Faltando poucas semanas para o início da pré-temporada da Indy, Marco Andretti soltou a bomba: ele não vai disputar o campeonato em 2021. Vai correr somente nas 500 Milhas de Indianápolis, a principal prova do calendário.

A decisão vem após sua pior temporada na Indy. No ano passado, o americano terminou com a 20ª colocação na tabela, sendo que somente em uma única corrida – em Iowa – fechou entre os dez primeiros.

O prejuízo, na verdade, foi ainda maior. Na Indy, há um campeonato separado para as equipes, chamado de Leaders Circle. Nessa classificação, quem marca pontos são os carros. Por exemplo, em 2021 Tony Kanaan e Jimmie Johnson vão dividir o número 48 da Ganassi. Na tabela dos pilotos, eles aparecem separados, cada um pontuando para si próprio. Já no Leaders Circle o desempenho deles será somado, uma vez que guiam o mesmo equipamento.

O Leaders Circle é importante porque os 22 primeiros colocados ganham bônus na premiação em dinheiro no fim do ano, o que pode ser fundamental para conseguir fechar o orçamento para a próxima temporada.

E, em 2020, o carro de Marco Andretti ficou em 23º. Ele terminou atrás também do 14, da Foyt, que foi dividido entre Tony Kanaan, Dalton Kellett e Sébastien Bourdais, e do 59, da Carlin, de Max Chilton e Conor Daly.

Marco Andretti e o mercado de pilotos da Indy

Como estamos quase em fevereiro, a decisão também pega a Andretti num momento em que as principais vagas para a Indy já foram preenchidas. Jovens promissores como Alex Palou, Santino Ferrucci e Rinus Veekay já decidiram onde vão correr em 2021. E Kevin Magnussen só foi para a Imsa, ao deixar a F1, porque não encontrou espaço nas equipes de ponta da Indy. Isso sem falar que Romain Grosjean tem negociado com a Dale Coyne na falta de lugar melhor.

O único ponto positivo é que, se a Andretti for escolher um substituto para Marco, terá ao menos três meses até o início da temporada. Afinal, a rodada de São Petersburgo foi adiada, e a abertura está marcada para acontecer no dia 11 de abril em Barber.

Se ainda não sabemos se haverá um substituto para Marco, ao menos já está definido que a família Andretti ficará ausente do grid da Indy pela primeira vez em 15 anos.

Para falar a verdade, quando comecei a pesquisar para fazer esse post, minha memória me traiu. Achava que a estreia de Marco Andretti tinha sido antes da aposentadoria de Michael Andretti, o pai do piloto. Fiquei com aquela cena dos dois lutando pela vitória das 500 Milhas de Indianápolis de 2006 na cabeça e achei que eles de fato tinham dividido à pista ao longo da carreira.

A história dos Andretti na Indy

Mas Michael, hoje chefe da escuderia que leva seu nome, tinha se aposentado três anos antes e só retornou em 2006 para correr contra o filho e perseguir uma inédita vitória na Indy 500. Ou seja, de meados de 2003 até o começo de 2006, não houve nenhum representante da família Andretti nas pistas da Indy.

Antes disso, a última ausência de um piloto da família Andretti em uma corrida da categoria tinha sido na etapa do México de 1981.

Para se ter ideia, nesse tempo a escuderia Newman/Haas, onde os Andretti fizeram história, ainda não havia nem sido criada, e Mario Andretti, o patriarca da família se dividia entre F1 e Indy.

Houve, ainda, uma prova em Long Beach, em 2009, que teve participação apenas das equipes vindas da ChampCar, portanto nenhum Andretti correu nela.

Mas há uma diferença entre as ausências anteriores dos Andretti e o que vai acontecer agora. É que antes, nos anos entre a aposentadoria de Michael e a estreia de Marco, havia a expectativa da chegada de um novo representante da família Andretti. Agora, não há mais. E talvez a dinastia mais famosa das categorias de fórmula dos EUA enfrentará o maior hiato das pistas de sua história.

foto do topo: zach catanzareti photo/CC BY-SA 2.0

Indy, Marco Andretti, Michael Andretti, 500 Milhas de Indianápolis
Marco e Michael Andretti: ver representantes da tradicional família nas pistas da Indy ficará cada vez mais raro – foto: carey akin/CC BY-SA 2.0