O mistério acabou. Sergio Sette Câmara assinou com a equipe Dragon/Penske e vai disputar a temporada 2021 da Formula E, fazendo assim sua estreia para valer no automobilismo profissional.

Seu acordo com a Dragon vem depois de ele ter participado das últimas seis corridas da temporada passada, naquela semana louca em Berlim, pela escuderia e impressionado ao conquistar o melhor resultado do time em uma classificação, apesar de não ter pontuado.

Ele também foi escalado para tomar parte dos treinos privados, na última semana, que o tiraram da etapa de Autopolis, da Super Formula. Aliás, o brasileiro era um dos principais destaques antes da corrida da categoria japonesa, uma vez que todo mundo estava na expectativa de se ele iria conseguir repetir sua pole-position da estreia no campeonato.

Mas agora a tendência é que Sette Câmara não volte mais ao Japão, uma vez que os treinos coletivos da Formula E acontecem em datas próximas às da etapas da Super Formula, inviabilizando qualquer tipo de quarentena obrigatória.

O acerto de Sette Câmara com a Dragon também é importante por outro motivo: deve ser o início de uma série de acordos envolvendo a ida de pilotos brasileiros para as maiores categorias do automobilismo mundial.

Sergio Sette Câmara puxa a fila de brasileiros

Afinal, ele faz parte de uma geração de competidores formada por Felipe Drugovich, Pedro Piquet, Igor Fraga, Caio Collet, Enzo Fittipaldi, Gianluca Petecof, entre outros, que integram programas de jovens pilotos das escuderias da F1 e/ou têm conseguido se destacar na Europa.

A tendência é que, mesmo se não alcançarem a F1, eles arrumem boas vagas na hora que forem se profissionalizar.

Situação um pouco diferente da que a gente viu nos últimos anos. Após a geração de Felipe Nasr chegar às categorias profissionais, em meados da última década, somente dois brasileiros até agora deram o salto para um campeonato considerado top: Matheus Leist, que foi para a Indy e neste ano correu na Imsa, e Pietro Fittipaldi, que esteve no DTM no ano passado. Mas, nem Leist, nem Pietro se firmaram por onde passaram.

Quanto a Sette Câmara, ele deve ter um ano bastante complicado em 2021. A Dragon foi a penúltima colocada na última temporada da Formula E, tendo marcado somente dois pontos – graças ao nono lugar de Brendon Hartley em Ad Diriyah.

Além disso, a escuderia americana deve disputar as quatro primeiras corridas da temporada 2021 com o mesmo equipamento que o deste ano, antes de trazer as atualizações, o que pode prejudicar o desempenho do brasileiro.

Mas é justamente nas adversidades que os bons pilotos aparecem. Sette Câmara pode ser inspirar em Maximilian Gunther, que estreou na Formula E, em 2018, pela mesma Dragon, impressionou ao obter dois quintos lugares em dez corridas de que tomou parte e acabou contratado pela BMW, onde se tornou o principal nome da montadora no certame.

Ou seja, apesar de correr pela Dragon não ser a situação ideal para nenhum piloto, é a chance de Sette Câmara ter um ambiente de menos pressão e conseguir se firmar.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da temporada 2021 da Formula E está sendo montado.

Sergio Sette Câmara, Formula E, Dragon, Penske, 2021
Sergio Sette Câmara impressionou nas corridas que fez pela Dragon/Penske em Berlim no fim da última temporada da Formula E – fotos do post: dragon/penske/quick/divulgação