Durante muitos anos, apontei o Red Bull Junior Team como o melhor programa de jovens pilotos das equipes da F1. Afinal, apesar dos problemas recentes para montar a dupla da Toro Rosso (e depois da AlphaTauri), era o único que conseguia levar com frequência seus pupilos ao grid da principal categoria do automobilismo mundial.

Por suas mãos, nos últimos anos, chegaram nomes como Pierre Gasly, Alex Albon, Yuki Tsunoda e Carlos Sainz. Isso sem falar em Sebastian Vettel, tetracampeão do mundo, Max Verstappen e Daniel Ricciardo.

Mas será que agora o Red Bull Junior Team ficou para trás e a Academia da Ferrari se tornou o principal programa para jovens pilotos?

Se o ponto forte dos rubro-taurinos era constantemente promover seus integrantes à F1, a iniciativa de Maranello tem feito o mesmo. Primeiro foi com Charles Leclerc. Depois, com Antonio Giovinazzi. Já em 2021 será a vez de Mick Schumacher fazer sua estreia na categoria principal. E tudo isso sem contar com uma esquadra satélite oficial, da mesma forma como a AlphaTauri está para a Red Bull.

A Ferrari também apresentou soluções para as duas principais críticas feitas à concorrente.

As vantagens da Academia da Ferrari

A primeira é que ela tem mais paciência com seus pilotos. Nada de contratar para demitir (hire and fire, na expressão em inglês). Giovinazzi, por exemplo, vai para sua terceira temporada completa na F1 e até agora só pontuou em sete dos 40 GPs de que participou e em apenas um único deles terminou entre os oito primeiros colocados (no GP do Brasil de 2019).

E o que falar da paciência com Giuliano Alesi, que só marcou pontos em duas das 24 corridas da F2 no ano passado e constantemente está entre os últimos do grid?

A segunda vantagem da Academia da Ferrari é que seus pupilos costumam ter acesso ao melhores equipamentos do grid onde competem. A iniciativa tem uma parceria com a Prema, o time mais forte dos campeonatos de base, que costuma abrigar os pupilos de Maranello ao longo da carreira. E quem não consegue assinar com a Prema também acaba em equipes boas. É o caso de Marcus Armstrong e Callum Illott, que disputaram a temporada passada da F2 por ART e Uni-Virtuosi, respectivamente, outras escuderias fortíssimas.

Ao mesmo tempo, os nomes do Red Bull Junior Team acabam assinando com times não tão fortes (mas bastante competentes). Consequentemente, acabam tendo mais problemas na hora de lutar pelo título e sem conseguir somar os pontos necessários para que obtenham a superlicença.

Por fim, a Academia da Ferrari também arrumou uma maneira de ser abastecida todos os anos com novos pilotos. Ela fechou parcerias com programas na Austrália e na América Latina (além de um acordo com a fabricante Tony Kart, do kartismo internacional) para que os maiores destaques descobertos por eles sejam avaliados anualmente em Maranello em uma seletiva valendo uma vaga no programa.

O primeiro ganhador foi o australiano James Wharton, de 14 anos, que continuará no kartismo em 2021. Ele foi descoberto pela organização que chancela o automobilismo na própria Austrália e indicado para participar da seletiva da Academia. Ele é tão promissor que já assinou para ter Nicolas Todt (o mesmo de Charles Leclerc e Caio Collet) como empresário.

Isso sem falar na parceria com o programa Girls on Track, da FIA, que pode valer vaga na Academia para duas pilotas. Uma em 2021 e outra em 2022. A vencedora da seletiva deste ano será definida na semana que vem, e duas brasileiras, Julia Ayoub e Antonella Bassani, estão entre as quatro finalistas.

Assim, com um forte programa de scouting de talentos pelo mundo, acordo com a melhor equipe das categorias de base e vagas na F1, a Academia Ferrari vem se firmando como o principal programa de jovens pilotos do mundo.

foto do topo: prema/divulgação

Yuki Tsunoda pode fica conhecido como o último grande nome a ter surgido via Red Bull Junior Team – foto: dutch photo agency/red bull content pool