foto Enzo Fittipaldi

Qual o melhor programa de jovens pilotos da F1?

Cada vez mais as equipes de F1 têm investido em desenvolver jovens pilotos. Para isso, elas descem até mesmo ao kartismo com a esperança de descobrir o próximo campeão da principal categoria do automobilismo mundial antes das concorrentes.

A tática tem dado certo. Sebastian Vettel foi tetracampeão da F1 na época em que estava na Red Bull. Depois dele, formar jovens pilotos virou regra. Charles Leclerc, companheiro de equipe do alemão em 2020, é cria da Academia da Ferrari.

Max Verstappen e Alex Albon passaram pelo Red Bull Junior Team e hoje defendem a equipe da fabricante de energéticos. E a McLaren apostou em Lando Norris e está sendo recompensada pelo investimento feito nele.

Com programas de talentos surgindo por todo o grid, fica a questão: qual deles é o melhor para os jovens pilotos? Veja abaixo a minha classificação.

1º – Red Bull Junior Team

O programa da fabricante de energéticos tem o maior atrativo entre todas as iniciativas: duas vagas na AlphaTauri, na F1, reservadas para seus integrantes.

Foi justamente por ter sua equipe satélite que, em 2014, a Red Bull venceu a Mercedes na disputa por Max Verstappen. A marca rubro-taurina ofereceu ao holandês um lugar na F1 no ano seguinte, proposta que a montadora alemã não chegou nem perto de igualar.

Por outro lado, não está sendo tão fácil para o Red Bull Junior Team levar novos pilotos à AlphaTauri, tanto que a atual dupla da escuderia, Daniil Kvyat e Pierre Gasly, é formada por dois competidores que já passaram pela Red Bull, foram rebaixados, mas receberam uma segunda chance.

São muitos os motivos para a marca de energéticos ter dificuldade de promover seus pupilos à F1. Entre eles estão a quantidade enorme de contratações e demissões do programa (hire and fire, na expressão em inglês) e evitar colocar seus jovens na F2, categoria de base que mais distribui pontos na superlicença, o documento obrigatório para correr no campeonato principal.

Também pesa o fato de geralmente os jovens da Red Bull não terem mais acesso aos melhores equipamento nas divisões de base. Na época que os rubro-taurinos tinham o único programa júnior do grid, seus pupilos dominavam os campeonatos por onde passavam, mas hoje eles precisam concorrer pelas vagas nos times de ponta com seus colegas da Ferrari, da Renault e da Mercedes, entre outras equipes.

2º – Academia da Ferrari

Dá até para dizer que os dirigentes de Maranello resolveram se inspirar no Red Bull Junior Team e tentar corrigir todos os problemas que existem no concorrente.

Por exemplo, a Academia da Ferrari também costuma contratar diversos pilotos todos os anos – para 2020, por exemplo, chegaram Arthur Leclerc e Dino Beganovic -, mas não tem o hábito de demiti-los. Tanto que Giuliano Alesi foi apenas o 15º na temporada passada da F2 e manteve seu posto no programa.

O problema é que às vezes a Ferrari exagera. Para 2020, são cinco os seus representantes na F2: além de Alesi, correm por lá Mick Schumacher, Callum Ilott, Robert Shwartzman e Marcus Armstrong.

E só há uma vaga garantida para eles na F1. Por contrato, a Ferrari tem direito a indiciar um dos pilotos da Alfa Romeo. Foi por esse arranjo que Charles Leclerc estreou na escuderia e agora Antonio Giovinazzi anda por lá.

Mas mesmo que todos os carros de Alfa Romeo e também da Haas sejam ocupados por jovens da Academia da Ferrari, ainda assim não teria espaço para que todo o quinteto da F2 chegue à principal categoria do automobilismo mundial.

