Dudu Barrichello enfim vai correr na Europa. O filho do ex-F1 Rubens Barrichello confirmou nesta terça-feira, dia 5, que vai disputar a F3 Regional Europeia, em 2021, pela escuderia italiana JD após ter competido nos EUA nas últimas três temporadas.

Em 2018, Dudu andou na F4 USA, em sua estreia nos monopostos, e nos dois últimos anos esteve na USF2000, categoria que é considerada o primeiro estágio do programa Road to Indy. Inclusive, ele lutou pelo título em 2020.

Mas o que pode gerar alguma apreensão na notícia de hoje é que é raro encontrar algum piloto que tenha começado a carreira no Road to Indy e depois tenha conseguido chegar à F1.

Fazendo alguma manobra, dá para dizer que um raro exemplo é Nicholas Latifi. O atual titular da Williams participou, em 2015, de um campeonato de inverno na categoria que hoje é a Indy Pro 2000.

Por coincidência o campeão desse torneio tinha sido Jack Aitken, justamente o companheiro de equipe de Latifi no GP de Sakhir, do ano passado, quando George Russell fora chamado pela Mercedes para substituir Lewis Hamilton.

Só que tanto Latifi quanto Aitken tinham começado a carreira na Europa. A participação no campeonato de inverno da Pro Mazda tinha sido uma forma de eles ganharem quilometragem nos primeiros meses daquele ano, ao mesmo tempo em que ainda tentavam fazer a carreira se firmar. Depois disso, seguiram na Europa normalmente até chegar à F1.

Quem de fato iniciou a carreira nos EUA foi Conor Daly, que hoje está na Indy. Ele foi campeão da mesma Pro Mazda, em 2010, mas nos quatro anos seguintes passou por GP3 e GP2. Com algum exagero, dá até para dizer que chegou à F1, mas foi como piloto de testes da Force India.

Há, ainda, o exemplo de Alexander Rossi, que de fato correu na F1 pela Manor. Antes de se destacar na Europa, o americano foi campeão, em 2009, de um certame chamado F-BMW Americas. A categoria equivale ao que hoje é a F4 e era organizada pela montadora alemã, mas não fazia parte do Road to Indy.

Antes dele, talvez o melhor exemplo de piloto que tenha feito carreira na América do Norte antes de se destacar na F1 tenha sido Jacques Villeneuve, há mais mais de 20 anos.

Os trunfos de Dudu Barrichello na F3 Regional Europeia

Só que há uma peculiaridade no caso de Dudu Barrichello. É que ele mora nos EUA. Então começar a carreira em categorias como a F4 USA e a USF2000 foi uma forma de ele ganhar experiência no país em que vive antes de tentar voos mais altos.

Seria o mesmo de algum outro brasileiro competir no Brasil antes de se mudar na Europa. E exemplos não faltam de quem tenha feito esse percurso: Felipe Massa (o último representante do país na F1 antes de Pietro Fittipaldi), Sergio Sette Câmara (que foi reserva de McLaren e Red Bull) ou até Matheus Leist, que recentemente teve uma passagem pela Indy, são alguns deles.

Agora, quem teve uma carreira parecida com a de Dudu foi Igor Fraga. Ambos disputaram campeonatos como a F4 Mexicana e a USF2000 antes de se mudarem para a Europa. Por lá, os dois desembarcaram na F3 Regional. E, de maneiras distintas, os dois brasileiros tiveram um empurrão da Toyota em suas carreiras.

Como Fraga hoje defende o Red Bull Junior Team e é considerado um dos nomes que correm por fora pelo título da F3, dá para esperar uma evolução parecida para Barrichello nos próximos anos.

Ou então o filho de Rubens Barrichello pode se espelhar em Pietro Fittipaldi, que mostrou se possível chegar à F1 mesmo tendo passado por categorias menos convencionais.

E uma das vantagens de Dudu é que ele parece ser bem assessorado. Tanto que escolheu a equipe italiana JD para começar sua trajetória na Europa. Apesar de essa escuderia não estar entre as grandes da F-Regional, ela viu seus pilotos vencerem corridas e/ou largaram na pole nas últimas três temporadas. Sinal que é competente o suficiente para lutar por bons resultados – principalmente nas provas que são realizadas na própria Itália.

Além disso, ele vai treinar no simulador da Trident para se adaptar às pistas europeias e chegar melhor preparado à abertura do campeonato, marcada para os dias 24 e 25 de abril, em Spa-Francorchamps. Lembrando que a Trident é um dos times mais fortes da F3, o que pode facilitar na hora que o brasileiro for dar o próximo passo da carreira.

Com Dudu Barrichello confirmado, você pode clicar aqui para ver como o grid da F3 Regional Europeia by Alpine está sendo formado.

foto do topo: road to indy/ferraripromo/divulgação

David Vidales, Caio Collet, Formula Renault Eurocup 2020, vitória, Imola, JD
A JD levou o fenômeno David Vidales à sua vitória na estreia nos monopostos na F-Renault Eurocup em 2020 – foto: françois flamand/dppi/renault sport/divulgação