Colton Herta, Indy Lights, cancelada

Não vai ter Indy Lights em 2020

Enquanto a temporada 2020 da Indy começa para valer neste fim de semana, no Texas, após a pausa provocada pela pandemia do novo coronavírus, já sabemos quem não estará presente na pista: é a Indy Lights, cujo campeonato deste ano foi cancelado por causa da crise.

Os problemas da principal categoria de acesso dos EUA, na verdade, já vinham desde muito antes da pandemia. Ao longo da década passada, o certame teve dificuldades para ter mais de dez carros por etapa. Se em 2017, atingiu o “recorde” de 14 pilotos em todas as corridas, no ano seguinte esse número caiu para apenas sete e, em 2019, foi de oito.

Em comparação, a F2 costuma ter o dobro de participantes por prova, enquanto a F3 (antiga GP3) atrai três vezes mais competidores.

Ainda assim, dez pilotos tinham anunciado que iam correr na Indy Lights em 2020, embora dois deles não estivessem garantidos em todas as etapas.

Segundo a imprensa americana, como decorrência da crise econômica causada pelo novo coronavírus, que impactou patrocinadores (e o dinheiro que eles tinham para gastar com o automobilismo), ao menos três participantes desistiram de tomar parte da categoria, o que levou ao cancelamento da temporada.

A expectativa agora é que o certame volte em 2021, mantendo boa parte dos competidores que já tinham sido anunciados para este ano, assim como atraindo nomes do atual grid da Indy Pro 2000 (cuja temporada vai acontecer normalmente nos próximos meses) e também da F3 Americas.

Mas o que deu para aprender com a pandemia até agora é que, quando todo mundo interrompe suas atividades, não dá para esperar que elas voltem completamente ao normal logo depois.

Problemas para a volta da Indy Lights

Isto é, as equipes da Indy Lights, mesmo sem competir, vão continuar tendo contas para pagar, vão precisar decidir se vão disputar outro campeonato neste ano (para se manter em atividade) ou se vão demitir mecânicos e engenheiros porque não haverá trabalho para eles em 2020 nem dinheiro entrando para pagá-los.

Fora que os – poucos – pilotos que haviam sido confirmados para 2020 também serão afetados. Se quiserem se manter na ativa neste ano,  vão precisar de acordos de última hora com outros campeonatos. E o risco, claro, é que eles decidam ficar por esses novos certames em 2021.

De todos os competidores da categoria de acesso, o caso mais curioso é o de Kyle Kirkwood, que tem sido comparado a Max Verstappen nos EUA. Nos últimos três anos, o americano foi campeão da USF2000, da Indy Pro 2000, da F4 USA e da F3 Americas e, agora, era o favorito absoluto à taça na Lights e a uma vaga na Indy no ano que vem.

Caso ele decida aproveitar este “ano sabático” para competir na Europa, uma vez que já triunfou em todas as categorias possíveis dos EUA, não tem a menor chance de ser por uma equipe competitiva, pois as principais vagas tinham sido ocupadas antes da pandemia.

A especulação no momento é que ele pode fazer logo sua estreia na Indy em algumas corridas de 2020. E, se ele brilhar na categoria principal neste ano, não faria sentido retornar à Lights em 2021…

Embora as perspectivas não pareçam boas, quem pode garantir o futuro da Indy Lights é Roger Penske. O dirigente comprou a Indy no começo deste ano e foi um dos responsáveis por decidir pelo cancelamento neste momento da temporada da categoria de acesso, dizendo que tem planos para fortalecê-la a partir de 2021.

Pelo sucesso que Penske tem em seus negócios, dá para ficar otimista com o retorno do campeonato de base no ano que vem. Até porque há, sim, interessados. Tanto a Indy Pro 2000 quanto a F3 Americas dão aos seus campeões uma bolsa para andar na Lights em 2021, o que tem sido usado, com sucesso, por esses certames para atrair participantes.

Daí há, sim, uma luz no fim do túnel para a Indy Lights em 2021. Diferentemente de DTM e WTCR, que também enfrentam crises gravíssimas neste momento de pandemia do coronavírus.

foto do topo: talladega87/own work/CC BY-SA 4.0

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Matheus Leist foi o último brasileiro a conquistar uma vitória na Indy Lights até agora – foto: indianapolis motor speedway/llc photo/rf1/divulgação

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