3º – Mercedes

Diferentemente de Red Bull e Ferrari, a montadora alemã tem sido mais cuidadosa na hora de escolher seus pupilos. No momento, a marca tem contrato com três: o estoniano Paul Aron, o italiano Andrea Kimi Antonelli e o jamaicano Alex Powell, sendo que os dois últimos ainda estão no kartismo.

A boa notícia para o trio é que as chances de eles chegarem à F1 são grandes. Afinal, os outros três pilotos que já passaram pelo programa – Esteban Ocon, George Russell e Pascal Wehrlein – competiram por Force India, Williams e Sauber, respectivamente.

A má notícia é que, ao menos por enquanto, não há espaço para eles na equipe Mercedes. A esquadra tem preferido apostar em veteranos, como visto no fim de 2018, quando, apesar do mau desempenho, Valtteri Bottas teve seu contrato renovado, o que deixou Ocon sem lugar no grid para a temporada seguinte.

4º – Academia da Renault

O que Lucas di Grassi, Pechito López e Robert Kubica têm em comum? É que todos eles passaram pelo programa de jovens pilotos da Renault no começo de suas carreiras, mas conquistaram suas principais vitórias guiando por outras montadoras – Audi, BMW e Citroën, respectivamente.

É o famoso descobrir talentos para o adversário.

Isso acontecia porque a Renault não dava conta de absorver todos os pilotos que formava. Como a equipe estava brigando por títulos na F1 na época de Fernando Alonso, havia a pressão por resultados na pista, por isso a escolha por veteranos como Jarno Trulli e Giancarlo Fischella. Só depois que os jovens Heikki Kovalainen, Nelsinho Piquet e Romain Grosjean tiveram oportunidades.

O mesmo pode acontecer na atual configuração da academia da Renault. Apesar de contar com gente talentosa, como o dinamarquês Christian Lundgaard, o britânico Max Fewtrell e o brasileiro Caio Collet, a escuderia da F1 sinaliza preferir nomes com mais experiência, como a dupla titular formada por Daniel Ricciardo e Esteban Ocon.

5º – Williams

O lado bom é que a Williams é tradicionalmente uma equipe que costuma oferecer espaço para jovens. Foi assim com Nico Rosberg, Nico Hulkenberg, Lance Stroll, Valtteri Bottas e, agora, com George Russell.

O lado ruim é que normalmente eles precisam trazer -muito- dinheiro para ajudar nas finanças da escuderia.

Dessa maneira, o conceito de programa de jovens pilotos é um pouco às avessas. A esquadra até oferece aos seus pupilos a estrutura do time de F1, como acesso a simuladores e preparadores físicos, mas não costuma contribuir com o orçamento deles nas categorias menores.

É por essa razão que Jamie Chadwick, mesmo tendo sido campeã da W Series em 2019, não teve dinheiro suficiente para fechar contrato com uma equipe de ponta e subir para a F3 na atual temporada.

McLaren (sem classificação)

Com as saídas de Sergio Sette Câmara e Igor Fraga (ambos para a Red Bull), a McLaren não tem mais nenhum piloto em seu programa. Sinal de que a prioridade da equipe, neste momento, não é investir na próxima geração.

Uma pena, porque o McLaren Young Driver Programme teve bastante sucesso, levando Lando Norris e Kevin Magnussen até à F1.

Stoffel Vandoorne e Nyck de Vries também participaram da iniciativa, mas acabaram contratados pela Mercedes para sua equipe na Formula E.

Concorda com o meu ranking? Deixe abaixo seu comentário se você mudaria a minha ordem.

Em tempo, toda semana gravo um podcast com os jornalistas Alexander Grunwald e Leonardo Marson, e o assunto desta edição foi justamente o desempenho dos brasileiros que fazem parte das academias de pilotos da F1. Para ouvir, basta dar o play aqui abaixo no YouTube.

foto Caio Collet
Caio Collet é o integrante brasileiro da academia da Renault – foto: dutch photo agency/fgcom/divulgação

 

 

 

 

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