foto Audi DTM

É possível salvar o DTM após a saída da Audi?

A semana mal começou, e a Audi jogou uma bomba no DTM anunciando que, por causa da pandemia do coronavírus e dos problemas internos da marca (o dieselgate), vai sair do campeonato no fim da temporada 2020 para se dedicar à Formula E.

Com apenas a BMW de montadora após a Mercedes ter saído no fim de 2018 e a empreitada da Aston Martin no campeonato alemão ter durado somente uma única temporada, fica a pergunta: ainda é possível salvar o DTM?

A resposta é não.

Quer dizer, tudo é possível. Pode aparecer algum bilionário disposto a colocar sua fortuna para garantir que a categoria continue existindo, mas as chances de isso acontecer são remotas.

O principal problema do DTM para atrair novos competidores é o custo elevado. Até 2018, todo o orçamento para correr era pago pelas montadoras. Os patrocínios muitas vezes eram decorrência de negócios b2b das próprias marcas com outras empresas ou no máximo serviam para reforçar o caixa delas.

Com a saída da Mercedes, o certame passou a aceitar escuderias privadas, como é o caso da WRT, onde Pietro Fittipaldi estava no ano passado, cujo orçamento é responsabilidade delas. Por isso muitas vezes exigem que seus pilotos tragam patrocinadores.

Tanto Mercedes quanto Aston Martin, quando abandonaram a categoria, vetaram que seus carros fossem inscritos por outras equipes. A Audi ainda não tomou nenhuma decisão, mas não importa. Mesmo que times privados comprem os equipamentos da montadora das quatro argolas para 2021, eles não vão ter nenhuma chance diante da BMW e seu orçamento de fábrica.

Daí a sobrevivência do DTM depende de achar novas montadoras para correr. Quando a Mercedes anunciou, lá em julho de 2017, que abandonaria a categoria no fim do ano seguinte, ela deu praticamente 18 meses para que a organização do certame encontrasse uma terceira marca para substituí-la. Mas o acordo com a Aston Martin só foi fechado de última hora, em outubro de de 2018 – o que explica porque durou só uma temporada.

Mas agora a Audi deixou o DTM em uma situação mais complicada. Faltam sete meses para o fim do ano e 11 para uma eventual temporada 2021.

O problema coronavírus para o DTM

Para piorar, há uma pandemia de coronavírus, impedindo que a organização do campeonato viaje até as sedes das montadoras para tentar convencer alguma a entrar na categoria.

Outra alternativa, bastante comum nesses casos, é aproveitar alguma corrida já marcada, mesmo que de outro campeonato, para marcar reuniões e negociar com fabricantes, equipes e pilotos interessados.

Só que, por causa da pandemia, na Alemanha, as competições esportivas estão proibidas até setembro. Deixando o prazo muito apertado – praticamente inviável – para negociações.

O que também acaba inviabilizando uma mudança de regulamento, por exemplo, para carros, GT3 ou TCR, carros que existem centenas deles no mundo.  É muito pouco tempo para costurar todos os acertos e deixar o grid pronto para 2021.

Além do mais, fica a pergunta: por que uma equipe já estabelecida no campeonato alemão de GT3 ou na antiga Blancpain Series (atual GT World Challenge) decidiria mudar para o DTM neste momento, sendo que há poucas chances de o campeonato sobreviver?

foto do topo: michael kunkel/audi/divulgação

foto BMW
Sem a Audi, a BMW é a única montadora que sobrou no DTM a partir de 2020 – foto: bmw/divulgação

 

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