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O ano em que a Indy foi dominada pelos pilotos brasileiros

Os carros da Indy 2020 voltam à pista neste sábado, no Texas, após a pausa provocada pelo novo coronavírus. E, para os brasileiros que acompanham a categoria, a situação será bem diferente da vista no ano 2000, há 20 anos.

Enquanto Tony Kanaan é o único representante do país na prova que reabre o campeonato, no início dos 2000 dez brasileiros tomaram parte do certame.

Aliás, o domínio do Brasil em 2000 foi enorme. Os pilotos do país venceram oito das 20 corridas disputadas, formaram um pódio 100% brasileiro em Fontana e em nenhuma prova daquele ano ficaram fora do grupo dos cinco primeiros. E, claro, Gil de Ferran acabou com o título.

Resultados que devem ser bem diferentes dos que serão em 2020, uma vez que Kanaan anda pela Foyt, uma das piores equipes da categoria, e Felipe Nasr, que iria competir pela Carlin em algumas rodadas, teve seus planos alterados pela pandemia e agora não há uma data confirmada para sua estreia.

No clima saudosista, veja abaixo o que aconteceu com os dez brasileiros da Indy 2000.

1) Gil de Ferran

Em 2000, o brasileiro tinha estreado pela poderosa equipe Penske, que buscava voltar a ser uma das grandes da categoria após alguns anos de baixa. Para isso, ela trouxe De Ferran, que teve bons resultados andando por times médios no início da carreira, como a Hall e a Walker.

Gil foi campeão ganhando somente duas corridas – em Nazareth e em Portland -, mas obteve outros cinco pódios e teve como principal ponto forte a consistência de resultados: tirando os abandonos, terminou fora do grupo dos dez primeiros (em uma época que 12 pontuavam) somente uma única vez.

Pela Penske, De Ferran garantiu o bicampeonato em 2001 e ganhou as 500 Milhas de Indianápolis em 2003.

Depois, foi chefe de equipe da Honda, na F1, teve sua própria equipe na American Le Mans Series (antecessora da Imsa) e também na Indy e, em 2017, foi contratado pela McLaren para acompanhar a transição de Fernando Alonso para os ovais. Chegou a ocupar interinamente o posto de chefe de equipe da esquadra na F1 e, agora, segue na esquadra britânica, em função semelhante em sua empreitada nos EUA.

3) Roberto Pupo Moreno

Conhecido como um dos pilotos mais engraçados da história do automobilismo, Moreno já tinha brilhado no começo da década de 1990, na F1, quando conquistou um pódio correndo pela Benetton. Mas talvez sua maior façanha tenha sido classificar a péssima equipe Andrea Moda para o GP de Mônaco de 1992.

Nos EUA, ganhou a fama de supersub, por ser sempre a principal escolha para substituir colegas lesionados ou demitidos. Tanto que 2000 foi somente sua terceira temporada completa na Indy, onde já estava desde que deixara a F1. Pela equipe Patrick, triunfou em Cleveland e fechou o ano em terceiro.

Moreno continuou na Indy até 2003, mas ainda correu em uma prova ou outra até 2008. Depois, passou a trabalhar com jovens pilotos em início de carreira, principalmente aqui no Brasil, e atualmente é o mentor de Igor Fraga, atual campeão da Toyota Racing Series e mais novo contratado do Red Bull Junior Team.

7) Helio Castroneves

Não era para Castroneves ter disputado a temporada 2000 da Indy. Sem patrocínio nem empresário, ele tinha ficado a pé no fim de 1999, apesar de ter brilhado por uma equipe pequena, a Hogan, com um pódio e uma pole naquele ano.

O acordo com a Penske só aconteceu porque o piloto que tinha sido contratado, o canadense Greg Moore, sofrera um acidente fatal na última corrida do ano anterior, e o brasileiro acabou escolhido para ficar com a vaga aberta pela tragédia.

A Penske não poderia ter feito uma escolha melhor. Castroneves foi o piloto que mais venceu em 2000 (Detroit, Mid-Ohio e Laguna Seca), ganhou as 500 Milhas de Indianápolis em 2001, 2002 e 2009 e a Petit Le Mans, em 2008. Hoje ele continua defendendo a escuderia, mas na Imsa, e está confirmado na Indy 500 deste ano.

10) Cristiano da Matta

Kiki, como é chamado pelos mais próximos, estourou na Indy em 2000. Andando pela PPI, uma equipe mediana, triunfou em Chicagoland e conquistou um monte de top-5, apesar de só ter terminado o ano em décimo na tabela.

Foi o suficiente para chamar a atenção da poderosa Newman/Haas, que assinou com ele para o ano seguinte. Juntos, foram campeões em 2002.

Em 2003, seguiu para a F1, pela Toyota. A montadora japonesa gastava muito dinheiro na principal campeonato do automobilismo mundial, mas não conseguia construir um carro competitivo. Como resultado, costumava colocar a culpa nos pilotos, o que levou a Da Matta ser demitido em meados de 2004.

