Uma notícia que surgiu neste fim de semana mostra como as novas regras do DTM não tinham chances de dar certo.

Chamado de Class One, esse novo regulamento estreou no ano passado com o objetivo de diminuir custos e fazer com que a categoria alemã e o Super GT, do Japão, tivessem os carros construídos seguindo a mesmas regras

Assim, a partir do Class One, uma montadora poderia competir com o mesmo equipamento nas duas categorias, da mesma forma como acontece com campeonatos que adotam pacotes como o GT3 e o TCR.

E a notícia que surgiu neste fim de semana é que uma equipa japonesa, a Team Studie, teve interesse em inscrever um carro da BMW no Japão em 2020. A ideia teve apoio da divisão japonesa da montadora, mas foi vetada pela sede, na Alemanha, em meados do ano passado.

BMW no Japão?

Em primeiro lugar, a recusa da BMW indica que o Class One servia apenas para que o DTM pudesse atrair montadoras japonesas para a Europa. Quando surgiu uma interessada em fazer o caminho oposto, a ideia logo foi abortada.

Há quem justifique que, com a saída da Aston Martin, a BMW precisava de todos os seus carros na Europa, para que o DTM chegasse à 16 inscritos em 2020.

É verdade. Mas a montadora britânica só anunciou que deixaria a categoria no começo deste ano. A BMW já tinha negado os planos do Team Studie durante o verão europeu, em julho ou agosto do ano passado, quando ainda se imaginava que a Aston Martin fosse permanecer, mesmo com os problemas que ela vinha enfrentando.

Além disso, em entrevista à imprensa internacional, o dono da escuderia, Yasuaki Suzuki, explicou que ainda há algumas diferenças entre os regulamento do Japão e da Alemanha (como os pneus usados em cada país), que dificultam a adaptação de uma marca estreante.

Mas, se essas diferenças são grandes o suficiente para que a BMW vetasse a entrada no Super GT, elas também serão uma dificuldade para Honda, Nissan e Toyota, caso elas queiram fazer o caminho inverso e partir para a Europa.

Ou seja, se essas especificidades podem impedir que as marcas sejam competitivas logo em seu ano de estreia, por qual razão as montadoras japonesas iriam investir pesado para correr na Europa se não houver certeza de resultados? Andar sempre em último não é um bom marketing para ninguém…

A ironia é que, a partir da saída da Audi, o DTM provavelmente não continue com o regulamento Class One em 2021. Assim, caso a BMW queira manter seus carros em atividade, a única alternativa será o Super GT.

Se a oportunidade de ir para o Japão surgir, não devem faltar equipes interessadas. E ter competido já em 2020 com o Team Studie seria uma vantagem para a montadora, que já teria aprendido como o Super GT funciona, além de ter recolhido dados suficientes sobre pneus, pistas, pit-stops e outras especificidades do certame.

foto Super GT
Ironicamente, o Super GT pode ser o único destino para os atuais carros da BMW nos próximos anos – foto: toyota gazoo racing/divulgação