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A estreia de Kimi Raikkonen na F1 foi considerada indecente

Kimi Raikkonen se tornou o piloto mais experiente da história da F1 em Nurburgring. Ele chegou aos 323 GPs disputados desde sua estreia, no GP da Austrália de 2001, superando Rubens Barrichello, o antigo recordista que tinha 322 participações.

Um dos segredos da longevidade do finlandês foi ter estreado muito cedo na F1, quando tinha somente 21 anos de idade.

E a chegada de Raikkonen à principal categoria do automobilismo mundial tinha sido apontada como um escândalo na época. Ele era considerado muito inexperiente para pilotar um carro tão veloz.

O motivo? É que até então ele tinha disputado somente uma temporada completa nos monopostos, no ano anterior, quando foi campeão da versão inglesa da F-Renault, ao vencer sete das dez corridas realizadas. Ele também tinha tomado parte de algumas provas da F-Renault Eurocup – quando enfrentou Felipe Massa, seu futuro companheiro de equipe na F1 – e ganhou todas.

Para se ter ideia do tamanho da precocidade, é como pensarmos nos dias de hoje com Gabriele Mini, atual líder da F4 Italiana, sendo especulado na Alfa Romeo em 2021 (caso o regulamento permitisse).

Com Raikkonen, o regulamento não impedia. Pelo contrário. Seu empresário na época, David Robertson, considerado um dos nomes mais influentes do Reino Unido no paddock, já tentava descolar alguma equipe para o finlandês, pois sabia que estava trabalhando com um piloto de talento raro.

Robertson, então, entrou em contato com algumas equipes da F1 para oferecer seu piloto, e uma das que o recebeu foi a Sauber, que tinha duas vagas abertas para a temporada 2001.

Só que Peter Sauber, então dono da escuderia, estava mais interessado em outro piloto cuja carreira era gerida por Robertson: Jenson Button. O britânico tinha estreado na F1 em 2000, vindo direto da F3 Inglesa e com a ingrata tarefa de substituir na Williams Alessandro Zanardi, cuja passagem pela F1 não tinha rendido o esperado.

Button não teve um ano ruim, mas perdeu a vaga na Williams para Juan Pablo Montoya no ano seguinte. Foi quando Peter Sauber quis saber se o britânico estava disponível para correr pelo seu time, só que Button já tinha fechado com a Benetton.

Foi a deixa para Robertson explicar que tinha outro piloto que era considerado tão bom quanto Button, e a Sauber poderia avaliá-lo: Raikkonen, que até então tinha participado de somente 23 corridas em toda sua carreira.

O argumento decisivo foi que, se Peter Sauber demorasse para tomar uma decisão, outra equipe acabaria contratando Kimi, de tão bom que ele era.

O primeiro teste de Kimi Raikkonen na F1

Para avaliá-lo de perto, a Sauber marcou três dias de testes em Mugello. E Raikkonen foi tudo aquilo que havia sido prometido. Andou no ritmo proposto pela equipe, não cometeu erros e chegou a ser 0s5 mais veloz que o brasileiro Pedro Paulo Diniz, então titular da Sauber na F1.

O desempenho de Kimi foi tão bom que até Michael Schumacher, testando pela Ferrari no mesmo dia em Mugello, foi ao escritório da Sauber saber quem era o novo piloto.

Como todo mundo ficou impressionado pelo desempenho do finlandês, a Sauber decidiu contratá-lo para um de seus carros em 2001.

Mas aí veio a polêmica. Por ele ser tão inexperiente, sua chegada à F1 era considerada indecente. Na época, Jacques Villeneuve, que tinha acabado de ser campeão em 1997, se mostrou contra a contratação de Kimi. O mesmo acontecia com Max Mosley, então presidente da FIA, que se recusou a emitir a superlicença pelo finlandês. Nem a Red Bull, sócia-minoritária da Sauber, queria o jovem piloto no cockpit – a fabricante de energéticos defendia o brasileiro Enrique Bernoldi na vaga.

Para piorar, reportagens da época pintavam Raikkonen como um piloto incapaz de dirigir um carro de F1, como alguém que pudesse causar um acidente a qualquer momento (apesar de ele ser conhecido justamente por não cometer erros).

Como solução, a FIA concordou em emitir uma superlicença para Raikkonen valendo somente por quatro corridas, depois disso ele teria seu desempenho avaliado e poderia ser proibido de correr na F1.

A estreia de Kimi Raikkonen na F1

Não precisou mais de uma corrida para o finlandês calar seus críticos. Logo na estreia, no GP da Austrália, terminou em sexto, marcando seu primeiro ponto. Naquele ano, ainda seria o quinto em Silverstone e o quarto no Canadá e na Áustria.

É verdade que Kimi fechou a temporada atrás de Nick Heidfeld, seu companheiro de equipe na Sauber, mas foi ele quem ganhou a batalha. Isso porque, quando Mika Hakkinen tirou um ano sabático da F1 no fim daquele campeonato, Raikkonen é que acabou escolhido para substituí-lo na McLaren, mesmo com Heidfeld sendo parte da academia de jovens pilotos da escuderia britânica.

Depois Raikkonen ainda teria duas passagens pela Ferrari e uma pela Lotus, além de seu retorno à Alfa Romeo, para chegar aos 323 GPs disputados na F1.

E olha que esse número poderia ser maior. Em 2010 e 2011, ele ficou afastado da principal categoria do automobilismo mundial, tendo participado do WRC e até mesmo da Nascar nesse período, mas sem se firmar em nenhuma das duas categorias.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos de Kimi Raikkonen no GP da F1 em Nurburgring, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto: morio/own work/CC BY-SA 4.0

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Por causa do coronavírus, Kimi Raikkonen acabou voltando em 2020 a Mugello, onde fez seu primeiro treino de f1 – foto: alfa romeo/divulgação

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