Este não é um post sobre política. É para explicar se o resultado das eleições americanas, com Joe Biden vencendo Donald Trump, pode afetar o automobilismo em 2021, em especial Nascar, Indy e Imsa, os principais campeonatos dos EUA.

Na verdade, há apenas um ponto em que a troca na Casa Branca pode atingir o automobilismo no ano que vem, que é a forma como os Estados Unidos têm enfrentado a pandemia.

Todos os outros, como eventual aumento de impostos para alguns setores e uma agenda pró-meio ambiente, podem ocorrer, mas ainda está muito cedo para entender como/se eles podem mudar algo no esporte a motor, afinal estamos a mais de dois meses da data da posse do novo presidente.

Quanto ao coronavírus, essas mudanças podem vir mais rapidamente, porque se trata do grande problema urgente que precisa ser resolvido.

Não é novidade que Donald Trump tinha uma boa relação com as principais categorias do automobilismo americano, tanto que ele esteve na Daytona 500, da Nascar, neste ano, tendo andado com sua limusine pelo oval. Além disso, as famílias Penske (dona da da Indy) e France (dona da Nascar e da Imsa) são aliadas de Trump.

Durante os primeiros meses da pandemia, os Estados Unidos foram um dos países que reabriram economicamente primeiro, permitindo que o esporte a motor voltasse antes por lá. Por exemplo, a primeira corrida da Nascar na retomada foi em 17 de maio, enquanto a Indy retornasse às pistas no início de junho.

Em comparação, na Europa, a F1 só correu em julho. O DTM, ainda mais conservador, teve sua primeira rodada apenas em agosto. E o que falar do WTCR que só colocou seus carros na pista em meados de setembro?

Para que os campeonatos americanos pudessem retornar antes, algumas medidas precisaram ser tomadas, como a permissão para que os circuitos reabrissem e que os mecânicos (que deixariam os carros prontos para as provas) fossem considerados profissionais essenciais.

Novos fechamentos nos Estados Unidos?

Só que agora os Estados Unidos têm enfrentados recordes no número de novos casos de covid-19. Na semana que antecedeu a última etapa da Nascar, por diversas vezes o país registrou mais de 100 mil novos casos em um único dia.

Ninguém sabe como a situação da pandemia estará no dia 20 de janeiro, quando Biden tomar posse. Mas é provável que, se o números de novos casos continuar elevado, o novo governo poderá determinar um novo fechamento.

Mas será que o automobilismo acabaria afetado por mudanças assim? Não há muitas chances de isso acontecer.

Em primeiro lugar, os Estados americanos têm autonomia na hora de decidir por isolamentos, quarentenas e reaberturas. Não são obrigados a seguir o que determina o presidente. A Carolina do Sul, por exemplo, passou a permitir eventos esportivos primeiro, por isso a volta da Nascar lá em maio foi em Darlington, sendo que outro circuito é que estava originalmente marcado para aquela data.

Os governadores de Indiana e da Flórida (sede da Indy e onde fica Daytona/Sebring, respectivamente) são do partido Republicano, o mesmo de Donald Trump, e tendem a ter uma agenda pró-reabertura. Já o governador da Carolina do Norte, apesar de ser do partido Democrata, é pró-Nascar. Foi ele que assinou aquele decreto que mencionei mais acima considerando mecânicos das equipes como profissionais essenciais.

E mesmo se os Estados Unidos optarem por um lockdown total, como tem acontecido na Europa (o que é muito difícil de correr), seria improvável as corridas deixarem de acontecer.

Países como Alemanha e Reino Unido têm permitido que campeonatos esportivos profissionais continuem sendo disputados, mesmo nesse novo fechamento que eles estão vivendo. Assim, enquanto as pessoas voltaram a ficar trancadas em casa, o futebol segue normalmente, da mesma forma que as principais corridas de carros.

O que poderia acontecer é os campeonatos começarem mais tarde em 2021, à espera de uma vacina ou, ao menos, do controle da pandemia. A primeira etapa do novo DTM, por exemplo, está marcada somente para o último fim de semana de maio para se ter ideia.

Mas Nascar, Indy e Imsa já divulgaram seus calendários para a próxima temporada, com pouquíssimas mudanças em relação ao que tem acontecido nos últimos anos.

Então, para esses campeonatos, é muito difícil que a mudança na Casa Branca influencie em alguma coisa. Só não espere ver Biden andando de limusine em alguma corrida no ano que vem.

foto do topo: toyota/divulgação

Roger Penske foi um dos aliados de Donald Trump – foto: john f. martin/chevy/divulgação