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O truque da Red Bull para levar Juri Vips para a F1

Principal nome do Red Bull Junior Team e candidato a uma vaga na AlphaTauri na F1 2021, o estoniano Juri Vips surpreendeu ao anunciar que vai disputar a F-Regional nesta temporada, de olho em somar os pontos que faltam para obter a superlicença, documento obrigatório para participar da principal categoria do automobilismo mundial. No novo certame, ele será um dos adversários mais fortes de Gianluca Petecof na luta pelo título.

Sem contar seus resultados na F4, Vips atualmente acumula 20 dos 40 pontos necessários para garantir o documento. Isso significa que ele precisa ser ao menos o vice-campeão da F-Regional para obter os outros 20. Outras combinações possíveis para ele incluem fechar o ano entre os quatro primeiros, participar de treinos livres da F1 e/ou triunfar no GP de Macau de F3.

Estando tão próximo da F1, faz todo sentido que o estoniano tenha decidido tomar parte da F-Regional em 2020 e carimbar o passaporte rumo à AlphaTauri.

Mas o que chama a atenção é que o integrante do Red Bull Junior Team acaba de vir de um bom ano na F3 (quando finalizou em quarto na tabela) e está escalado para competir também na Super Fórmula, do Japão, considerada a categoria com o carro que mais lembra um F1.

Participar da F-Regional, um campeonato intermediário entre F4 e F3, significa que na verdade ele está descendo de patamar e não subindo.

Os pontos da F-Regional na superlicença

Quando a FIA criou o polêmico sistema da superlicença, em meados da década passada, um dos temores era justamente esse: que os pilotos escolhessem disputar campeonatos mais fáceis, abaixo do nível que eles estavam, para somar os pontos que precisassem.

Felizmente, essa prática pouco aconteceu até agora. De uma forma geral, quanto mais rápido for o carro usado por um campeonato na Europa (ou seja, o quão mais perto ele estiver da F1), mais pontos o certame distribui.

Por exemplo, o piloto que for campeão de uma F4 soma 12 pontos, enquanto o sexto colocado da F2 leva 10. Assim, pode compensar mais subir de categoria em busca desses pontos, mesmo que terminando o ano no meio da tabela, que descer de patamar e apostar tudo em um título que pode não vir.

Só que a F-Regional veio para desequilibrar essa matemática. Criada no ano passado para ser um passo intermediário entre a F4 e a F3, ela enfrenta uma concorrência muito pesada de F-Renault Eurocup, F3 Inglesa, Euroformula Open. Isso sem falar que os campeões das principais F4 do ano passado subiram para a F3 2020 sem passar por esse degrau do meio.

Como ela é uma categoria da FIA, para tentar promovê-la e atrair pilotos interessados, a entidade inflou consideravelmente os números de pontos na superlicença que ela distribui: o primeiro colocado leva 25, o vice fica com 20, o terceiro soma 15, enquanto os nove primeiros são premiados.

É mais que o DTM, por exemplo, e muito mais que os 15 dados aos campeões das concorrentes F-Renault Eurocup e Euroformula Open, mesmo com essas duas categorias conseguindo atrair um grid muito maior e mais competitivo que o da F-Regional.

Não é por acaso que a Red Bull percebeu a oportunidade de colocar Juri Vips por lá neste ano para somar os pontos necessários.

Juri Vips na Super Fórmula do Japão

O estoniano também deve disputar a Super Formula, do Japão, em 2020. No caso da superlicença, a matemática é a mesma da F-Regional (precisa ficar com o vice-campeonato para garantir a subida para a F1).

Em 2020, há dois choques de data entre esses dois certames. E, segundo o empresário de Vips, a Super Formula é que terá a prioridade.  Como o primeiro deles acontece só em outubro, de repente os planos podem mudar dependendo de seu desempenho em ambos os torneios até lá.

Outro problema para ele pode ser encontrar fronteiras fechadas em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Por enquanto, a primeira etapa do campeonato do Japão, em 30 de agosto, acontece apenas uma semana depois da rodada da F-Regional em Paul Ricard. Ou seja, não daria tempo de ele cumprir a quarentena obrigatória para estrangeiros no país asiático. Mas aí resta ver se esse tipo de restrição ainda estará sendo aplicado até lá.

Assim, não será uma surpresa se, no fim, ele acabe se dedicando integralmente à F-Regional e participando das corridas na Japão somente quando o calendário permitir. O que seria um problemão para Ginaluca Petecof, considerado o favorito ao título do certame europeu em 2020.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da F-Regional 2020 está sendo formado.

foto do topo: sho tamura/red bull content pool

Gianluca Petecof, Prema, 2020, Ferrari Driver Academy, Academia da Ferrari, F-Regional, Fórmula Regional
Gianluca Petecof ganhou um adversário e tanto na F-Regional 2020 – foto: ferrari promo/shell/divulgação

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