Voltou para os EUA, mas teve sua carreira interrompida em 2006 ao sofrer um grave acidente num treino em Road America, quando atropelou um cervo. O brasileiro sobreviveu e participou de algumas corridas de endurance nos EUA entre o fim dos 2000 e o começo de 2010, além de ter passado pela F-Truck, aqui no Brasil.

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Carro usado por Cristiano da Matta na Indy em 2000 agora em museu da Toyota – foto: motohide miwa/CC BY 2.0

12) Christian Fittipaldi

O maior destaque de Christian em 2000 foi ter liderado o domínio brasileiro em Fontana. Mas consistência não foi o forte do piloto naquele ano, sendo somente o 12º na tabela de pontos.

Fittipaldi permaneceu na poderosa Newman/Haas até 2003. Depois, peregrinou por um monte de campeonatos. Tornou-se o primeiro brasileiro a correr na Nascar, ganhou as 24 Horas de Daytona pela primeira vez, andou na A1 GP, na Stock Car, na Copa Fiat, na Truck e nas 24 Horas de Le Mans.

Mas seu momento de estrelato foi na Imsa, ficando com os título de 2014 e 2015 ao lado do português João Barbosa, com direito a mais dois triunfos em Daytona. Christian se aposentou das pistas no começo do ano passado, mas segue como dirigente na equipe Action Express, que hoje tem Felipe Nasr e Pipo Derani como representantes.

17) Maurício Gugelmin

Gugelmin chegou à Indy depois de cinco temporadas na F1, onde obteve um pódio.

Nos EUA, foi mais competitivo no fim da década de 1990, quando a Mercedes, cujos motores eram usados pela equipe Pac-West, investia mais na categoria. Em 2000, porém, o time não teve um bom desempenho.

Deixou a Indy no fim de 2001 e continuou morando nos EUA, mas riscou o automobilismo de sua vida após uma tragédia familiar.

19) Tony Kanaan

Dos dez brasileiros que andaram na Indy em 2000, Kanaan é o único que segue na ativa na categoria, embora neste ano vá participar apenas das provas em ovais como um tour de despedida antes da aposentadoria.

Em 2000, ainda no início de carreira, ele correu pela escuderia Mo Nunn e teve como principal resultado três oitavos lugares.

Foi crescendo junto com o time até 2002 e acabou contratado pela Andretti, na temporada seguinte, para formar um dream team ao lado de Dario Franchitti, Brian Herta, Dan Wheldon e, depois, Danica Patrick.

Com a icônica pintura verde e branca do 7-Eleven, foi campeão em 2004 e lutou pelos títulos de 2006, 2007 e 2008. Faltava só vencer as 500 Milhas de Indianápolis, triunfo que teimava em escapar de suas mãos. E a conquista veio em 2013, quando andava por outra escuderia, a KV. Desde então, teve uma passagem por quatro temporadas pela Ganassi e defende a Foyt desde 2018.

25) Tarso Marques

Tarso ficou mais conhecido por ser companheiro de Fernando Alonso, na estreia do espanhol na F1, em 2001, pela Minardi.

Mas antes disso ele já tinha passado pela Indy. Andou em seis etapas pela Penske, em 1999, e pela Dale Coyne, em 2000. Seu melhor resultado foi o sétimo lugar em Fontana.

Após deixar a F1, Marques correu no Brasil, na Stock Car.

27) Luiz Garcia Jr.

Em seu segundo ano da Indy, assumiu a vaga que tinha sido de Cristiano da Matta na Arciero, uma das menores equipes do certame. Fechou a temporada em 27º, com o 11º posto em Michigan como melhor resultado.

Ainda esteve nas duas primeiras etapas da temporada 2001, mas retornou ao Brasil depois disso, tendo passado por Stock Car e GT3 por aqui.

30) Gualter Salles

Pela Dale Coyne, que era uma equipe muito menor do que é hoje, Gualter correu em seis etapas em 2000 e abandonou todas. Mesmo assim, retornou à escudeira em 2003.

Seguiu para o Brasil ainda em 2003 para andar na Stock Car, onde, três anos mais tarde, se envolveu em um acidente fortíssimo, na etapa da Argentina. Na ocasião, seu carro capotou e foi parar em uma vala, fora da pista. Ele se aposentou no fim daquele ano, mas seguiu envolvido na categoria brasileira como dirigente. Também se dedicou ao pôquer, no fim dos anos 2000, onde teve certo sucesso.

Agora que você viu quem foram os brasileiros na temporada 2020 da Indy, você pode clicar aqui para ver como foi a classificação completa daquele campeonato.

E clicar aqui para ver os resultados da Indy 2020 no Texas, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: morio/own work/CC BY-SA 3.0

Christian Fittipaldi, Indy, 2000, Newman-Haas
Christian Fittipaldi foi um dos brasileiros a vencer na Indy em 2000 – foto: yuji yoshida/own work/CC BY-SA 4.0

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