Quando a Netflix começou a filmar Drive to Survive, a série que conta o que acontece na F1 para além da briga pela vitória, sabia que um grande problema poderia surgir: que é impossível garantir que os principais personagens permaneçam na atração.

É uma situação bem diferente de Hollywood e dos grandes estúdios. Nesses lugares, os protagonistas são amarrados com contratos milionários para impedir que eles saiam antes do término dos episódios. Já Drive to Survive não tem o mesmo luxo. Afinal, são as equipes da F1 é que escolhem quem vai correr em seus carros, o que acaba afetando, consequentemente, que vai aparecer na tela do streaming.

E agora, em meio ao mercado de pilotos para a temporada 2021 da F1, alguns dos principais personagens das duas primeiras temporadas de Drive to Survive já sabem quem não vão voltar ao grid – nem à série.

A mais nova baixa de Drive to Survive foi Cyril Abiteboul, que anunciou neste segunda-feira, dia 11, sua saída da Renault. Ele era considerado o funcionário-símbolo, porque tinha entrado para a escuderia assim que se formou na universidade e foi sendo promovido até alcançar o posto de chefe de equipe, que ocupava desde 2014.

Nesse período, ele também se tornou uma das figuras mais marcantes da série da Netflix. Era aquele chefe de equipe carrancudo cujo humor surgia justamente de não saber rir de si próprio, o que muitas vezes o metia em conflitos.

Uma dessas brigas foi com Christian Horner, que detém a mesma função na Red Bull. Na primeira temporada da série, a fabricante de energéticos estudava rescindir o contrato com a montadora francesa para o fornecimento de motores, causando rusgas e provocações entre os dois. Também houve os momentos em que Abiteboul pressionava Nico Hulkenberg e Daniel Ricciardo, dois queridinhos do público, por a Renault não ter dado o salto de competitividade que era esperado.

Assim, caso Drive to Survive seja renovada para uma quarta temporada, ao que tudo indica, Abiteboul será mais um longe das telas. Outro que não deverá mais aparecer é seu compatriota Romain Grosjean, que deixou a Haas após o gravíssimo acidente que sofreu no GP do Bahrein.

Outras saídas em Drive to Survive

Grosjean, talvez involuntariamente, era o alívio cômico do programa. Era ele quem sofria com as piadas questionáveis de Gunther Steiner, o chefão da Haas, principalmente após seus acidentes frequentes e a queda de rendimento da escuderia.

Companheiro de Grosjean na Haas desde o início de Drive to Survive, Kevin Magnussen também saiu da escuderia americana e, portanto, do programa. Agora, resta ver, agora, se Steiner conseguirá manter o mesmo humor e suas grosserias – que o tornaram famoso – com a nova dupla da esquadra, formada por Mick Schumacher e Nikita Mazepin.

Por fim, o arco de Alex Albon e Pierre Gasly também deve ter chega ao fim. Na segunda temporada, o tailandês foi retratado como um nêmesis de Gasly na Red Bull, uma vez que os momentos de altos e baixos deles se alternavam. Assim, ao menos por enquanto, a história deles na série – e na F1 – acaba com o francês dando a volta por cima e vencendo o GP da Itália pela AlphaTauri, enquanto Albon perdeu a vaga de titular para Sergio Pérez.

Sem Abiteboul, Albon, Grosjean e Magnussen, além de dúvidas de como será o comportamento de Steiner com seus novos contratados, o que será de Drive to Survive? Será que a série conseguirá permanecer em alta apostando no carisma de Daniel Ricciardo, na obstinação de Carlos Sainz, na torcida do primo de Carlos Sainz e no retorno de Fernando Alonso? Ou será que as ausências serão sentidas?

Lembrando que essas mudanças só vão acontecer no “casting” de uma eventual quarta temporada. A terceira, filmada durante 2020, ainda não tem data de estreia confirmada, mas deverá ser lançada quando o início do campeonato estiver se aproximando.

foto do topo: renault/divulgação

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Sem Grosjean e Magnussen, Gunther Steiner precisará se esforçar para ser visto como um rockstar da série da Netflix – foto: steve from austin/CC BY-SA 2.0