Formula E, 2019-2020, Audi, Lucas di Grassi, Berlim, Alemanha, Aeroporto Tempelhof

A Formula E e o calendário mais louco de corridas na pandemia

Seis corridas em nove dias. É assim que a Formula E escolheu terminar a temporada 2019-2020, profundamente afetada pela pandemia do novo coronavírus. Sem realizar provas desde o fim de fevereiro, o campeonato decidiu ter três rodadas duplas no aeroporto de Tempelhof, na Alemanha, de 5 a 13 de agosto, para colocar um ponto final na disputa e definir quem será o campeão.

Mas por que a categoria de carros elétricos optou por um calendário tão louco?

É porque a Formula E é um dos certames que mais sofreram com a pandemia. Ela não corre o risco de deixar de existir, como o DTM ou o WTCR estão ameaçados. O problema para ela é que a maior parte de suas etapas são em circuitos de rua, que não podem receber corridas enquanto o coronavírus estiver à solta.

A razão para isso é sanitária mas também é econômica.

O problema da Formula E está nas ruas

Não faz muito sentido fechar uma parte da cidade para uma corrida de carro no meio de uma pandemia, quando emergências podem acontecer, e os caminhos até os hospitais precisam estar livres.

Da mesma forma, mesmo que com “portões fechados” para o público, circuitos de rua geram aglomerações. De um jeito ou de outro, os moradores se reuniriam próximos aos carros para acompanhar as provas, o que contraria o distanciamento social.

Além disso, o circuito Hermanos Rodríguez, no México, as Docas, de Londres, e a região do Brooklyn, nos EUA, onde as etapas desses países seriam realizadas, foram transformados em hospitais de campanha durante a pandemia.

Mas o principal motivo para não correr em circuito de rua com portões fechados é econômico. Como são caros para montar e desmontar e muitas vezes precisam de uma estrutura móvel (de arquibancadas a boxes) para sediar as provas, seus promotores dependem bastante do dinheiro de bilheteria para fechar as contas.

E muitas vezes os governos das cidades e/ou dos países onde essas corridas são realizadas precisam bancar as etapas, incluindo as taxas pagas aos campeonatos pelo direito de sediar as provas. Em contrapartida, eles esperam que o dinheiro volte atraindo visitantes e turistas, que gastarão na cidade durante a etapa.

Assim, de portões fechados, não tem torcedores, não tem turistas e, portanto, esses locais ficam no prejuízo se receberem a Formula E.

Por que Tempelhof é a solução da Formula E?

É aí que entra o aeroporto de Tempelhof. Por ser uma instalação desativada, ter um circuito montado dentro dela não interfere no trânsito da cidade. Da mesma forma, é possível controlar quem entra e quem sai, para evitar aglomerações.

Fora isso, ainda há a vantagem de pode criar diferentes layouts da pista para as corridas que encerram a temporada.

E a opção por ter seis provas em nove dias é para que os pilotos e todos os envolvidos na organização possam viver numa espécie de bolha na Alemanha, diminuindo a chance de contágio e evitando viagens em uma época de fronteiras fechadas.

Além disso, ainda há certa pressa para que a temporada acabe logo, porque os contratos de alguns pilotos com suas equipes estão chegando ao fim. Originalmente, a última etapa do campeonato estava marcada para acontecer em 26 de julho, e há vínculos que se encerram nesse dia. Tanto que Pascal Wehrlein já anunciou que não ficará na Mahindra (é especulado na Porsche) e nem corre na Alemanha.

Uma vez que o campeonato acabe, a Formula E vai ter tempo para monitorar como estará a situação do coronavírus para decidir o que fazer para 2020-21. A categoria costuma começar no fim de novembro – ou mesmo só em dezembro – e também não seria uma surpresa se todas as etapas da sétima temporada ficarem para o ano que vem, quando as consequências da pandemia ficarão mais claras para todos.

Você pode clicar aqui para ver como ficou o novo calendário da Formula E 2019-2020.

formula-e-aeroporto-berlim
O aeroporto Tempelhof foi escolhido para sediar as últimas etapas da Formula E 2019-2020 porque é uma instalação desativada e de fácil controle de quem entra e sai – fotos do post: michael kunkel/audi/divulgação

 

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