O último dia do ano é um momento de reflexão. E quem conhece o World of Motosport sabe que a reflexão que faço nessas horas é premiar quem foram os pilotos que mais se destacaram no automobilismo mundial nos últimos 12 cinco meses.

Nem preciso dizer que 2020 foi um ano louco, com um calendário atípico e com as categorias precisando improvisar para conseguir completar suas temporadas. Ainda assim – ou talvez graças a isso – tivemos desempenhos inesquecíveis, de pilotos que vão entrar para a história do esporte a motor mundial.

E abaixo você pode conferir quem eu considerei os melhores em seis categorias: revelação/surpresa do ano, melhor piloto de categorias de turismo, kartista, de GT, protótipos e endurance, das categorias de acesso e de monopostos.

Lembrando que em cada prêmio há dois vencedores: o piloto que mais se destacou no mundo (podendo ser brasileiro ou não) e um representante do Brasil ou que correu por aqui durante o ano.

Vamos aos premiados:

Os melhores pilotos de 2020

Revelação/surpresa do ano: Pierre Gasly

A temporada 2020 da F1, pelos mais variados motivos, foi uma das mais loucas dos últimos anos. Alguns dos principais momentos foram as vitórias surpreendentes de Pierre Gasly, em Monza, e de Sergio Pérez, em Sakhir. Qualquer um dos dois poderia vencer o prêmio de Surpresa do Ano. Mas como precisa haver um desempate, o critério foi o seguinte. Se no início do ano, após a pré-temporada, alguém falasse que o mexicano ganharia uma corrida em 2020, seria algo difícil de imaginar, mas possível após o bom desempenho da Racing Point nos treinos. Agora, se dissessem que Gasly venceria uma prova, seria inacreditável. Pois bem, cerca de um ano após ser rebaixado pela Red Bull, o francês subiu no degrau mais alto do pódio em Monza. Além dos dois pilotos da F1, outras surpresas do ano foram o título de Chase Elliott, na Nascar, e o surgimento de Yuki Tsunoda, na F2.

No Brasil: Felipe Drugovich. Após uma temporada fraca na F3, onde pontuou apenas uma vez com a tradicional equipe Carlin, o brasileiro decidiu subir para a F2 ao assinar com a MP, uma escuderia que não está entre as principais do certame. Resultado: largou na primeira fila logo na estreia, obteve três vitórias, uma pole e foi considerado um dos melhores da principal categoria de acesso da F1 neste ano.

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Essa cena foi real? - foto: honda/divulgação

Melhor piloto de turismo: Scott McLaughlin

Nos últimos quatro anos, tanto o neozelandês da Penske, na Supercars, quanto René Rast, da Audi, no DTM, obtiveram três títulos e um vice. Nesse período, eles quebraram recordes e romperam o significado de impossível nas pistas. Escolher apenas um deles para ser o Melhor Piloto de Categorias de Turismo se tornou uma tarefa das mais complicadas. Alguém pode argumentar que o alemão é quem merecia, afinal o tri em 2020 veio com uma sequência de cinco vitórias nas últimas seis provas, virando o jogo contra Nico Müller. Mas é aí que McLaughlin sobressaiu. Ele teve um ano bem mais tranquilo – prova de que estava à frente dos adversários desde o começo – com 13 vitórias em 27 baterias. Aliás, quer mais uma semelhança entre eles? Ambos vão deixar suas categorias em 2021. McLaughlin vai para a Indy, enquanto Rast vai correr na Formula E.

No Brasil: Thiago Camilo. O piloto chegou ao fim do ano com chances de ser campeão tanto da Stock Car quanto da GT Sprint Race. Na primeira, a taça escapou após uma última etapa cheia de problemas mecânicos. Na outra, foi o vencedor. Menção honrosa para Ricardo Maurício, tricampeão da Stock Car após enfrentar muita desconfiança nas duas últimas temporadas.

Scott McLaughlin foi o maior nome da Supercars nos últimos quatro anos - foto: Kytabu - own work, CC BY-SA 4.0

Melhor piloto de GT, protótipos ou endurance (sportscar): Filipe Albuquerque.

Entre WEC e ELMS, Filipe Albuquerque disputou nove corridas na divisão LMP2 neste ano. Venceu seis delas, incluindo as 24 Horas de Le Mans, e largou na pole em sete oportunidades. Foi, com todos os méritos, o campeão das duas categorias. Também esteve em condições de conquistar uma terceira taça, a das provas de longa duração da Imsa, onde dividiu o carro da equipe Action Express com os brasileiros Felipe Nasr e Pipo Derani. Mas nos EUA a taça escapou depois de Derani receber um polêmico toque de Ricky Taylor na volta final da Petit Le Mans.

