foto da F-Renault Eurocup

A briga entre F-Regional e F-Renault Eurocup por pontos da superlicença

Quando Pietro Fittipaldi conseguiu emitir a superlicença, documento obrigatório para correr na F1, logo surgiram reportagens dizendo que seu irmão mais novo, Enzo Fittipaldi, da Academia da Ferrari, estava muito próximo de também conquistá-la.

Mas havia um problema em relação aos pontos de Enzo. É que no ano passado ele foi vice-campeão da F-Regional, e a categoria não cumpria um dos critérios obrigatórios da FIA para que os bônus da superlicença fossem distribuídos.

Uma das regras diz que o campeonato precisa ter ao menos 12 competidores em todas as etapas para os pontos serem dados. Porém, somente dez carros estiveram presentes na rodada inaugural do certame em Paul Ricard.

Ficava aí a questão: os resultados da F-Regional 2019 valeriam para a superlicença? A resposta veio na última reunião do Conselho Mundial da FIA, o órgão máximo do esporte a motor. Eles decidiram que os pontos distribuídos pela categoria na temporada passada podem ser usados, sim, pelos pilotos.

Mais do que isso. Para as regras que valerão a partir deste ano, a que falava sobre número mínimo de competidores foi excluída, já em caso de a F-Regional voltar a ter problemas em atrair interessados.

Mas foi uma terceira decisão do Conselho Mundial que chamou a atenção. Foi sobre os pontos distribuídos pela F-Renault Eurocup. Em 2019, Oscar Piastri, campeão da categoria, ficou com 18 pelo título. Victor Martins, o vice, levou 14. Já para este ano o conselho havia diminuído o número oferecido, com o vencedor indo receber somente 15.

A organização da F-Renault entrou com um recurso, que foi analisado durante a última reunião do Conselho Mundial. Surpreendentemente, o pedido foi acatado, e o campeonato voltará a dar 18 pontos neste ano.

A decisão pode beneficiar Caio Collet, uma vez que o brasileiro é um dos favoritos ao título deste ano, assim que a temporada começar após a pandemia.

Este foi mais um episódio entre as brigas entre a FIA e a Renault na organização dos certames de base.

As brigas da F-Renault

Voltando um pouco no tempo, quando a FIA anunciou, no fim de 2017, que F3 Euro e GP3 se fundiriam em um novo campeonato, ela também determinou a criação de outro torneio, que seria conhecido como F-Regional.

Três grupos se interessaram em organizá-lo: a Renault, a WSK (promotora da F4 Italiana) e a empresa alemã que estava por trás da antiga F3 Euro.

Apesar de a Renault ter sido considerada a favorita por causa de todo o expertise que já tinha, a WSK acabou escolhida. A ideia da FIA era aproveitar os times que já estavam na F4 Italiana e, conforme os pilotos fossem subindo na carreira, eles iriam para a F-Regional.

Até agora esse plano tem sido um fracasso. No ano passado, a Prema dominou o campeonato da F-Regional, com seus representantes ganhando 16 das 24 corridas. Tudo foi feito tão de última hora que só a esquadra italiana teve de fato uma pré-temporada de verdade. Outros times demoraram para acertar com seus pilotos e receberam seus carros às vésperas da rodada inaugural – daí o grid tão pequeno naquele fim de semana.

Ao mesmo tempo, a F-Renault não se deu por vencida. Mesmo tendo sido esnobada pela FIA, ela transformou sua categoria em uma F3 e montou um calendário de dez etapas, sendo que nove delas eram em circuitos por onde a F1 também passa, incluindo Mônaco.

Apesar de somente 14 pilotos terem participado de todas as provas, nenhuma rodada da F-Renault 2019 teve menos que 18 competidores.

Para este ano, a comparação ficou ainda mais desigual. Em seu primeiro (e único até agora) treino de pré-temporada, a F-Regional levou dez carros a Paul Ricard, onde mais uma vez o protagonismo foi da Prema, que terá quatro representantes neste ano.

Já a F-Renault registrou 26 participantes – quase o triplo da concorrente – nos treinos em Valência, realizados pouco antes de o mundo do automobilismo parar por causa da pandemia do novo coronavírus.

É verdade que nem todos eles vão disputar a temporada completa da categoria. Até agora, são 17 os confirmados.

Mas conseguir quase 30 carros para um treino de pré-temporada serviu para mandar uma mensagem ao Conselho Mundial sobre a saúde da categoria e seus planos para o futuro.

Deu quase certo. O conselho restabeleceu os pontos que a F-Renault oferece à superlicença, com o campeão deste ano, caso haja corridas, levando 18. Só está longe dos 25 que o primeiro colocado da F-Regional tem direito, mesmo correndo contra um grid quase 3x menor.

E nessa briga entre F-Regional e F-Renault Eurocup, todos saem perdendo. Uma tem muitos pontos da superlicença, mas um grid enfraquecido, enquanto a outra corre em pistas melhores e com mais carros, porém premia mal seus ganhadores.

Em tempo, eu e os jornalistas Leonardo Marson e Alexander Grünwald gravamos toda semana um podcast sobre os brasileiros no automobilismo mundial. E um dos assuntos dessa semana foi justamente a decisão do Conselho Mundial da FIA de aumentar os pontos da F-Renault. Também falamos sobre as mudanças no calendário do WEC e entrevistamos Sergio Sette Câmara sobre as expectativas dele para a Super Formula e para a F1. Você pode ouvir abaixo.

foto do topo: xavi bonilla/dppi/renault/divulgação

foto F-Regional
A F-Regional teve algumas equipes pouco conhecidas em 2019, como a Scorace – foto: aci csai/divulgação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s