Helio Castroneves, Imsa, 12 Horas de Sebring, Penske, campeão

Helio Castroneves enfim é campeão na Imsa 2020

O título de Helio Castroneves na temporada 2020 da Imsa me lembrou de uma antiga história sobre ele no automobilismo.

Em 2013, eu estava no meu primeiro emprego. Era em um site que cobria automobilismo, e uma das minhas funções era tomar conta de uma seção de reportagens especiais. Em resumo, eu definia qual matéria cada repórter ia fazer e depois conferia se estava tudo certo para publicar.

Um dia, pedi ao jornalista Renan do Couto, hoje narrador da ESPN, que entrevistasse Castroneves e perguntasse diretamente ao piloto se um dia ele conseguiria ser campeão.

Não era uma pergunta de sacanagem. Naquele ano, o brasileiro era o favorito para conquistar o título da Indy. Ele chegou a abrir 100 pontos de vantagem para seu principal rival e viu um monte de adversários ter problemas mecânicos ou acidentes nas corridas decisivas.

No fim, a briga pelo campeonato estava entre ele e Scott Dixon, e mesmo em pistas que o neozelandês é considerado melhor, como é o caso de Mid-Ohio, o brasileiro é que tinha chegado na frente.

Mas aí veio a fatídica etapa no circuito de rua de Houston – a mesma em que Dario Franchitti sofreu o acidente que encerrou sua carreira -, e Castroneves teve problemas mecânicos o fim de semana inteiro, sendo que em uma das corridas ele iria largar na pole. Dixon venceu uma das provas e foi segundo na outra, chegando à decisão em Fontana na liderança.

Na última prova do ano, o brasileiro até tentou brigar pela vitória, mas se envolveu em um toque com um adversário e precisou trocar a asa dianteira do carro, dando adeus à taça.

Essa não foi a primeira vez na carreira que o então representante da Penske perdeu um título, apesar de ser o favorito. Em 2002, por exemplo, precisava vencer a corrida decisiva, no Texas, mas foi o segundo. E a derrota mais emblemática de todas tinha sido na época da F3 Sul-Americana, quando os pilotos da Argentina pararam seus carros para permitir que um piloto do país os ultrapassasse e somasse os pontos necessários para ser campeão.

Com esses episódios, veio a história que Castroneves era um piloto “amaldiçoado” e jamais seria campeão. Por isso, a ideia da reportagem era fazer essa pergunta diretamente a ele.

Na entrevista, o piloto se saiu bem na hora de responder se achava que nunca seria campeão. Ele disse que, se um dia pensasse assim, então pararia de correr, porque o objetivo dele era terminar em primeiro.

Na Indy, não deu. O brasileiro obteve mais um vice, em 2014, e um terceiro lugar, em 2016, antes de ser transferido pela Penske para Imsa, categoria em que a equipe retornava em 2018.

Helio Castroneves na Imsa

Castroneves nunca escondeu que preferia ter ficado na Indy. Em seu último ano completo no certame, foi o piloto que mais pontuou em ovais e teve seus melhores números em quase uma década em voltas lideradas e em posição média de chegada. Isso em uma temporada na qual os demais pilotos da Penske não vinham conseguindo manter consistência de resultados.

Mas na Imsa o brasileiro teria uma boa chance de enfim conquistar o título. A ideia é que ele repetisse Christian Fittipaldi.

O compatriota foi um piloto bastante promissor no começo da carreira, saindo da F3 Sul-Americana para a F1 em apenas duas temporadas. Mas não conseguiu alcançar nos EUA os resultados que esperavam dele. Tudo mudou para Fittipaldi quando ele passou a disputar as provas de longa duração, ficando com a taça da Imsa em 2014 e em 2015.

E a mudança também deu certo para Castroneves. Com uma boa dose de emoção, o brasileiro e o americano Ricky Taylor foram os campeões da temporada 2020 da Imsa, com quatro vitórias nas nove corridas disputadas.

Na decisão, nas 12 Horas de Sebring, uma falha mecânica no carro da Penske, logo na primeira hora de prova, fez parecer que a maldição do vice mais uma vez cruzaria seu caminho.

Mas aí enfim a sorte sorriu para o brasileiro contou. Seus rivais na luta pelo título – o carro da WTR, de Ryan Briscoe e Renger van der Zande, e o compatriota Pipo Derani – também enfrentaram problemas, fazendo com que Helio ficasse com a taça. Justamente na corrida que marcou sua saída da Penske após mais de 20 anos.

E, enfim, também tivemos a resposta da pergunta feita a Castroneves lá em 2013: sim, um dia ele será campeão.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos de Helio Castroneves na última etapa da Imsa 2020, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

O Acura de Helio Castroneves até largou na pole, mas enfrentou inúmeros problemas nas 12 Horas de Sebring – fotos do post: acura/divulgação

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