No Brasil: Helio Castroneves. O ano de 2020 foi histórico para Castroneves, afinal, foi o último de seus 21 anos correndo pela Penske. Alguns pilotos costumam ter um desempenho abaixo do esperado quando descobrem que não vão ter o contrato renovado pelas equipes que defendem. Mas, no caso do brasileiro, aconteceu o oposto. Com quatro vitórias, ele terminou a temporada com o título da Imsa, o primeiro de sua carreira desde que saiu do kart. Um dos momentos de destaque dele foi a ultrapassagem por fora em um Mazda, em Road America, quando brigava pela liderança. Augusto Farfus e João Paulo de Oliveira, campeões do IGTC e da divisão GT300 do Super GT, respectivamente, levam menção honrosa.

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O Acura de Helio Castroneves largou na pole nas 12 Horas de Sebring - foto: acura/divulgação

Melhor kartista: Andrea Kimi Antonelli

Principal nome do programa de jovens pilotos da Mercedes, este italiano de 14 anos de idade vinha sendo o grande destaque do ano na divisão OK, a principal do kartismo internacional. Foi campeão europeu, também ganhou o WSK Euro Series e foi o vice do WSK Super Master Series. Faltou só o Mundial. Na principal competição do ano, disputado debaixo de muita chuva, não teve o mesmo desempenho dominante que nas outras competições e, para piorar, quebrou a perna ao se envolver em um acidente. A lesão pode atrasar seus planos de transição para os monopostos.

No Brasil: Antonella Bassani e Julia Ayoub. As duas brasileiras chegaram à decisão da seletiva que pode valer uma vaga na Academia da Ferrari (a final será realizada em janeiro), eliminando a favorita Juju Noda, e mostraram que o kartismo brasileiro continua revelando competidores de alto nível. Destaque também para Rafael Câmara, que teve bons resultados em seu primeiro ano na divisão OK.

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Antonella Bassani (no carro) e Julia Ayoub (de cabelo preso) estão entre as finalistas da seletiva Girls on Track da FIA - foto: morgan mathurin/fia/divulgação

Melhor piloto das categorias de acesso: Yuki Tsunoda

Se não fosse por um problema de rádio em uma das etapas do Red Bull Ring e um erro bobo cometido na classificação no Bahrein, era capaz de o piloto nipônico ter terminado 2020 como o campeão da F2. A taça não veio, mas, com o terceiro lugar na tabela, ele garantiu os pontos da superlicença e vai correr na F1 em 2021 pela AlphaTauri. Uma trajetória impressionante para um competidor que até o fim de 2018 ainda estava correndo de F4 e jamais tinha colocado os pés em um circuito europeu.

No Brasil: Felipe Drugovich. Três vitórias na F2, tendo derrotado o companheiro de equipe, o veterano Nobuharu Matsushita, com facilidade, além de ter ficado conhecido como “o rei dos pneus” por causa de sua habilidade de poupar a borracha. Esse foi o ano de Drugovich, o principal destaque do país nas categorias de acesso. Menção honrosa para Gianluca Petecof, campeão da F-Regional “contra tudo e contra todos”, como ele mesmo definiu, e para Caio Collet e Dudu Barrichello.

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Yuki Tsunoda já aparece como o favorito para ser o novato da F1 em 2021 - foto: honda/divulgação

Melhor piloto de monopostos: Lewis Hamilton

Para começar, agora estamos falando de Sir Lewis Hamilton. O britânico da Mercedes está reescrevendo os recordes da F1, como tendo igualado os sete títulos mundiais de Michael Schumacher e tendo superado o número de vitórias conquistadas pelo alemão – já são 98 agora. Para além das marcas fantásticas, Hamilton ainda mostrou por qual razão é o maior piloto da F1 na atualidade com pilotagens inesquecíveis, como ter vencido o GP da Inglaterra com um pneu furado e ter triunfado no GP da Turquia em um momento no qual os pneus já estavam desgastados e a Mercedes em momento algum tinha sido competitiva.

No Brasil: Felipe Drugovich. O ano de 2020 foi muito ruim para os brasileiros nas principais categorias de monopostos do mundo. Não houve nenhuma vitória na F1, Indy, Formula E nem Super Formula. Nessa horas, é natural olharmos para as categorias menores e ver quem pode surgir. Foi neste contexto que Drugovich sobressaiu com três vitórias e se tornou o principal nome do país rumo à F1.

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foto do topo: daimler/divulgação

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Felipe Drugovich levantou três taças no prêmio de melhores do ano do World of Motorsport - foto: dutch photo agency/kgcom/divulgação