Prema, Gianluca Petecof, F-Regional Europeia, 2020, fusão, F-Renault Eurocup

A fusão entre a F-Regional Europeia a F-Renault Eurocup

Chega a ser inacreditável em pleno último trimestre de 2020 estarmos discutindo uma possível fusão entre a F-Regional Europeia e a F-Renault Eurocup, como tem sido ventilado pela organização dos dois campeonatos.

Pelos grids enxutos das duas categorias neste ano – em especial da Regional – pode parecer ser um engenheiro de obra pronta dizer que há muitos anos já sabíamos que ambas deveriam se unir.

Mas é que não é de hoje que se fala disso. Desde a criação da F-Regional, no fim de 2018, já se apontava que esses campeonatos não deveriam estar separados.

O motivo é que não há piloto o suficiente para tantos torneios parecidos na Europa, lembrando que ainda tem a Euroformula Open e a F3 Inglesa competindo pelo mesmo espaço.

A fusão entre GP3 e F3 Euro

A confusão começou no fim de 2018 quando a FIA resolveu fundir a F3 Euro com a GP3 para formar a atual F3.

Só que como o pulo da F4 para a F3 era considerado grande demais, a entidade resolveu criar um novo campeonato para funcionar como um degrau intermediário entre eles.

Na época, três grupos buscavam serem escolhidos para promover a nova categoria, que seria chamada de F-Regional: a organização da própria F3 Euro, que queria manter o certame ativo de alguma maneira; a Renault (com a Eurocup) e o WSK, o mesmo que faz a F4 Italiana e alguns dos principais torneios de kart do mundo.

Fazia mais sentido que ou a organização da F3 Euro, ou a Renault acabasse escolhida porque elas ofereciam criar a F-Regional a partir de campeonatos que já existiam. Ou seja, teriam pilotos e equipes comprometidos e não diluiria ainda mais o mercado.

Mas quem acabou escolhido pela FIA foi o WSK. O resultado foi um desastre. No ano passado, em média 14 pilotos participaram de cada etapa da F-Regional Europeia, enquanto neste ano a categoria tem dificuldades de passar dos 12.

Aliás, algumas das equipes da F-Regional são de qualidade duvidosa. Uma delas, por exemplo, precisou pedir para uma escuderia concorrente para fazer os pit-stops de seu piloto neste fim de semana em Mugello. É que as paradas nos boxes não são obrigatórias no certame, mas dessa vez foram necessárias para trocar o pneu de pista seca pelo de pista molhada.

E olha que a FIA fez de tudo para tornar seu campeonato mais atrativo: jogou o número de pontos que a F-Regional distribui na superlicença para cima, acabou com qualquer exigência de número mínimo de participantes e atacou a concorrência diminuindo os pontos distribuídos por outros campeonatos, como é o caso da própria Renault.

Nada disso deu certo. Apesar de não contar com a simpatia da FIA, a Eurocup reuniu um grid mais forte e chega a ter de 18 a 20 participantes por etapa. O caso mais emblemático é o do espanhol David Vidales, considerado um fenômeno no kartismo. Ele estava escalado para correr na F-Regional neste ano e, de última hora, trocou de categoria e fechou com a F-Renault Eurocup.

Só que chegou um momento em que não dá mais para continuar com essa divisão entre as duas. Não há piloto suficiente nas F4 pelo mundo para abastecer tanta categoria assim.

A F4 Alemã, por exemplo, teve só 11 participantes em sua primeira etapa do ano, mesmo número que os inscritos na rodada mais recente da F4 Inglesa. A F4 Francesa teve 14 competidores neste fim de semana em Paul Ricard, sendo que os dois primeiros colocados são patrocinados pela Honda, e não há nenhuma garantia de que eles irão permanecer na Europa uma vez que a montadora deixará a F1. A situação está melhor apenas na F4 Italiana, com bem mais de 20 por corrida, assim como a Espanhola.

Além disso, organizadores estão esperando que a crise econômica provocada pela pandemia atinja seus campeonatos no ano que vem. É que para este ano muitos pilotos e equipes já tinham contrato fechado com seus patrocinadores e que continuaram valendo apesar do coronavírus. Mas para o ano que vem as empresas podem rever esses investimentos.

Para que a F-Regional não corra o risco de ficar em 2021 em uma situação ainda mais delicada, foi proposta a fusão com a F-Renault Eurocup, uma vez que ambas usam o mesmo equipamento (construído pela Tatuus).

Segundo o site Italiaracing, o novo campeonato vai se chamar F-Regional Europeia by Renault, com no máximo 12 equipes com três pilotos cada uma. O motor será Renault e o pneu, Pirelli. O anúncio oficial deverá ser feito no fim de semana em que a F1 corre em Imola, uma vez que as duas categorias farão a preliminar por lá.

É uma ideia muito bem-vinda, mas que chega que com pelo menos dois anos de atraso (e depois de muitas corridas também).

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa da F-Regional em Mugello, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: aci/csai/divulgação

David Vidales, Caio Collet, Formula Renault Eurocup 2020, vitória, Imola, JD
David Vidales se tornou o símbolo da rivalidade entre F-Regional Europeia e F-Renault Eurocup em 2020 – foto: antonin vincent/dppi/renault sport/divulgação

2 comentários sobre “A fusão entre a F-Regional Europeia a F-Renault Eurocup

  1. 12 equipes é um número ideal, agora até 3 carros por equipe? Não faz sentido algum, só beneficia as melhores equipes. 24 pilotos no máximo já está mais do que bom

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