Um dos maiores problemas do automobilismo brasileiro neste momento é a falta de renovação de seus representantes pelo mundo. Desde a aposentadoria de Felipe Massa não há mais nenhum piloto do Brasil na F1. Em 2020, houve etapas da Indy sem pilotos do país e na Formula E, ao menos por enquanto, só resta Lucas di Grassi.

E o que não ajuda nada nessa tarefa é o país não ter uma categoria de base de carros de fórmula, desde o fim da F3 Brasil, em 2017.

Se em países da Europa, da Ásia e das Américas, quem sai do kartismo vai correr numa F4, no Brasil o piloto não tem para onde ir. Ele perde a chance de se destacar em um campeonato de monopostos, tentar carreira internacional e chamar a atenção de montadoras e equipes das principais categorias internacionais.

E não devemos menosprezar a importância de um campeonato nacional. É só ver que dos cinco brasileiros que estiveram na F2 ou F3 em 2020, três (Igor Fraga, Pedro Piquet e Guilherme Samaia) começaram a carreira na F3 Brasil. Isso sem falar em Matheus Leist e Sergio Sette Câmara que também andaram por aqui primeiro antes de se destacarem na Europa.

Em comparação, neste ano, apenas um brasileiro fez a transição do kartismo para os monopostos: Gabriel Bortoleto, que tem obtido bons resultados na F4 Italiana. Em que pese a pandemia ter prejudicado os planos de alguns representantes brasileiros.

A Super Fórmula paulista

Com um projeto de F4 Brasileira nem tendo saído do papel, a única alternativa que resta para os jovens competirem por aqui na base Té a Super Fórmula paulista, um campeonato idealizado por Darcio dos Santos, chefe da histórica equipe PropCar, que usa os mesmos veículos da F3 Brasil e integra o calendário do Paulista de Velocidade.

Na etapa realizada em Interlagos, no fim do mês de outubro, a categoria reuniu um grid de sete carros. Parece pouco, mas já é um número maior que o alcançado pela F3 Brasil em sua última temporada, se levarmos em conta apenas o modelo F309 (usado na divisão principal).

A diferença é que o grid da Super Fórmula paulista não é formado exatamente por jovens pilotos. O líder do campeonato é o experiente Fernando Galera, que fez sua estreia na F3 em 2004. Outros nomes presentes no certame são Emilio Padron, veterano das mais diversas categorias pro-am do automobilismo brasileiro, e Leonardo Barbosa, na F3 desde 2017 e que já correu até no Chile.

De jovens, o campeonato recebeu Felipe Bartz (sobrinho de Rubens Barrichello) e Bruna Tomaselli (da W Series) em uma etapa cada um deles, além de João Pedro Maia (da foto em destaque), que optou por correr no certame uma vez que a F4 da Argentina, onde pretendia competir em 2020, foi cancelada por causa da pandemia.

Mas talvez a Super Fórmula Paulista tenha conseguido sua solução para atrair mais jovens pilotos. É que no fim do mês de outubro ela foi classificada pela CBA como categoria-escola. Assim, a idade mínima para competir no certame baixou para 14 anos.

É a chance de tentar atrair os brasileiros que estão saindo do kartismo e buscam chegar aos certames do exterior já com alguma quilometragem acumulada. Outra vantagem é o custo baixo da Super Fórmula daqui, estimado em de 35 a 40 mil reais para correr por etapa.

Agora vamos ficar de olho para ver se a iniciativa dará resultados e poderá contar com grids maiores a partir do ano que vem.

foto do topo: julio d’paula/kgcom/divulgação

Grid da F3 Brasil em 2017 contou com poucos carros e teve Igor Fraga puxando a fila – foto: marcus cicarello/ferraripromo/divulgação