em 2016, quando corria por uma equipe chamada ESM, que já fechou as portas.

No ano passado, o brasileiro chegou perto de ficar com o título da Imsa, mas uma série de toques nas corridas finais, na Petit Le Mans e nas 12 Horas de Sebring, fez com que a taça escapasse. Dessa vez, a continuidade do carro número 31 da Action Express é o principal ponto forte para que a taça venha.

Além da Imsa, Derani vai correr no WEC em 2021 pela Scuderia Glickenhaus, equipe americana que estreia no campeonato na divisão dos hipercarros. A esquadra, porém, ainda não anunciou em quais etapas o brasileiro estará presente.

Nas provas de longa duração, Derani acumula três triunfos nas 12 Horas de Sebring (onde está na metade do caminho para se tornar o recordista), além de um primeiro lugar na Petit Le Mans.


Helio Castroneves (Wayne Taylor Acura nº 10)campeão. É assim que Helio Castroneves começa a temporada 2021. No ano passado, em uma decisão tensa da Imsa nas 12 Horas de Sebring, ele conquistou seu primeiro título da carreira desde a época do Brasileiro de Kart.

A vida do brasileiro foi cheia de mudanças desde então. Em primeiro lugar, ele deixou a equipe Penske, para a qual correu por mais de 20 anos.

Nesses novos tempos, ele assinou com a Wayne Taylor para substituir Kamui Kobayashi nas 24 Horas de Daytona deste ano. Como a Wayne Taylor trocou a Cadillac pela Acura (marca do grupo Honda), Kobayashi, que tem contrato com a Toyota no Japão, acabou sobrando.

A nova equipe de Castroneves é a atual bicampeã das 24h de Daytona, então em tese é considerada uma das favoritas. O problema é que ainda está se adaptando ao equipamento da Acura, já que a temporada passada terminou em meados de novembro, e houve pouco tempo para testar o novo carro.

Ao menos por enquanto, essa é a única participação confirmada do brasileiro na Imsa em 2021. No resto da temporada, ele vai voltar à Indy e defender a equipe Meyer Shank em seis corridas, incluindo as 500 Milhas de Indianápolis.


Augusto Farfus (RLL BMW nº 24): os vencedores das 24 Horas de Daytona costumam ganhar de presente um relógio de pulso da Rolex, marca que é patrocinadora da prova. Bom, se for o primeiro colocado neste ano, Farfus não tem nem mais onde colocar o relógio. É que ele é o atual bicampeão da corrida na divisão GTLM, ou seja, já há um Rolex em cada pulso dele.

Falando sério, as chances de o brasileiro atingir o tricampeonato são grandes, uma vez que a divisão GTLM está esvaziada após a saída da Porsche. São seis carros em Daytona: dois da BMW, dois da Corvette, uma Ferrari e um Porsche, sendo esses dois últimos de equipes privadas. Ou seja, a concorrência é menor pelo primeiro lugar.

Do ponto negativo, está a falta de interesse da BMW. Neste ano, a marca vai correr somente as provas de longa duração da Imsa (Daytona, 12 Horas de Sebring, 6 Horas de Watkins Glen e Petit Le Mans), com um equipamento que há alguns anos não recebe atualização.

Mas Farfus é um dos pilotos mais experientes do mundo no endurance, e seu conhecimento pode ser fundamental na corrida. Ele é o atual campeão do IGTC e já venceu as 24 Horas de Nurburgring, em 2010, e a Copa do Mundo de carros GT, em Macau, há três anos. Fora, é claro, seus triunfos em Daytona. Na prova deste ano, ele divide a BMW com o americano John Edwards, o finlandês Jesse Krohn e o alemão Marco Wittmann.


Daniel Serra (AF Corse Ferrari nº 21): Serra, sem dúvida nenhuma, é um dos pilotos de GT mais rápidos da atualidade. Só que ele terá uma tarefa dificílima na divisão GTD nas 24 Horas de Daytona.

É que ele defende uma equipe cliente da Ferrari que conta com pilotos amadores de verdade: os italianos Simon Mann e Matteo Cressoni. E a divisão GTD, nos últimos anos, tem sido marcada pela chegada em peso de montadoras e de pilotos profissionais. Fora que em corridas de 24 horas de duração, velocidade nem sempre é o mais importante.

Pelo menos o brasileiro já está confirmado na equipe de fábrica da Ferrari para a temporada completa do WEC em 2021.

Além do tri da Stock Car, Serra tem no currículo duas vitórias em Le Mans (ambas na divisão GTE-Pro), além de já ter chegado na frente na Petit Le Mans, nos EUA, e ter poles em Daytona, Sebring e na própria Petit Le Mans.


Marcos Gomes (Scuderia Corsa Ferrari nº 63): Gomes tem feito uma carreira internacional de bastante sucesso com direito a pole nas 24 Horas de Daytona, na divisão GTD, em 2019, e título da Asian Le Mans Series no ano passado, sempre pilotando pela Ferrari.

Mas, assim como Serra, ele terá dificuldades em Daytona por andar com uma equipe cliente da marca italiana. Seus parceiros, porém, são bem experientes: Ryan Briscoe e Ed Jones, ambos com passagem pela Indy, e o americano Bret Curtis, veterano da Imsa, o que pode fazer diferença no resultado final.

Agora que você conhece quem são os pilotos brasileiros nas 24 Horas de Daytona de 2021 pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

E abaixo tem todos os carros que tomam parte dessa tradicional prova (clique nas imagens para ampliar, se necessário).

foto do topo: brian cleary/fgcom/divulgação

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Confira todos os carros que vão participar das 24 Horas de Daytona em 2021 – imagens do post: andy blackmore