foto de Daniel Abt

Daniel Abt já estava ameaçado na Formula E antes da trapaça

Quando comecei a pesquisar para escrever este post sobre Daniel Abt ter sido pego trapaceando na corrida virtual da Formula E, ao colocar outra pessoa para competir se passando por ele, a conclusão a que eu tinha chegado era que ele já não teria chances de manter um lugar na Audi para a próxima temporada.

Eu só não esperava que a montadora alemã seria tão rápida e, três dias após a corrida, já tivesse anunciado a demissão de Abt.

O piloto germânico já estava ameaçado de deixar a categoria de carros elétricos muito antes de o mundo parar pela pandemia do novo coronavírus. E o grande problema da Audi não foi a trapaça dele. É que a marca está ficando para trás na Formula E.

Se em 2017-18, a montadora tinha o melhor equipamento e só deixou a taça escapar por causa dos abandonos de Lucas di Grassi no começo daquela temporada, agora ela foi superada por DS Techeetah e BMW, sem falar no bom desempenho de Mitch Evans, da Jaguar, nas últimas corridas.

Não por acaso o desempenho de Abt também caiu nesse período. Em 2017-18, o alemão ganhou as etapas da Cidade do México e de Berlim, mas neste ano, com o campeonato encurtado por causa da pandemia, ele é apenas o 17º na tabela, tendo somado pontos somente com o sexto lugar na segunda bateria da rodada de abertura em Ad Diriyah. Em comparação, Di Grassi, seu companheiro de equipe, acumula 38 pontos e está na luta pelo título.

Além disso, a Audi já anunciou que vai deixar o DTM no fim deste ano para investir mais na Formula E. Assim, seus pilotos na categoria germânica ficarão desempregados no fim do ano e vão buscar de manter o contrato com a montadora nos carros elétricos.

O que pesava a favor de Abt é que o pai dele, Hans-Jürgen Abt, é o fundador de uma empresa muito famosa por modificar carros da Audi e era justamente o dono da equipe na Formula E – que mais tarde acabou incorporada pela montadora.

Assim, por mais que o piloto germânico nunca tenha de fato lutado pelo título da Formula E, foi só da última temporada para cá que ele passou a ter seu lugar no grid ameaçado.

Aí, quando já estava com a corda no pescoço, Abt não se ajudou ao escolher trapacear na corrida virtual da Formula E.

É tudo videogame para a Formula E?

Como resultado, nesta terça-feira, dia 26, a Audi anunciou que o alemão estava demitido da equipe da Formula E. Em seguida, Abt publicou um vídeo no YouTube se desculpando e dizendo que fez uma brincadeira que saiu do controle.

Defensores do piloto alemão disseram que a punição imposta pela marca alemã foi muito grande perto do erro cometido. Afinal, a corrida tinha ocorrida em um simulador, não nas pistas reais, então não deveria ser levada tão a sério.

O que eles não perceberam é que o mundo está vivendo uma situação anormal por causa da covid-19, e a Formula E é um dos campeonatos cujo futuro a curto prazo está mais ameaçado pela doença.

Estamos falando de um certame mundial que vai precisar lidar com o problema de fronteiras fechadas na hora de marcar suas próximas corridas e também de uma categoria que só anda em circuitos de rua, que não podem ter provas disputadas com portões fechados. Ou seja, enquanto houver distanciamento social não há como as corridas nesse tipo de pista serem realizadas.

Dessa forma, a Formula E e suas parceiras comerciais têm apenas duas maneiras de produzir conteúdo e se promover durante o coronavírus: fazendo posts nas redes sociais e com a corrida virtual. E a última coisa que as marcas querem é, nessas horas de tão pouco retorno, serem associadas a fraudes e trapaças.

Também não dá para argumentar que era só um videogame. É que as empresas envolvidas estão levando bastante a sério o que acontece no mundo virtual. É só ver que, do começo da pandemia para cá, um piloto da Nascar (Bubba Wallace) perdeu o patrocinador que tinha por desconectar (“quitar”) de uma corrida e outro (Kyle Larson) foi suspenso pela categoria e demitido da equipe em que estava por ter dito uma expressão racista online.

Isso sem falar nas críticas que a Indy recebeu pela bagunça que foi sua última prova online, em Indianápolis, quando pilotos batiam em outros de propósito para que eles não vencessem.

Era tudo no game/simulador, mas reverberou no mundo real. Da mesma forma como aconteceu agora com Daniel Abt e sua péssima ideia de colocar um impostor. Pior para o alemão, que ficará marcado como protagonista de uma das demissões mais ridículas da história do esporte a motor.

foto do topo: michael kunkel/audi/divulgação

foto Formula E
A Audi precisará arrumar um substituto para Daniel Abt caso a Formula E volte a correr neste ano – foto: malte christians/audi/divulgação

 

2 comentários sobre “Daniel Abt já estava ameaçado na Formula E antes da trapaça

  1. O Abt teve uma ou outra corrida boa, mas é muito inconsistente para ser mantido, não sei como continuou depois que a Audi assumiu.

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  2. Pingback: Agenda da velocidade 2020 (14) – World of Motorsport | Da Sports News

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