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O caminho de António Félix da Costa ao título da Formula E

Vendo António Félix da Costa e Jean-Éric Vergne serem campeões das últimas três temporadas da Fórmula E, é difícil entender as críticas feitas ao Red Bull Junior Team, programa de que ambos fizeram parte quando tentavam chegar à F1.

E olha que eles não foram cortados no meio do caminho, uma vez que a iniciativa rubro-taurina é bastante famosa pela prática de contratar e depois demitir seus integrantes. O que aconteceu é que em suas épocas o programa avaliou contar com nomes melhores.

O caso de JEV é o mais simples. Em 2012 e 2013, ele dividiu a Toro Rosso (como a Alpha Tauri era chamada na época) com Daniel Ricciardo. Cada um terminou uma temporada na frente.

Mas quando Mark Webber resolveu se aposentar da F1, o australiano é que acabou promovido para a equipe principal. O resto é história. Ricciardo superou o então tetracampeão Sebastian Vettel em seu primeiro ano, depois formou uma parceria fortíssima com Max Verstappen e, em 2019, se mudou para a Renault. Já a Red Bull jamais se recuperou da saída de Ricciardo.

Quanto a António Maria de Mello Breyner Félix da Costa, em 2012 parecia que ele seria o próximo grande nome da Red Bull, aquele que seguiria os passos de Vettel e levaria a fabricante de energéticos rumo ao título mundial da F1.

Naquele ano, o “tuga”, como os próprios portugueses se chamam, estava no auge. Ele tinha sido contratado pelo Red Bull Junior Team no meio da temporada e colocado para correr na World Series by Renault, então a principal categoria de acesso da F1. Apesar de ter perdido as três primeiras etapas, ele fechou o campeonato com quatro vitórias e um segundo lugar nas últimas cinco provas.

Ele também tomou parte da GP3 (como a F3 atual era chamada). Disputou o título até a última etapa e só acabou derrotado por Mitch Evans porque seu carro quebrou na reta de Monza ao tentar um bump-draft, uma manobra típica da Nascar de empurrar o carro da frente para que ambos ganhem velocidade. Para encerrar o ano, ele ainda foi campeão do tradicional GP de Macau de F3.

Em 2013, Félix da Costa foi colocado novamente na World Series by Renault com o objetivo de ser campeão. Mas seu desempenho ficou abaixo do registrado no anterior: venceu só três corridas e terminou mais de 100 pontos atrás de Kevin Magnussen, o campeão.

Com a ida de Ricciardo para a Red Bull, abriu uma vaga na Toro Rosso em 2014, mas quem acabou escolhido foi Daniil Kvyat. Pesou a favor do russo ele ter sido o campeão da GP3 naquele ano, além de ser patrocinado pela Red Bull desde o kartismo. Já Félix da Costa tinha apenas pouco mais de um ano no programa.

Ainda assim, o luso não foi dispensado. Longe da F1, a fabricante de energéticos pagou para que ele corresse no DTM, pela BMW.

Antonio Félix da Costa na Formula E

A parceria com a Red Bull acabou algum tempo depois. Mas foi essa passagem no DTM, que, anos mais tarde, abriu as portas para que ele defendesse a montadora alemã na Fórmula E. Seu desempenho nos carros elétricos foi bom e chamou a atenção da DS Techeetah, equipe que havia vencido os dois últimos títulos com JEV.

E coube agora a Félix da Costa superar o francês e ser o campeão da temporada 2019-2020 da Fórmula E.

Lendo este texto, talvez fique uma dúvida: por que hoje a Red Bull não consegue mais revelar tantos pilotos bons como na época de Ricciardo, Vergne, Félix da Costa e Kvyat?

São dois os principais motivos. O primeiro é que desde a chegada de Verstappen a fabricante de energéticos tem sido menos paciente com seus jovens. Uma temporada ruim costuma significar demissão.

E a outra é que ela ganhou concorrência. No começo dos anos 2010, praticamente só a Red Bull tinha um programa de jovens pilotos. Hoje, no grid da F1, Ferrari, Renault, Mercedes, Williams e Sauber (Alfa Romeo) também criaram os seus.

Isso significa maior dificuldade para assinar com os jovens mais promissores e também que seus pupilos não têm mais a garantia de contar com os melhores equipamentos nas categorias de acesso, como acontecia antes.

Assim, anos depois, Félix da Costa e Vergne souberam se reinventar e foram campeões da Formula E. Já o Red Bull Junior Team ainda busca retomar o sucesso que teve com eles na formação de talentos.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da penúltima etapa da Formula E em Berlim, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: ds performance/divulgação

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António Félix da Costa na época em que defendia o Red Bull Junior Team – foto: dutch photo agency/red bull content pool

Um comentário sobre “O caminho de António Félix da Costa ao título da Formula E

  1. Eu tenho uma opinião sobre como o programa da Red Bull errou muito depois de 2011. Após a dispensa de Buemi e Alguersuari, para 2012 a Toro Rosso trouxe o Ricciardo, que vinha de meia temporada na HRT, e ao invés de aproveitar o Rubens Barrichello livre no mercado para usá-lo como mentor dos jovens e até para dar tempo de maturação aos pilotos jovens, trouxe o Jean Eric Vergne, que tinha apenas 1 teste de fim de ano na Red Bull. E após a ida do Ricciardo para a matriz o Felix da Costa era sim o próximo da fila, e não o colocaram em detrimento do Kvyat por interesses econômicos, já que 2014 marcaria a estreia da Rússia no calendário, e esse era um mercado muito promissor pra marca.
    Com a saída do Vettel, quem deveria subir era o Vergne, mais experiente e preparado, mas optaram por subir o Kvyat, excluíram o Felix da Costa do programa, além de promover a promoção do Max Verstappen antes do Sainz Jr, que era o próximo da fila depois do lusitano.
    Como resultado disso o programa da Red Bull desperdiçou muitos pilotos, e ficou sem ninguém na fila para entrar, pois em seguida vem a regra de pontuação para a superlicença e os candidatos estavam todos em categorias mais abaixo.
    Hoje vemos a busca por pilotos antes dispensados do programa, como o próprio Kvyat, Brendon Hartley, Alex Albon e Sérgio Sette Câmara, além do desespero em fazer os próximos da fila conseguirem a superlicença, casos do Juri Vips (ótimo piloto, mas sendo obrigado a correr em várias categorias ao mesmo tempo) e Sean Galeal (piloto fraco mas mto rico).

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