Uma diferença entre o automobilismo americano – principalmente a Indy – e a F1 é o trabalho que é feito para revelar jovens pilotos.

Enquanto seis equipes da F1 (Red Bull, Mercedes, Ferrari, Renault, Williams e AlphaTauri) atualmente têm academias, na Indy nenhuma escuderia tem iniciativa equivalente para descobrir futuros campeões.

Por isso a surpresa que, quando surge um piloto como Kyle Kirkwood, até agora ele não tenha sido disputado pelos principais times do campeonato.

Se corresse na Europa, o americano já deveria ter chamado a atenção dos programas de jovens talentos da F1.

Para entender por que Kirkwood deveria ser cobiçado, basta ver o retrospecto dele até aqui. Nos últimos três anos, foi campeão da F4 USA, F3 Americas, USF2000 e Indy Pro 2000. Nesse período, disputou 67 corridas e ganhou 45 delas, um espantoso aproveitamento de 67%.

A comparação que se faz é com Max Verstappen. Não quer dizer que os dois tenham o mesmo talento, mas que o desempenho deles no começo de carreira (no caso do holandês, principalmente no kartismo) é inédito. No automobilismo contemporâneo, ninguém tinha chegado perto dessas marcas até agora.

F1 x Indy

Mas duas diferenças entre F1 e Indy explicam por que as equipes americanas não investem em jovens pilotos e, portanto, deixaram Kirkwood escapar até agora.

A primeira delas é o dinheiro. Enquanto as menores equipes de F1 têm um orçamento estimado de 150 milhões de dólares, é possível disputar a temporada completa nos EUA com cerca de 10% desse valor. Ou seja, se muitas escuderias da Indy já trabalham com as contas apertadas, elas não têm os recursos necessários para investir nos mais jovens.

A outra é que a Indy busca atrair competidores que já tiveram passagem pelo automobilismo europeu, como Felipe Nasr, Felix Rosenqvist e Robert Wickens. Assim, não faz tanto sentido os times americanos apoiarem quem está nas categorias de acesso dos EUA se não haverá espaço para eles no campeonato principal.

Lembrando que só nos últimos anos que os destaques da Indy Lights, como Colton Herta e Pato O’Ward, é que voltaram a subir para a Indy.

Mas essas particularidades não impediram que Kirkwood fosse observado de perto.

Neste ano, caso o automobilismo recomece após a pandemia do novo coronavírus, o jovem piloto americano vai disputar a Indy Lights pela Andretti. Essa é a mesma escuderia pela qual ele tomou parte do treino dos novatos da Formula E, em fevereiro, quando foi um dos destaques.

Além disso, Kirkwood está competido nas corridas virtuais da Indy no carro amarelo e vermelho de número 28, da própria Andretti, guiado por Ryan Hunter-Reay no mundo real.

Será que esses são os sinais de que em breve vamos ver Kirkwood na Andretti na categoria principal? Se for, azar da Penske, Ganassi e McLaren, que não deram a atenção necessária a um possível fenômeno.

foto do topo: euroformula open/divulgação

foto Ryan Hunter-Reay
Será que em breve o carro número 28 na Indy terá um novo dono? – foto: honda/divulgação