Juri Vips, F1, Fórmula 1, superlicença, regras, Super Formula, Red Bull Junior Team

O que muda nas regras da superlicença com o coronavírus

A FIA divulgou nesta semana alterações importantes nas regras para obter a superlicença, o documento obrigatório que um piloto precisa ter para poder correr na F1.

Já era esperado que a FIA fizesse mudanças no regulamento por causa da pandemia do novo coronavírus.

Antes de analisar as novidades, vale explicar como se conquista a superlicença. Para consegui-la, um competidor tem seu desempenho avaliado no fim de cada campeonato de que participa e recebe pontos pelos resultados obtidos. Até agora, era preciso acumular no mínimo 40 em um período de três anos para garantir o documento.

Essa janela é considerada apertada. Como não há muitos campeonatos no mundo e geralmente são os mesmos pilotos que têm acesso aos melhores equipamentos, só uma minoria conquistava a superlicença com facilidade. A grande maioria dos competidores costuma passar a carreira fazendo contas para ver o quão perto estão de ter o documento.

Com a chegada do coronavírus, os campeonatos precisaram se mexer: a F3, por exemplo, que era para ser disputada ao longo de seis meses, teve somente dois meses e meio de corrida. A W Series e a Indy Lights foram canceladas. E os torneios dos EUA e do Japão começaram em um momento no qual esses países tinham suas fronteiras fechadas, dificultando a participação de pilotos estrangeiros.

Para quem ninguém saísse prejudicado nesse contexto de pandemia, a FIA anunciou agora duas mudanças de emergência nas regras.

O que muda na superlicença

A primeira delas é que agora os competidores terão uma janela de quatro anos para conseguir os 40 pontos. Mas eles só poderão usar os resultados de suas três melhores temporadas nesse período.

Na prática, significa que se um piloto não foi bem em 2020, esse ano não vai contar, daí poderá somos os pontos obtidos em 2021 aos de 2018 e 2019. Já quem teve bom desempenho nesta temporada poderá escolher mais outros dois anos para ser avaliado.

A segunda regra diz que um piloto que não conseguir os 40 pontos poderá, mesmo assim, solicitar a superlicença, desde que tenha no mínimo 30, prove que tenha sido prejudicado por motivos de força maior (a pandemia) e que tenha bons resultados ao longo da carreira.

Para explicar o que de fato vai mudar com essas novas regras, vou começar com a segunda rega, sobre pedir a superlicença com menos de 40 pontos.

Em um primeiro momento, pode parecer que essa mudança vai beneficiar muita gente, afinal todos os anos há pilotos que ficam no quase na hora de garantir o documento para poder correr na F1.

A parte mais importante aqui será entender o que a FIA considera um motivo de força maior. De uma maneira geral, os campeonatos de monopostos da Europa aconteceram normalmente após a pausa provocada pela pandemia, então será muito difícil para alguém que tenha tomado parte deles poder argumentar que foi prejudicado pelo coronavírus.

Por outro lado, categorias do Japão e da Austrália foram bastante afetadas pela pandemia. Na Austrália, algumas ainda nem recomeçaram, enquanto as do Japão estão acontecendo com presença bastante reduzida de pilotos estrangeiros.

É que, para entrar no país asiático, quem vem de outro país precisa de um exame dando negativo para o coronavírus e ficar duas semanas de quarentena, o que inviabiliza a participação para quem correu na Europa no fim de semana anterior.

E quem pode se dar bem nessa é Juri Vips. Considerado um dos nomes mais promissores do Red Bull Junior Team, o estoniano estava escalado para correr na Super Formula, do Japão, neste ano, mas ainda não conseguiu estrear justamente pelas restrições a estrangeiros na fronteira. Desde então, tem participado de provas da F-Regional Europeia e da F2.

Só que Vips soma 32 pontos (se levarmos em conta o título da F4 Alemã em 2017), então ele poderia alegar motivo de força maior para garantir o documento.

Quanto à regra de os pilotos agora terem quatro anos de janela para acumular os 40 pontos, quem pode ser dar bem com ela é Enzo Fittipaldi.

O brasileiro totaliza 39 pontos devido ao título na F4 Italiana em 2018, o terceiro lugar na F4 Alemã no mesmo ano e o vice da F-Regional no ano passado. Só que em 2020 ele não foi bem e fechou a F3 somente em 15º. Como pode descartar a atual temporada pela nova regra, em 2021 ele vai precisar de um único ponto para garantir o documento – o equivalente a terminar a F3 entre os dez primeiros.

Felipe Drugovich é outro que também acaba beneficiado, uma vez que poderá carregar os pontos referentes ao título da Euroformula Open, em 2018, por mais uma temporada.

Lembrando que a janela de quatro temporadas para conseguir a superlicença só vai valer enquanto o ano de 2020 estiver na conta. A partir de 2023, volta o intervalo de três temporadas. E, claro, a FIA pode anunciar novas mudanças, caso a pandemia se estenda/piore em 2021.

foto do topo: dutch photo agency/red bull content pool

Enzo Fittipaldi também está mais perto de conquistar a superlicença com as novas regras – foto: rf1/divulgação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s