Felipe Drugovich não perdeu tempo e mostrou que é rápido também na hora de anunciar seu futuro. Um dia após a última etapa da temporada 2020, ele revelou que vai correr pela equipe UNI-Virtuosi na F2 em 2021.

Dá para dizer que eles formam o “match” perfeito. Os pontos fortes do brasileiro são os mesmos da escuderia britânica.

Mas antes vale um parêntese: quando a ida de Drugovich para a UNI-Virtuosi foi divulgada, muito se falou sobre a equipe ter terminado pelo segundo ano consecutivo com o vice da F2. É verdade, esse time tem conseguido um bom desempenho, mas na ordem de forças Prema e ART ainda estão na frente.

Esses dois times sofreram com pilotos menos experientes nos últimos anos. Foi assim com a Prema de Mick Schumacher, em 2019, e a ART de Christian Lundgaard e Marcus Armstrong, neste ano. Mas da mesma forma que o alemão se recuperou em sua temporada seguinte, o mesmo deve acontecer com a escuderia francesa em 2021.

Assim, mais importante que o resultado na tabela de pontos é o que a UNI-Virtuosi tem a oferecer a Drugovich.

Um dos pontos fortes do time é ser um “leão de treino”. Das 24 pole-positions disputadas na F2 desde o começo de 2019, em nove oportunidades (um pouco menos da metade) a primeira colocação ficou com um piloto da UNI-Virtuosi. Nenhuma outra escuderia teve um desempenho tão bom nas tomadas de tempo.

Isso é perfeito para Felipe Drugovich, uma vez que uma das maiores qualidades no brasileiro em 2020 foi a classificação. Em sete das 12 etapas disputadas, ele partiu de dentro do top-5, incluindo uma pole obtida em Silverstone. A tendência é que o desempenho possa melhorar ainda mais em 2021, em uma equipe especializada em uma única volta rápida.

Neste ano, a UNI-Virtuosi já contava com um piloto conhecido por ser “leão de treino”: Callum Ilott, que terminou com o vice da F2 e largou na pole em cinco das 12 etapas realizadas. Só que o britânico também é famoso por perder o ritmo durante uma corrida, tanto que ele só converteu uma dessas primeiras colocações no grid em vitória.

Drugovich, nesse sentido, chega como alguém capaz de fazer o sentido oposto. Em três das últimas quatro etapas da temporada 2020 o brasileiro ganhou posições em relação ao seu lugar de largada nas provas do sábado.

Muito do segredo do brasileiro para esse avanço foi se tornar um piloto capaz de cuidar dos pneus melhor que os adversários, retardar o momento de fazer o pit-stop e não sofrer tanto com a degradação da borracha nem com a consequente perda de ritmo.

E essa é outra sinergia com a UNI-Virtuosi. Ilott também era conhecido por ser um dos pilotos que mais conseguem economizar a borracha, enquanto Guanyu Zhou, no outro carro da esquadra, constantemente avançava posições nas provas com base na estratégia nos pit-stops.

O que preocupa Felipe Drugovich na F2 2021

Mas também há pontos negativos no acerto entre Drugovich e sua nova esquadra.

Um deles é que a equipe, na verdade, se chama Guanyu Zhou. Quer dizer, é quase isso. “Zhou”, em chinês, pode ser traduzido como “universo”. E UNI, no nome da esquadra, é uma abreviação de “universo”.

Não se trata de nenhuma coincidência. A família do piloto chinês é realmente dona da escuderia, então pode-se imaginar que ele realmente vá ter alguma prioridade em 2021.

Ainda assim, Drugovich pode, sim, ser considerado um dos favoritos ao título da F2 em 2021, apesar de o grid do ano que vem ser bastante concorrido. Entre seus principais adversários estarão Robert Shwartzman, que retornará à Prema por mais um ano, e Lundgaard, que deve renovar contrato com a ART. Isso sem falar em Juri Vips, principal nome do Red Bull Junior Team, que deverá correr pela Hitech.

E nesta semana a F2 realiza os primeiros treinos de pós-temporada, com Drugovich fazendo sua estreia na UNI-Virtuosi. Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos das atividades, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Robert Shwartzman deverá ser um dos grandes adversários de Felipe Drugovich na F2 em 2021 – foto: prema/divulgação