Fabio Quartararo, MotoGP, SRT, Yamaha

A lição de Fabio Quartararo para a Renault na F1

Com Marc Márquez fora de combate ao passar pela segunda cirurgia desde que sofreu um forte acidente em Jerez de la Frontera, a temporada 2020 da MotoGP tem um novo favorito ao título: Fabio Quartararo, que ganhou as duas primeiras corridas do ano.

Desde que estreou na MotoGP, no começo do ano passado, Quartararo não para de impressionar. Como novato, conquistou seis poles e sete pódios, mesmo andando por uma equipe satélite da Yamaha.

E neste ano ele já deixou as motos oficiais da fabricante, de Maverick Viñales e Valentino Rossi, para trás nas duas corridas realizadas após a pausa em decorrência da pandemia.

Seu desempenho é surpreendente até mesmo para quem o acompanha desde o começo da carreira. Quartararo ganhou destaque em 2014, quando foi bicampeão do Espanhol de Moto3, torneio considerado a principal porta de entrada para o Mundial de Moto3.

O problema é que ele tinha apenas 15 anos de idade na época, e as regras do Mundial só permitiam pilotos a partir dos 16 correndo. Para que Quartararo pudesse subir de categoria, a organização mudou o regulamento, garantindo que, independentemente da idade, o campeão do Espanhol de Moto3 poderia sempre avançar na carreira.

Só que o bom desempenho de Quartararo parou por aí. Apesar de ter pulado para o Mundial de Moto3 cercado de expectativas, ele jamais decolou nas divisões menores. Somando as duas temporadas em que ficou na Moto3 com as duas na Moto2, de 2016 a 2019, o francês conquistou uma única vitória e teve o décimo lugar como melhor classificação no campeonato.

A chegada de Fabio Quartararo à MotoGP

Por isso foi uma surpresa quando a SRT o escolheu para ser o companheiro de equipe de Franco Morbidelli na MotoGP em 2019. O time tinha acabado de ser criado para substituir a Tech 3 como operação satélite da Yamaha, e antes de assinar com Quartararo havia rumores de que o titular seria Dani Pedrosa, que estava deixando a Honda.

Sem o acordo com o espanhol, Quartararo é que acabou com a vaga. E a oportunidade de andar em uma equipe satélite fez com que ele enfim fosse capaz de mostrar todo o seu potencial – que estava escondido desde que deixou o Espanhol de Moto3.

Quem saiu ganhando com tudo isso foi a Yamaha. Além de poder já conquistar o título em 2020, a fabricante garantiu a contratação do piloto para sua equipe de fábrica a partir da próxima temporada.

E assim Quartararo pode se tornar o principal nome do esporte a motor da França pelos próximos anos.

Falando em França, quem poderia aprender com seu jovem talento é a Renault. A marca francesa retornou à F1 em 2016 e até agora nem sequer conseguiu subir ao pódio. Pelo contrário, além de andar atrás de Ferrari, Mercedes e Red Bull, ela tem sido cada vez mais pressionada por McLaren e Racing Point.

E o que tem chamado a atenção é a falta de paciência da escuderia com seus pilotos. Desde sua volta à F1, ele jamais manteve e a dupla titular por duas temporadas consecutivas. Tem sempre preferido trazer novos nomes, apostando em competidores consagrados como Daniel Ricciardo ou Fernando Alonso, que já assinou para 2021.

Ao mesmo tempo, os integrantes de sua academia de jovens pilotos ainda não tiveram oportunidade na principal categoria do automobilismo mundial.

Enquanto Mercedes, Red Bull e Ferrari têm equipes satélites ou acordos com outros times para seus juniores, a Renault conta apenas com as duas vagas no time principal para eles. Ou seja, a escuderia não tem espaço na F1 em que possa desenvolver seus talentos.

Seria como se, após perder a Tech 3 para a KTM, a Yamaha não montasse uma equipe satélite, a SRT, em 2019 para a função. E, sem esse time B, a marca japonesa perderia a chance de assinar com Quartararo – que ficaria livre para brilhar por outra fabricante.

Daí fica a lição de Quartararo para a Renault na F1: é importantíssimo criar as condições para que seus jovens pilotos se desenvolvam. Afinal, é sempre importante ter os ídolos por perto, mas apostar na nova geração pode dar resultado muito antes do esperado. A Yamaha que o diga.

foto do topo: box repsol/CC BY 2.0

Renault, Fórmula 1, F1, 2020
A Renault tem sofrido para avançar ao pelotão da frente na F1 e colocado a culpa nos seus pilotos – foto:

 

 

 

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