foto Nascar

A Nascar deveria ter voltado às pistas durante o coronavírus?

A Nascar se tornou no fim de semana a primeira grande categoria do automobilismo mundial a retornar às pistas após a paralisação causada pela pandemia do novo coronavírus.

Antes dela, houve provas de campeonatos amadores na China e de certames regionais, nos EUA, em ovais de terra e de menos de uma milha, além de testes privados na Europa.

Mas será que já estava na hora de o automobilismo voltar?

A principal crítica feita à Nascar é que a categoria resolveu retomar o campeonato em um momento no qual os Estados Unidos são o local mais afetado pelo coronavírus. Até o domingo, data da prova em Darlington, a covid-19 continuava a se espalhar pelo país, que registrava quase 1,5 milhão de casos e pouco menos de 90 mil mortes.

Em comparação, locais menos atingidos pela doença estão sendo mais cuidadosos na hora de voltar às pistas. A China, por exemplo, com medo de uma segunda onda de contágios, resolveu adiar o início da temporada 2020 de maio para o fim de junho de algum de seus campeonatos. E a Austrália só terá corridas das Supercars, o principal certame por lá, a partir do fim de junho, caso a covid-19 continue controlada.

Por que a Nascar foi a primeira?

Por outro lado, alguém precisava ter sido o primeiro campeonato a voltar às atividades, e a Nascar tem todos os méritos de ter sido ela quem deu o primeiro passo.

Difícil é arrumar uma explicação para que o campeonato alemão de futebol tenha realizado seus primeiros jogos pós-coronavírus também neste fim de semana, enquanto a Adac, que organiza algumas das principais corridas da Alemanha (como GT3, F4 e TCR), só tenha provas marcadas para meados de agosto, sendo que o automobilismo é uma das modalidades onde há menor risco de contágio.

Não tenha dúvidas de que muitos desses campeonatos que decidiram esperar estão de olho no nas medidas de segurança que a Nascar está implementando para tentar replicá-las.

A categoria americana, por exemplo, passou a obrigar o uso de máscara para todos os que vão para a pista, recomendou que as equipes dividissem seus funcionários em dois grupos – os que vão para a pista (como pilotos, mecânicos e engenheiros) e os que trabalham na sede – e que um não tivesse contato com o outro e cancelou, por enquanto, treinos livres e classificação, diminuindo o tempo que competidores e escuderias precisam passar dentro do circuito.

Muitas dessas medidas também deverão ser colocadas em prática por campeonatos em todo o mundo conforme eles forem retornando.

E esse é o segundo grande mérito da Nascar: de ser a primeira a criar, testar e avaliar protocolos de saúde e de segurança que poderão ser usados no mundo pós-coronavírus – chamado de “novo normal” – não só por outras categorias do esporte a motor mas também por mais modalidades esportivas.

Outro ponto que favoreceu a Nascar a voltar antes é que, além de estar disposta a encarar as consequências de ser a pioneira, ela é construída de uma maneira diferente de muitos campeonatos mundiais. Não deixa de ser um certame regional, mas com exposição global.

É regional, porque quase todo o grid é formado somente por pilotos americanos. A maior parte deles mora na Carolina do Norte, onde também ficam as sedes de praticamente todas as equipes.

Ou seja, a partir do momento em que o campeonato decidiu retornar, não precisou se preocupar com voos cancelados e fronteiras fechadas. Diferentemente do que acontece com a Imsa, por exemplo, em que boa parte dos participantes é estrangeira.

Muito pelo contrário. A Nascar optou por fazer suas corridas iniciais – em Darlington e em Charlotte – em cidades próximas às sedes das equipes para que pilotos, mecânicos e engenheiros pudessem dirigir de suas casas para os autódromos e também fazer o caminho de volta no mesmo dia, sem precisar passar em hotéis e, de certa forma, mantendo o isolamento social.

O que a Nascar não fez neste primeiro momento é o teste de coronavírus em todos os seus integrantes. A categoria alegou que não daria tempo de o resultado sair no mesmo dia e que serviços de saúde precisam mais dos exames que ela. Como prevenção, os pilotos tiveram suas quarentenas monitoradas, e todos eles tiveram suas temperaturas medidas antes de entrar em Darlington.

E por mais que a primeira corrida da Nascar pós-paralisação do novo coronavírus não tenha respondido a todas as críticas sobre se é cedo demais para voltar, ela conseguiu trazer um pouco de normalidade para seus fãs durante a pandemia.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Nascar em Darlington, assim como os das provas virtuais das principais categorias do esporte a motor do mundo no fim de semana.

foto do topo: harold hinson/hhp/chevy racing/divulgação

foto de Kevin Harvick
Kevin Harvick se tornou o primeiro ganhador após a pausa do coronavírus na Nascar – foto: zach catanzareti/flickr/CC BY-SA 2.0

Um comentário sobre “A Nascar deveria ter voltado às pistas durante o coronavírus?

  1. Particularmente, achei a atitude da NASCAR um desrespeito às famílias dos cidadãos norte-americanos ainda enlutados por terem recentemente perdido seus familiares para essa desgraça que se abateu sobre a espécie humana. O mesmo é válido para o retorno do futebol alemão. A atitude deles deixa claro que isto tudo não é pelo esporte. É unicamente pelo dinheiro. Esporte a gente assiste por lazer, torcendo, perdendo, ganhando, sempre apreciando. Mas o momento atual não enseja o relaxamento necessário para se apreciar a atividade esportiva, inclusive, porque cada um de nós está tenso, vendo gente sofrendo e morrendo aos milhares, e também por saber que poderá nem estar mais nesse mundo daqui a alguns dias, se der azar de ser atingido em cheio por essa doença terrível. E não é acompanhando atividade esportiva que essa sensação vai mudar… Não sei qual vai ser a repercussão desses retornos junto ao público em geral, mas algo me diz que a NASCAR, que já vinha agonizando a perda de audiência há anos, pode ter perdido mais um bom número de fãs com essa volta apressada…

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