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As novas regras da F2 em 2021

A F2 e a F3, as duas principais categorias de acesso da F1, terão um formato diferente a partir de 2021.

Em primeiro lugar, elas não vão mais dividir os mesmo fins de semana. Enquanto a F2 vai correr no Bahrein, Mônaco, Baku, Silverstone, Monza, Sochi, Arábia Saudita e Abu Dhabi, a F3 vai andar em Barcelona, Paul Ricard, Red Bull Ring, Hungaroring, Spa-Francorchamps, Zandvoort e no Circuito das Américas.

Oficialmente, a FIA justificou essa mudança dizendo que é uma forma de cortar os custos para 2021 em decorrência da crise econômica provocada pelo contexto atual em que o mundo se encontra.

Isto é, como a maior parte das equipes da F3 também corre na F2, significa que elas não precisarão mais ter um time dedicado para cada um desses campeonatos. Os mesmos mecânicos e engenheiros poderão atuar em ambas as categorias – a grosso modo, economizando em até 50%.

Dá até para questionar esse argumento, lembrando que agora as escuderias vão ter 15 fins de semana de atividade, aumentando a necessidade de contratar mais pessoas para lidar com as demandas do calendário mais longo.

Mas na realidade a novidade no cronograma veio como uma resposta aos pedidos de mais tempo de pista para os pilotos. Em 2020, cada etapa da F2 tinha um único treino livre, de 45 minutos de duração, mais meia hora da definição do grid de largada, além de duas corridas – uma no sábado e outra no domingo.

Em comparação, em seu último ano, a antiga F3 Euro oferecia dois treinos livres de 40 minutos cada um, mais duas tomadas de tempo, além de três corridas de cerca de meia hora cada uma.

Assim, separar F2 e F3 em 2021 permitiu crescer o tempo de pista para esses certames. No ano que vem, elas terão rodadas triplas, aumentando o número total de sessões ao longo de toda a temporada.

Mas aí chegamos ao outro problema: o formato de fim de semana é um pouco esquisito e pode até mesmo prejudicar os pilotos mais rápidos.

Até 2020, uma etapa da F2 funcionava da seguinte maneira: a classificação realizada na sexta-feira definia o grid de largada do sábado, da corrida longa, que distribuía 25 pontos para o ganhador. No domingo, na prova curta, os oito primeiros colocados da primeira bateria tinham suas posições invertidas para a largada. Por se tratar de uma disputa com menos voltas, o vencedor levava apenas 15 pontos.

Agora, pelas novas regras, a tomada de tempo continua definindo o grid de largada da prova longa, mas ela vai acontecer no domingo, poucas horas antes da corrida da F1, e continuará valendo 25 pontos.

Já no sábado serão duas baterias curtas, cada uma valendo 15 pontos para quem chegar em primeiro. O grid para a primeira delas será formado pelo resultado da tomada de tempo realizada no dia anterior, mas com os dez primeiros largando de forma invertida. Ou seja, o pole partirá em décimo, o segundo sairá em nono e assim por diante. Na segunda bateria, os dez primeiros colocados da corrida 1 largam de forma invertida.

Problemas com as novas regras da F2 2021

Na teoria, a ideia é que na primeira prova do sábado, os pilotos que estão na parte intermediária do grid consigam se destacar, enquanto, na segunda, a ordem volte mais ou menos o normal invertendo novamente o top-10.

Mas imagine a seguinte cena. Um piloto domina o treino livre e sobra na classificação, garantindo a pole-position. Mas, de “prêmio”, é obrigado a largar em décimo na primeira bateria. Nessa corrida, ele comete um pequeno erro, perde uma posição e recebe a bandeirada em 11º. Portanto, não será beneficiado quando os dez primeiros forem invertidos para a segunda bateria.

No fim, por ter perdido uma única posição, ele acaba “punido” duas vezes pelo regulamento.

Já o competidor que marcou apenas o décimo tempo na classificação terá duas chances de conquistar um bom resultado no fim de semana: largando na pole na primeira corrida e, desde que não saia do top-10 nessa prova, se beneficiando novamente do grid invertido na segunda bateria.

Para que esses pequenos detalhes nas regras não comprometam o campeonato, o ideal seria que houvesse duas tomadas de tempo: uma para a primeira prova do sábado e a outra para a do domingo. Já a segunda bateria do sábado continuaria tendo o grid invertido da primeira como regra.

Outra opção seria o grid do sábado ser formado a partir da segunda volta mais rápida de cada piloto na tomada de tempo, regra que é usada por outros campeonatos ao redor do mundo.

Fica, assim, a expectativa de ver o regulamento ser revisto nos próximos meses, antes do início do campeoanto.

Robert Shwartzman começa a F2 2021 como um dos favoritos, mas é bom ele ficar de olho nas novas regras – foto: prema/divulgação

2 comentários sobre “As novas regras da F2 em 2021

  1. Duas classificação, sendo uma de volta única 😍 Grid invertido entre os 6 primeiros para garantir que piloto fraco não se beneficie. O ruim desse formato que escolheram são as pistas onde vão correr, Monaco e Baku vão ser uma tortura para os pilotos. Desde que acompanho a F2, sempre em algum momento a corrida de domingo é prejudicada para não atrapalhar a F1, o pole sairia perdendo em triplo.

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  2. Regulamento fedorento, com regras absurdas. Inventam demais, aonde deveria ser comum a normalidade. Duas classificações, é difícil de se fazer? Nem um pouco

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