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Quanto custa para um piloto chegar à F1?

Para a maior parte dos pilotos, é preciso muito mais que talento para chegar à F1. E quando eu digo muito mais é muito mais mesmo. Um material preparado pelo site espanhol Business Sport buscou mostrar quanto custa para um competidor ir do kart, aos sete anos de idade, até a principal categoria do automobilismo mundial. E a resposta é: muito, mas muito dinheiro.

O motivo é que todo o modelo de negócio nos campeonatos menores é baseado em o piloto pagar à equipe para correr. São pouquíssimas as escuderias que contam com patrocinadores independentes, o que acaba aliviando na conta de seus competidores.

E não há nenhum tipo tipo de subsídio dado por FIA, F1 ou montadoras para que os jovens possam competir sem pagar pela vaga.

Mas muito dinheiro quanto? Segundo o Business Sport, um piloto que almeja chegar correr na F1 precisa estar preparado para gastar 6 milhões de euros ao longo da carreira, o equivalente a 36 milhões de reais pela cotação atual (veja os detalhes mais abaixo).

Não que todo esse valor saia do bolso do competidor ou de sua família. Há patrocinadores, governos, federações locais, montadoras e equipes de F1 dispostos a ajudá-lo chegar à principal categoria do automobilismo mundial, de olho em, de uma forma ou de outra, recuperar o dinheiro investido.

Mas não é preciso levar os 36 milhões de reais ao pé da letra. O Business Sport fez as contas simulando um competidor hipotético que, após os karts, iria passar uma temporada na F4, outra na Euroformula Open, mais uma na GP3 (atual F3), seguido por dois anos na F2.

Nem todos os pilotos seguem esse padrão. Sergio Sette Câmara, por exemplo, após sair do kartismo, disputou duas temporadas e meias de F3 e mais três de F2. Pelas contas do site, daria um valor superior a sete milhões de euros.

Charles Leclerc teve um ano de F-Renault, dois de F3 e um de F2, somando cerca de quatro milhões de euros.

Fora que, além de pagar para correr nesses campeonatos, é necessário gastar dinheiro com testes privados, pós-temporada, preparação física, coach, simulador e, dependendo do acordo que tiver com a escuderia, ainda cobrir os danos em caso de acidente se não houver seguro.

Preço ainda maior para chegar à F1

E quem não nasceu na Europa, como obviamente é o caso dos brasileiros, enfrenta uma situação ainda pior. Entra no orçamento passagens de ida e volta para outro continente a cada fim de semana de corrida, caso o piloto opte por continuar morando no Brasil, ou então todas as contas necessárias para se manter vivendo no continente europeu. Por isso, até hoje repúblicas de pilotos costumam ser muito populares.

Como resposta a esses valores elevados, existe a necessidade de ter categorias fortes de monopostos aqui no Brasil. É uma forma de os jovens pilotos poderem ficar ao máximo no país (ainda mais porque estão em idade escolar) e sem precisar desembolsar enormes fortunas, além de chegarem mais bem preparados na Europa.

Se pelo Business Sport uma temporada de Euroformula Open custa em torno de 475 mil euros (2,4 milhões de reais), a F3 Brasil, que fechou as portas no fim de 2017, tinha um orçamento de 450 mil reais na divisão principal e de 195 mil reais na Light, com modelos mais antigos.

Hoje, o país não tem nenhuma categoria forte de monopostos, e os equipamentos da antiga F3 Brasil voltaram à pista em um campeonato paulista da modalidade, no início do ano, com valor estimado de 35 a 40 mil reais por etapa.

Alguém até pode argumentar que para alguém ter chances de chegar à F1 precisa fazer a carreira toda no continente europeu, incluindo o kartismo. Não deixa de ser verdade. As equipes da F1 têm olheiros nas corridas de kart e buscam descobrir o quanto antes futuras estrelas do automobilismo mundial.

Mas neste fim de semana começam as temporadas 2020 da F2 e da F3, com cinco brasileiros confirmados: Felipe Drugovich, Guilherme Samaia e Pedro Piquet correm na primeira, enquanto Igor Fraga e Enzo Fittipaldi andam na segunda. Dos cinco, Piquet, Samaia e Fraga iniciaram a carreira na F3 Brasil antes de ir para a Europa. O mesmo vale para Sette Câmara, hoje reserva da Red Bull, e para Matheus Leist, que estava na Indy até 2019. Ou seja, continua muito importante ter condições de correr no país.

Para quem achou os valores para chegar à F1 muito altos, há um lado bom. Motivada pela crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, a FIA reconheceu os altos custos praticados no esporte a motor e colocou como uma de suas prioridades, para os próximos anos, diminuir os valores nos campeonatos de base e tentar tornar o automobilismo um pouco mais acessível.

foto do topo: daimler/divulgação

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Ter um campeonato como a F3 Brasil no país ajuda a diminuir quanto custa para chegar à F1 – foto: carsten horst/hyset/eversports/divulgação

 

 

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