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O breve retorno da World Series by Renault em 2020

Você se lembra da World Series by Renault? Essa foi uma das principais categorias de acesso para os pilotos que buscavam chegar à F1, mas que fechou as portas em 2015. Só que agora ela teve um rápido retorno com provas virtuais durante a pandemia do novo coronavírus.

A World Series ganhou destaque no fim dos anos 2000 por ter revelado Robert Kubica, Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo para a F1. Mas seu momento de maior destaque foi no início dos anos 2010, quando tinha um grid mais forte que o da GP2 (como a F2 era chamada na época) e era considerada a principal categoria para os jovens pilotos.

Nesse período, passaram por lá Carlos Sainz, Jules Bianchi, Pierre Gasly, Kevin Magnussen e muitos outros. Era onde as equipes de F1 colocavam os integrantes de seus programas juniores. Ao mesmo tempo, a GP2 tinha dificuldade para levar seus campeões à F1. Davide Valsecchi e Fabio Leimer que o digam.

Foi quando a FIA acelerou o processo de matar a GP2 e promover a F2. Nesse intervalo, a entidade criou a superlicença, que beneficiava quem corria em seus torneios e dava poucos pontos para quem andava em concorrentes, como era o caso da World Series. Além disso, o carro da F2/GP2 foi reformulado e ficou mais parecido com um F1, além de ser equipado com pneus fabricados pela Pirelli.

Essa mudanças fizeram com que o número de interessados pela World Series caísse. A Renault percebeu que o seu campeonato vivia uma situação delicada, no fim de 2015, e decidiu acabar com ele. A justificativa era uma mudança de prioridades para a marca, que passaria a usar o dinheiro para financiar a volta de sua equipe à F1 (que acabara de comprar a Lotus) e também de seu time na Formula E. Uma união do útil com o (des)agradável.

Fazendo um parentese, após a saída da Renault, a World Series continuou por mais dois anos, mas organizado por outra empresa. E, em 2017, Pietro Fittipaldi se tornou o último campeão de sua história.

E quem estava com saudades da World Series by Renault pôde acompanhar agora em 2020 o retorno do certame em quatro etapas disputadas em simuladores durante o mês de junho, com direito uma das rodadas em Interlagos. Na prática, era a versão virtual da F-Renault Eurocup, que será disputada normalmente neste ano.

Os erros da World Series virtual

O problema é que a Renault cometeu alguns erros na hora de promover seu torneio digital. O primeiro foi misturar os pilotos de sua equipe oficial dos simuladores com quem vai disputar a categoria real no asfalto.

É comum que os profissionais de games/simuladores se saiam melhor que os pilotos reais nessas corridas no mundo digital. Ou seja, no fim, a disputa pela vitória ficava entre esses especialistas do online, mas que eram praticamente desconhecidos do público geral.

E o segundo é que as corridas aconteceram em junho, quando muitos campeonatos já voltaram ao asfalto – ao menos para testes -, e o interesse pelo online têm diminuído entre os fãs do esporte a motor.

Basta ver que o campeonato virtual da F3 da Dallara, realizado nos primeiros meses da pandemia, costumava atrair mais de 50 pilotos por etapa, número similar aos de participantes do torneio do Road to Indy. Já a World Series by Renault atingia no máximo 20 competidores.

Por aí dá para ver que, se a World Series by Renault ainda existisse até hoje, também teria que lidar com diversos problemas.

E se a World Series by Renault ainda existisse?

Mas e se a World Series by Renault realmente fosse disputada em 2020, quem será que correria nela?

Para começar, um bom palpite seria Juri Vips. Durante muitos anos a Red Bull ignorou a GP2/F2 e colocou seus jovens pilotos para andar na World Series. Foi assim com Vettel, Ricciardo, Sainz, Jean-Éric Vergne, Jaime Alguersuari e muitos outros.

Vips, o principal nome da nova geração do Red Bull Junior Team, está escalado para tomar parte da Super Fórmula, do Japão, neste ano. Mas se a fabricante de energéticos quisesse que ele continuasse na Europa, então a World Series seria um bom destino.

O mesmo vale para Jehan Daruvala, que vai defender as cores da Red Bull, na F2 em 2020.

Além disso, o campeão da F-Renault Eurocup recebia uma bolsa para subir para a World Series by Renault no ano seguinte. Se esse prêmio ainda existisse, Oscar Piastri é quem teria ficado com ele após o título conquistado em 2019.

Piastri, inclusive, passou a fazer parte do programa de jovens pilotos da Renault após ter ficado com a taça da Eurocup. E seria possível que outros colegas dele na academia da montadora francesa, como Christian Lundgaard (hoje na F2) e Max Fewtrell (da F3), também fossem postos na World Series.

Por fim, meu palpite é que o alemão Andreas Estner, o austríaco Lukas Dunner e o chinês Ye Yifei também fariam parte do grid. É que os três correram na F3 no ano passado, mas em 2020 “desceram” para a Euroformula Open. Como a World Series sempre foi uma concorrente dos campeonatos da FIA, seria um destino provável para eles.

E quanto aos brasileiros? Durante alguns anos a World Series teve uma equipe do país: a Draco, cuja dona era a família Negrão. Normalmente, uma das vagas da esquadra ia para um brasileiro. Em 2020, um bom candidato ao assento seria Felipe Drugovich. Ele não foi bem na F3 em 2019, mas preferiu saltar para a F2 neste ano pela equipe MP, que não está entre as grandes do certame. Talvez um equipamento mais competitivo na World Series o seduzisse.

Outra opção seria Enzo Fittipaldi, em busca de repetir o título conquistado por seu irmão mais velho em 2017.

E dá até para ir um pouco mais longe. Bruno Carneiro correu na F-Renault da Ásia em 2019 e poderia tentar a sorte na Europa. Ou Bruna Tomaselli, que ficou sem ter onde competir em 2020 após o cancelamento da temporada da W Series em decorrência do coronavírus. E João Vieira começou muito bem na F-Renault 2019 antes de deixar o campeonato antes do fim.

É. Não dá para saber quem iria disputar a World Series by Renault em 2020. A única certeza é que Juri Vips seria o vice-campeão. O motivo? É que os pilotos do Red Bull Junior Team não costumavam dar muita sorte por lá. Ricciardo foi o segundo colocado em 2010, Vergne terminou na mesma posição no ano seguinte e Gasly repetiu o feito em 2014. A exceção foi Sainz, o único representante do programa a ficar com a taça.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da última etapa do campeonato virtual da World Series by Renault, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

imagem do topo: renault sport

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A Red Bull costumava colocar seus jovens pilotos para correr na World Series by Renault, como foi o caso com Jean-Éric Vergne em 2011 – foto: gepa picture/red bull content pool

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